Sobre o caso da Escrivã do 25º DP: um experimento clássico da Psicologia Social para tentar entender…

Um amigo e grande colaborador, assíduo freqüentador deste espaço (do qual, sempre repito, somos todos donos) mandou-me um texto muito interessante que vou reproduzir e que, como ele mesmo sugere, nos dá dicas para entender o episódio envolvendo a Escrivã do 25º DP, presa em flagrante por corrupção no ano de 2009 e, pelo que sei, expulsa das fileiras da Polícia Civil.
Leia com atenção a mensagem e deixe o seu comentário sobre o que ele nos ensina:

Vendo o caso da escrivã, me faz lembrar de um experimento clássico na
pscologia social.
Em 1961, um professor da Yale University, Stanley Milgram realizou um
experimento para testar a Obediencia à Autoridade.

A idéia deste experimento era verificar como as pessoas comuns poderiam
obedecer à figura da autoridade mesmo em conflito com as suas próprias
convicções.
A minha percepção nesse ponto é que isso deve ser algo muito comum no
ambiente militar, onde a hierarquia e disciplina são as bases da estrutura.

Então, neste teste eles anunciaram no jornal a procura de voluntarios
para o teste. Foi dito que era um teste de pscologia sobre memória e
aprendizado, iriam verificar a relação entre aprendizado e punição.
Assim, os participantes iriam ser “aluno” ou “professor”, escolhidos
por sorteio. O sorteio era forjado e os voluntários sermpre eram
“professor”. A cada erro do aluno, o professor aplicaria um pulso de
choque crescente de 15 até 450V.
Antes do teste ambos viram o gerador de choque e foi testado no
“professor” um choque para ele ver que era real. Foi explicado que o
choque doia de verdade mas não causava nenhum dano permanente. Na
verdade, o “aluno” não recebia nenhum choque, mas reagia gritando como
se recebesse. Eles ficavam em salas separadas e era possível ouvir
entre eles. O pesquisador ( que na verdade estava fazendo o papel de
“autoridade” ) conduzia o teste junto com o professor.
Quando o experimento começa, o aluno acha difícil e vai cometendo erros.
Os choques vão aumentando. Após 105V, o “professor” já pode ouvir os
gritos do “aluno”. Aos 120V ao aluno grita que está doendo. Aos 150V o
“aluno” grita que quer parar. Quando o “professor” fica em dúvida de
deve continuar, o pesquisador ( “autoridade”) diz diz que ele não pode
parar, que o experimento depende dele continuar. E os choques vão
aumentando até que o aluno silencia. O pesquisador diz que o silencio é
uma resposta incorreta. O professor ainda aplica o choque de 330V! O
experimento termina quando atinge a voltagem máxima.
Milgram observou que 65% dos participantes atingiram o máximo de 450V.
Eles eram pessoas normais. Em entrevista após o experimento Milgram
pediu que os participantes avaliassem como eles achavam que era o choque
e eles disseram que deveria ser extremamente doloroso. Então eles sabiam
que estavam inflingindo uma dor extrema a outra pessoa. A maioria dos
voluntários obedeceu ao pesquisador (autoridade), mesmo com algum sinal
de conflito interno. O experimento mostrou que pessoas normais, sob
determinadas circunsâncias, podem causar sofrimento e dor extrema a
outras pessoas. Milgram também observou uma tendência do “professor” de
desvalorizar o “aluno”, com observações do tipo, ele é um estúpido,
então merece o choque. Isso justificava internamente o comportamento do
professor para continuar na escalada do choque.

Voltando ao caso da escrivã. Isso não serve pra explicar ou entender um
monte de coisas?
Fico pensando em tudo que envolve disciplina, hierarquia e autoridade.
Quando há casos de violência, o que está por traz? Ou quem está por tras?
E nas escolas infantis então. Já soube de professore (autoridade)
mandar uma criança castigar a outra! Parece loucura mas foi real.
Bom, é de se pensar!

Fonte: http://www3.niu.edu/acad/psych/Millis/History/2003/stanley_milgram.htm

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2 comentários

  1. Ronaldo · fevereiro 24, 2011

    Observando as imagens de agressão explicita a escrivã em SP e da covardia perpetrada contra um deficiênte físico por um “delegado”, não menos descontrolado e covarde, como o troglodita da 25ªDP.
    A conclusão a que chego é que a Polícia do Estado de São Paulo está doente. Comandada por homens doentes, como os instrutores sádicos do texto acima. Se eles fazem isso com uma colega de trabalho, imagina o que não fazem com as pessoas que teem a infelicidade de adentrar aquela DP e muitas outras nesse Estado.De que forma não são obtidas as provas contra as pessoas que são acusadas de algum delito? Faço um desafio a OAB-SP! Revejam todos os inquéritos dessa DP e verão que outras arbitrariedades foram praticadas em nome da Lei e da impunidade. Punição imediata para esses bandidos que se dizem “Policiais”

    • capitaofigueiredo · fevereiro 24, 2011

      Muito obrigado por opinar aqui Ronaldo.
      Volte quando quiser…o espaço é seu!

      Humberto

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