Uma homenagem

Recebi a mensagem abaixo de um amigo, frequentador desse espaço.
Lindo o texto!
Merece ser reproduzido.
Espero que apreciem..

Perdemos nosso jardineiro…

Na minha rua tem um bosque.
Que se chama….
Tem um bosque bem bonito. Pequeno, um canto de quadra.
Uma pedaço do loteamento que não deu pra aproveitar. Ainda bem.
Mas é um bosque diferente. Deve ter mais de 30 anos pelo tamanho dos
flamboyans
Não é como essas praças que a prefeitura manda fazer, com arquiteto e
paisagista (nada contra).
Que a cada 4 anos remodelam com agapantos, fênix, palmeiras e exorias.
Botam aqueles caminhos cheios de seixos rolados e que não nos levam a
lugar algum. E aquela grama com cara de jardim americamo.
Aquela mesma cara de Caras, esterilizada e copiada até a próxima moda.
O nosso bosque é fruto do acaso.
Algumas foram plantadas, outras os passarinhos trouxeram, outras alguem
plantou.
E o nosso jardineiro cuidava de tudo.
Lá tem bambu, tem ipê, tem aroeira, tem heliconias, tem mangueira, tem
jacarandá-mimosso…
Tem até uma nascentezinha onde vivem uns guaruzinhos….
Podava, carpia, juntava os galhos secos, desenhava caminhos.
Estes sim, de terra, tortinhos, que nos levavam a uma viagem interior.
Descobri lá no meio, um pé de canela!
Mastigar aquela folha me transportava para minha infância.
Faz um tempo plantei um pé de abacate. Já está crescendo. Alias,
estranho, mas já plantei outros pés de abacate por ai…
Nem sei porque isso…
O nosso jardineito juntava o que não servia e deixava num canto.
De vez em quando, muito de vez em quando, um caminhão da prefeitura
levava embora.
Ele tinha mais de 80 anos.
Morava com a filha alí do lado. Atravessando a rua. Era do estrangeiro.
Imigrante japonês.
Todo dia pegava a enxada e ia cuidar do seu bosque. Seu porque, na
verdade, acho que era dele.
Era um jeito de preencher o tempo, fazer alguma coisa de bem.
Ele fazia aquilo porque gostava, não era contratado nem empregado por
dinheiro. Mas acho que ganhava muito mais que isso….
Outro dia assaltaram a casa deles. Com armas, ameaças e toda violência
desses marginais.
Por sorte não houve morte.
Assustados, eles se mudaram para um apartamento.
Ficou longe do bosque. Não dá para ele vir mais.
Acho que ele morreu um pouco.
E o nosso bosque também.

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