A queda na criminalidade e a sensação da população

Os dados sobre criminalidade no Estado em 2010, revelados há dois dias pela Secretaria de Segurança Pública, mostram uma importante redução em praticamente todos os tipos de delitos em Araraquara, com exceção dos furtos comuns, que registraram leve aumento em relação a 2009. Há forte queda em algumas estatísticas significativas, como a de homicídios – com redução de 21 em 2009 para 9 no ano passado – e também nos furtos e roubos de automóveis, problema crônico na cidade na última década. Os números também são favoráveis na comparação com os vizinhos de tamanho semelhante, como São Carlos e Rio Claro. Ainda assim, como em todos os rankings sobre violência, há sempre uma diferença entre os dados frios das planilhas e a sensação da população, que vem demonstrando uma aflição crescente em nosso município.

Os balanços sobre violência são, por regra, polêmicos. Há várias nuances e sutilezas que influenciam nos cálculos estatísticos e amostragens, tanto que nem sempre um crime de homicídio é enquadrado dessa forma e entra nos rankings, por exemplo, como latrocínio, o que, para o leigo, não deixa de ser um tanto estranho. Da mesma forma, os especialistas criticam a ausência nos quadros oficiais divulgados ano a ano de um crime dos mais violentos e temíveis, que ganha espaço inclusive em nossa cidade: o sequestro-relâmpago. Em que item do balanço esse crime se enquadra? Como teremos uma amostragem confiável dos sequestros-relâmpago em nossa cidade? Os números apresentados seriam confiáveis, uma vez que muitas vítimas preferem não dar queixas? Há projetos específicos para conter esse mal?

No entanto, sabemos em nosso dia a dia de reportagens pela Tribuna e pelo Araraquara.com, que houve um aumento de fato em assaltos à residências com reféns, o que coloca em pânico as famílias e provoca uma busca frenética por recursos de segurança privada em diversos bairros da cidade. Da mesma forma, não temos uma ideia real dos crimes cometidos em função do envolvimento com drogas, seja por traficantes, seja por viciados que adotam atitudes violentas. São facetas da criminalidade que nos afligem e nos apavoram da mesma forma que os roubos, as invasões de nossas casas, os assaltos à mão armada.

As autoridades de segurança têm toda razão em comemorar o avanço nas estatísticas. Tanto a Polícia Militar quanto a Delegacia Seccional fazem o que tem que fazer, de acordo com suas manifestações à Tribuna – ações preventivas, trabalho de inteligência, desmonte de pequenos grupos de marginais e também de quadrilhas mais especializadas. É motivo de comemoração, nesse sentido, o fato de o município ter derrubado alguns índices clássicos, a ponto de estabelecer um quadro que pode ser visto como o melhor da última década. Também merecem aplausos as operações mais discretas, menos visíveis para a população, que certamente evitaram muitos delitos comuns, em especial pequenos furtos e roubos de automóveis.

Mas esse esforço, muitas vezes desconhecido da população, precisa ser conhecido. E, nesse sentido, as operações coordenadas entre as polícias, a prevenção ostensiva, a rigidez na solução dos crimes e as propostas de melhoria no policiamento – com avanços tecnológicos e apoio do Poder Público – precisam ser intensificadas e não devem valorizar em excesso as estatísticas, sejam boas ou ruins. O poder de convencimento dos números só será efetivo quando a população se sentir protegida de fato. É assim que funciona.

Fonte: http://www.araraquara.com

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1 comentário

  1. ANDREIA FARGNOLI · fevereiro 4, 2011

    Pude constatar a liderança e a capacidade da Polícia Militar de Minas Gerais em grandiosos eventos, em que tive a honra de participar como convidada. Inúmeros stands e oficinas organizados em instalações muito bem cuidadas; apresentação da Orquestra , formada de um modo inusitado, já que reúne músicos de bandas de várias unidades militares, a qual apresenta-se de forma esplendorosa, sendo entusiasticamente aplaudida, não só pela escolha do repertório de músicas populares de grande sucesso, como pela elevada performance dos músicos que a compunham.

