Processo de evolução da microengenharia: eletrônica e informação

Sem menosprezar invenções importantes havidas antes da década de 1940 (o telefone por Bell em 1876, o rádio por Marconi, em 1898 e a válvula a vácuo por De Forest, em 1906), foi no contexto da Segunda Grande Gerra e nos anos que se seguiram, que ocorreram as descobertas mais significativas na área da eletrônica.
Naquele período foi inventado o primeiro computador e o transistor, que se constituiram no cerne da revolução da tecnologia da informação no século XX.
A difusão destas tecnologias, porém, só se deu efetivamente na década de 1970, o que permitiu a convergência para um novo paradigma e um desenvolvimento mais acentuado neste setor.
A história das tecnologias baseadas na eletrônica se baseiam em três campos básicos: a microeletrônica, os computadores e as telecomunicações.
Em 1947, com a invenção do transistor, passou a ser possível o processamento de impulsos elétricos em velocidade rápida, e em modo binário de interrupção e de amplificação, o que possibilitou a codificação da lógica e da comunicação com e entre as máquinas (CASTELLS1, 2006: p. 76).
Esses dispositivos são chamados de semicondutores, mas conhecemos também como “chips”, que hoje são equipamentos constituídos de milhões de transistores.
O processo de difusão dos transistores se consolidou em 1951.
Em 1957, um das etapas mais importantes para a microeletrônica foi dada com a invenção do circuito integrado (CI), por Jack Kilby: essa iniciativa acionou um processo de grande avanço tecnológico, resultando no decréscimo do preço dos transistores em mais de 85% num prazo de três anos, produzindo ainda aumento de sua produção em mais de vinte anos em igual período. Metade do que era produzido na época tinha destinação para uso militar.
Mas em 1971, com a invenção do microprocessador (computador com um único chip), pelo engenheiro da Intel Ted Hoff, foi que a microeletrônica teve o seu mais gigantesco avanço. A partir do microprocessador a capacidade de processar informações poderia acontecer em todos os lugares.
Buscou-se, a partir de então, ampliar a capacidade de integração dos circuítos contidos em apenas um chip.
O nível de capacidade de integração, de memória e velocidade dos microprocessadores foi evoluindo ao longo da história de forma substancial, de modo que os equipamentos de que dispomos hoje são infinitamente superiores aos que existiam quando foram construídos os primeiros.
Foi também no contexto da Segunda Guerra Mundial que se criaram os computadores: ferramentas foram desenvolvidas para decifrar códigos dos inimigos na Guerra, para auxiliar cálculos de aeronaves, porém considera-se como marco inicial de invenção do computador o ano de 1946, na Filadélfia: Mauchly e Eckert, desenvolveram, com o patrocínio do Exército Americano, na Universidade da Pensilvânia, o primeiro computador de uso geral, que foi chamado de ENIAC.
O ENIAC pesava 30 toneladas, foi construído em estrutura metálica com 2,75 m de altura, possuía 70 mil resistores e 18 mil válvulas a vácuo. Ocupava a área de um ginásio poliesportivo. Ao ser colocado em operação seu consumo de energia foi tão excessivo que as luzes da cidade piscaram.
A primeira versão comercial do computador, chamada de UNIVAC1, se desenvolveu em 1951 e teve grande sucesso no processamento dos dados do Censo americano, realizado um ano antes.
A evolução no nível dos computadores foi se dando ao longo do tempo, até que chegássemos aos sofisticados equipamentos de informática que hoje temos disponíveis para uso.
A microeletrônica provocou a chamada “revolução dentro da revolução”: com o advento da criação do microprocessador em 1971 e a consequente possibilidade de incluir um computador em um chip, o mundo ficou de “pernas para o ar”.
Em 1975, o engenheiro Ed Roberts criou uma verdadeira “caixa de computação”, que recebeu o nome de Altair: era um objeto primitivo, mas sua construção seguiu a linha de um computador de pequena escala com um microprocessador e se constituiu na base para o design do Apple I e do Apple II, este último o primeiro microprocessador de sucesso comercial.
Da mesma forma e movimentado por intensa briga entre as indústrias fabricantes, os computadores evoluiram ao longo dos tempos, até chegarem ao nível do que temos disponíveis para uso hoje.
Sem nenhuma dúvida, um marco importante para a difusão dos microcomputadores foi o desenvolvimento de um software adaptado ás suas operações . Esse software surgiu em meados de 1970, pela ação de dois jovens que se empolgaram com a criação do Altair: Bill Gates e Paul Allen, que fundaram a conhecida de todos, Microsoft.
O avanço dos sistemas nesta área, permitiu que o custo médio do processamento de uma informação que antes (1960) era de, na média, 75 dólares para cada milhão de operações para menos de um centésimo de dólar em 1990.
Ressalte-se que este desenvolvimento de redes é resultante do avanço tanto das telecomunicações quanto das tecnologias de integração de computadores em rede, o que se deu em 1970 e nos anos seguintes.
As telecomunicações, segundo CASTELLS (2006: p.81) também se revolucionaram por conta da combinação de tecnologias de nós e das novas conexões. Em 1969 foi produzido industrialmente o primeiro comutador eletrônico. Em 1970 foi criado o primeiro equipamento digital (comutador), resultante dos avanços experimentados em relação aos circuítos integrados.
A transmissão por fibras óticas e laser (optoeletrônica) e a tecnologia de transmissão por pacotes digitais aumentaram substancialmente a quantidade de linhas de transmissão e provocaram expressiva mudança no seu perfil: enquanto em 1956 os primeiros cabos telefônicos transportavam 50 circuítos de voz compactada, em 1995, os cabos de fibra ótica transportavam 85 mil desses circuítos.
Afirma CASTELLS (2006: p. 81) que “essa capacidade de transmissão com base em optoeletrônica, combinada com arquiteturas avançadas de comutação e roteamento, como ATM (modo de transmissão assíncrono) e TCP/IP (protocolo de controle de transmissão/protocolo de interconexão), é a base da Internet”.
Conclui o mesmo autor que “ cada grande avanço em um campo tecnológico específico amplia os efeitos das tecnologias da informação conexa . A convergência de toas essas tecnologias eletrônicas no campo da comunicação interativa levou à criação da Internet, talvez sejo mais revolucionário meio tecnológico da Era da Informação.

