LAÇOS ETERNOS

Olha aí, sangue bom,
Tá chegando os home
Aqui todo mundo é suspeito
Com ou sem sobrenome
Não existe respeito
Se correr o bicho pega
Se ficar o bicho come

Entre a senzala e a casa-grande
Tinha o capitão do mato
O tempo passou, mas nada mudou
Na real, só o nome do caçador
O nosso antigo perseguidor
É agora o policial

Depois do dever cumprido
O caçador se disfarça
De opressor volta a ser oprimido
E com medo de ser surpreendido
Tem que morar ao lado da caça

A Lei Áurea foi assinada
Mas a liberdade não chegou
Sem emprego e passando fome
O escravo mudou de nome
A senzala virou favela
Tendo o negro por clientela
Enfim, nada, nada mudou

Aqui todo mundo é suspeito
Com ou sem sobrenome
Não existe respeito
Se correr o bicho pega
Se ficar o bicho come

A sociedade é um grande rio
Que nas margens tem tudo igual
De um lado os excluídos
E do outro o policial

A arrecadação desse filme
Sempre foi dos grandes senhores
Enquanto nós, às margens do rio,
Somos os descartáveis atores

Mas quem é quem afinal
Nessa guerra irracional
É violência sem freio
Entre frutos do mesmo meio
Tudo em nome do social

Aqui todo mundo é suspeito
Com ou sem sobrenome
Não existe respeito
Se correr o bicho pega
Se ficar o bicho come

É preciso separar
Muito bem o joio do trigo
Apesar da desigualdade
Nem tudo está perdido

Tem muito pobre decente
Que não é reconhecido
É um exemplo excelente
Que merece ser seguido
Pela criança carente
E também pelo bem nascido

Aqui todo mundo é suspeito
Com ou sem sobrenome
Não existe respeito
Se correr o bicho pega
Se ficar o bicho come

Sempre foi limitada
A liberdade de expressão
Pra não revelar a verdade
Aos quatro cantos da nação

Mas quem é quem afinal
Nessa guerra irracional
É violência sem freio
Entre frutos do mesmo meio
Tudo em nome do social

O capital dita as regras
Acima do bem do mal
O errado vira certo
Quando morre o marginal

Mas é bom ficar esperto
Com a hipocrisia social
Muito se fala e pouco se faz
Se quem tomba pela paz
É o trabalhador policial

Aqui todo mundo é suspeito
Com ou sem sobrenome
Não existe respeito
Se correr o bicho pega
Se ficar o bicho come

Não podemos continuar
Com essa situação
Passando pela vida
Sem aprender a lição

A mudança pretendida
Não passa pela razão
Elimina bala perdida
E planta amor no coração

Aqui todo mundo é suspeito
Com ou sem sobrenome
Não existe respeito
Se correr o bicho pega
Se ficar o bicho come

Pra não se repetir
Esse filme de horrores
Vamos resistir
E cultivar nossos valores

Transmitir nossa alegria
Ao som dos nosso tambores
Sonhando com o grande dia
De trocar as armas pelas flores

Aqui todo mundo é suspeito
Com ou sem sobrenome
Não existe respeito
Se correr o bicho pega
Se ficar o bicho come
Se correr o bicho pega
Se ficar o bicho come

Letra
Cloves Rodrigues da Costa
Igarapava/SP

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