    Creio que a história de cada um de nós é determinada por diversos fatores, dentre eles, a amplitude dos nossos pensamentos. Neste sentido, o profeta Davi disse “Cada qual é conforme pensa com fervor”, assim como Chico Xavier escreveu “Teus pensamentos e vontades são a chave de teus atos e atitudes” e Shakespeare observou que “Nada existe de bom ou de mau, senão os pensamentos que fazem as coisas assim parecerem”. Seja na vida pessoal ou profissional, não vejo como fugir a esta regra.

    Não tenho dúvidas de que a seleção de policiais, hoje, é realizada dentro de elevados padrões e o treinamento conduzido com muita seriedade por instrutores capacitados. No entanto, qual seria o motivo para lamentáveis casos de corrupção policial, de desvios de conduta e de truculência no trato com o cidadão?

    O que tenho verificado no acompanhamento diário do cotidiano é que nossa sociedade vive uma crise de valores generalizada. O que é certo ou errado tornou-se muito relativo e se modifica de acordo com os interesses em jogo. A injustiça social e a impunidade escandalizam. No seio da família, muitas vezes os pais têm dificuldades para incutir valores positivos em seus filhos. Alguns tentam repassar a responsabilidade à escola, entretanto, esta não consegue, sozinha, dar conta do recado.

    Sou otimista e acredito que nem tudo está perdido, apesar de o problema ser bastante complexo e de exigir vontade política e investimentos. No que concerne ao meio social como um todo, creio que medidas amplas necessitam ser adotadas em prol da solidariedade, da cidadania e da redução das desigualdades sociais. A corrupção e a impunidade devem ser rigorosamente combatidas para que a sociedade retome valores importantes para permitir que convivamos todos de uma forma melhor, desde o berço até o fim da vida.

    Por sua vez, na esfera policial e a curto prazo, acredito que a forma um tanto ou quanto ortodoxa de treinar policiais para lidar com o seu capital humano poderia evoluir para além da preparação técnica de rotina, encaixada dentro de um formato pré-estabelecido, formal. Penso que este treinamento pode e deve ser enriquecido com um repertório de palestras interativas que marquem positivamente e de forma efetiva as mentes destes servidores públicos, os quais lidam com os mais diferenciados perfis, numa infinidade de combinações de padrões educacionais, éticos e morais. Seria uma oportunidade de ampliar horizontes.

    No caso da Polícia Militar, os seus profissionais devem possuir um sólido embasamento de princípios e valores que a própria sociedade espera dos mesmos (e, como é o óbvio, serem valorizados através de salários mais dignos). Este programa de palestras se tornaria em vetor de conscientização e não poderia ser realizado apenas como cumprimento de uma missão rotineira, de uma carga horária pré-estabelecida em um quadro de trabalho convencional. Haveria de ser realizada com alma, buscando tocar a mente e o coração daqueles que têm por missão a proteção de seres humanos e que, em determinadas ocasiões enfrentam ou são envolvidos em adversidades que podem provocar traumas emocionais, desespero e desesperança.

    O policial militar, como agente da polícia preventiva, atua ostensivamente e se destaca nos ambientes onde patrulha com o objetivo de garantir tranquilidade, sossego e bem-estar para todos. Para isso, ele deve ter uma conduta diferenciada, não apenas respeitando os direitos humanos, mas sendo, ele próprio, agente de promoção dos direitos humanos. Assim sendo, o policial precisa ser preparado, valorizado e estimulado.

    A polícia, como instituição indispensável para servir e proteger a cidadania, haverá de estar nas ruas para assegurar a todos o respeito a seus direitos e liberdades. E deve ir ainda mais além, a altura mesmo de sua relevante missão – deve ser ela própria, protagonista de direitos e de cidadania.

    E aqui vale uma menção importante que inspirou esta últimas palavras:
    A vida em sociedade nos mostra que as coisas mudam o tempo todo e, não necessariamente para o bem, e isto deve nos conclamar à coragem de deixarmos nossas rotinas convencionais e partirmos para ações que venham a apontar para o novo, que nos permitam abrir portas que levem a ambientes mais generosos, acolhedores e positivos

    Meus mais efusivos parabéns aos Policias Militares e seus comandantes.

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