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4 comentários

  1. Mauro · fevereiro 5, 2011

    Muito legal o texto.
    Para mim, a mudança de paradigma ocorreu com o desenvolvimento do transistor semicondutor. O que veio e tem vindo depois foram/são desenvolvimentos incrementais, sem desmerecer, é claro. Isso nessa área de tecnologia.
    Depois, acho que a internet foi o novo paradigma, mas que não se limita ao campo da tecnologia eletronica. Envolve além do hardware, o software e o que vemos mais recentemente, as interfaces e os aspectos comportamentais do ser humano.
    Um abraço

  2. capitaofigueiredo · fevereiro 5, 2011

    Mauro,

    Muito obrigado por seu comentário!
    Fico feliz que tenha gostado do texto: ele fará parte de minha Tese de Doutorado que estou preparando para o Curso Superior de Polícia. Meu tema é redes sociais e sua interface com a Polícia Militar.
    Esse texto se insere na revisão de literatura.
    Um fraternal abraço.
    Humberto

    • Mauro · fevereiro 5, 2011

      Oi Humberto,
      Só uma pequena observação: logo após o parágrafo ” O avanço dos sistemas nesta área…..” vc já fala de redes…
      Achei que ficou meio quebrado, pois vc ainda não tinha falado sobre isso…
      Bom, mas isso foi só a minha impressão qdo li.
      um abraço

      • capitaofigueiredo · fevereiro 5, 2011

        Muito obrigado Mauro!
        Vou reavaliar o texto por ocasião da inclusão na tese.
        Valeu mesmo!
        Humberto

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