Filhos ado(bo)les(rres)centes!!

Meu!
Como é complicado criar filhos!???!!!
Agora eu tô começando a entender porque minha mãe, que hoje tem 65 anos de idade, ainda chama a mim e aos meus irmãos de “crianças”…porque realmente filho não deixa de ser criança nunca!!!
Como é complicado ensinar aos filhos o caminho certo, fazê-los compreender que seguir por trilhas diferentes pode gerar sofrimento a eles!
Não compreendem e fazem ao seu jeito, ainda que acabem “se ferrando”, sofrendo, tendo prejuízo…
Meus filhos são pessoas do bem, estou convicto disso.
Mas têm enorme dificuldade em assimiliar que aquilo que falamos a ele (eu e minha esposa) tem o propósito de orientá-lo no caminho mais seguro, mais sensato, mais coerente.
Ouvem mais os seus amigos, se prendem excessivamente a valores materiais e acham que isso é o certo e que somos “caretas”..
Sei que vai chegar o dia em que perceberão que estávamos certos, mas temo que, até lá, sofram em demasia.
Enfim, apenas um desabafo…
Bom sábado.
Humberto

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3 comentários

  1. ANDREIA FARGNOLI · fevereiro 26, 2011

    ENTREVISTA
    Marcel Rufo / É chefe da clínica do hospital Sainte-Marguerite, em Marselha. Tem um programa de rádio de sucesso na França, onde trabalha com psicologia infantil

    Os filhos não sabem entender os pais, eles não sabem que eles sair e ficar na rua até o amanhecer pode ser muito perigoso, eles não sabem que certas coisas podem prejudica-los, como amizades e outras coisas mais, alguns pais são muito rigorosos mesmos isso faz parte dessa função de ser pai.

    Para entender um filho (a) principalmente na adolescência pode ser um pouco complicado, alguns vivem em pé de guerra com os pais, mas isso depende da educação dos pais, eles devem conhecer mais os filhos, explorar mais eles, embora eles não gostem muito, tente fazer programas que eles poderiam fazer com um colega da rua, como por exemplo, ir ao um shopping todo adolescente gosta de ir ao um shopping, entre um pouco mais na era da internet com eles, nunca chegue do serviço mostrando nervosismo, estressado com alguma coisa, chegue sempre de bem com a vida, sempre feliz, isso deixa o filho mais feliz, e acaba se aproximando mais uns dos outros.

    ÉPOCA – Por que o senhor diz que os pais de hoje querem compreender os filhos, mais que educá-los?
    Marcel Rufo – Os pais de hoje fizeram progressos extraordinários em relação aos de antigamente. Os filhos nunca foram tão bem criados. Do ponto de vista físico, corporal, não há mais preocupações. O problema que resta aos pais é se os filhos vão ser felizes e inteligentes. Para isso, é preciso compreendê-los. Hoje, os pais, mais que educar, tentam entender seus filhos. E compreender é mais democrático que educar. Houve uma “democratização” da família, que virou uma espécie de sindicato em que todos podem falar e debater. É por isso que os filhos, que não são bobos, não nos abandonam mais. Eles têm mais dificuldade para partir que para ficar.

    ÉPOCA – Isso quer dizer que o progresso dos pais não é necessariamente bom?
    Rufo – Os pais progrediram, mas é preciso que aprendam a não ser tão bons assim. O psicanalista inglês Donald W. Winnicott (1896-1971) criou um conceito muito interessante, o de “good enough mothers”, “mães boas o suficiente”. Esse termo mostra bem o que é preciso fazer. Ser um pai mediano, e não excelente, ajuda as crianças. No fundo, os filhos nos amam por nossos defeitos, mais que por nossas qualidades.

    ÉPOCA – Como evitar a superproteção?
    Rufo – Separar-se de uma criança é respeitar seu gosto pela aventura e pela descoberta. É preciso, de vez em quando, deixar segredos para que os filhos façam suas próprias descobertas, o que não ocorre quando os pais estão sempre presentes. Cabe às crianças, sozinhas, “redescobrir” as coisas que nós mesmos descobrimos quando tínhamos a idade delas.

    ÉPOCA – Hoje é comum que crianças façam terapia. Com que idade elas podem fazer análise? E com que idade se pode prescrever medicamentos para tratar problemas psicológicos?
    Rufo – Muito cedo. Pode-se fazer análise com 6 ou 7 anos. O mais comum é que se comece com 13 ou 14. Quanto a medicamentos, não gosto muito deles. Prefiro formular hipóteses sobre o futuro da criança e cometer equívocos na análise a receitar remédios. O psiquiatra deve prescrever a si mesmo, como se fosse um medicamento. Meu melhor remédio é a palavra.

    ÉPOCA – O que o senhor pensa das famílias em que, por conta das separações, os filhos têm dois pais e duas mães?
    Rufo – Não é tão ruim assim. A partir do momento em que os pais se separam, é melhor ter um padrasto e uma madrasta que ter o pai ou a mãe isolados. Quando os cônjuges que se separaram se recompõem em um casal, isso ajuda a restabelecer a afeição.

    ÉPOCA – Qual é sua opinião sobre a guarda compartilhada, em que pai e mãe dividem por igual o tempo com os filhos?
    Rufo – Não gosto. Crianças precisam de um único lar, mais que de pais que se revezem. Na guarda compartilhada, a criança não veste o luto da família perdida: ela sempre vai acreditar que tudo pode recomeçar. Creio que ela só funcione em casos excepcionais, de famílias muito inteligentes, com excelentes condições financeiras e em que pai e mãe não vivam muito longe um do outro.

    Quando uma criança de 2 anos mente, isso quer dizer que ela pensa. Fico maravilhado quando mentem para mim
    ÉPOCA – Que sistema o senhor considera ideal, então?
    Rufo – Um sistema melhor seria outro tipo de alternância. Por exemplo, de 0 a 3 anos, o filho fica com a mãe; de 3 a 6, com o pai; de 6 a 12, com a mãe; e assim por diante. Essas idades correspondem às fases da escola: maternal, ensino fundamental, ensino médio… É bom que o pai reivindique seu direito sobre os filhos, mas quando eles são pequenos nada substitui a mãe.

    ÉPOCA – Como o abandono e a posterior adoção afetam o futuro da criança?
    Rufo – Como psiquiatra, vejo muitos casos difíceis de filhos adotivos. Toda criança adotada sonha com a família biológica. Vou dizer uma coisa que pode parecer surpreendente: é mais difícil ser filho adotivo em um meio socialmente elevado que em famílias modestas. O motivo é que, numa família rica, a criança tende a ser fiel a sua origem biológica “misteriosa”, e não quer ser como a família que a acolheu.

    ÉPOCA – Qual seria a melhor forma de tratar os bebês candidatos a adoção?
    Rufo – Meu modelo teórico é um que foi adotado por uma instituição para menores abandonados de Budapeste, na Hungria. Lá, uma cuidadora fica 18 meses, às vezes dois anos, sempre com o mesmo bebê. A mãe pode não estar por perto, mas esse sistema funciona como uma espécie de “suplementação maternal”. E isso ajuda muito o bebê.

    ÉPOCA – Muitos menores abandonados acabam na delinqüência juvenil. O senhor acha que uma criança que sofreu com o abandono é recuperável?
    Rufo – A diferença entre o tratamento psiquiátrico de um adulto e o de uma criança é que, com as crianças, tudo ainda é possível, nada é definitivo. Um menor abandonado pode encontrar uma boa família adotiva; pode ter um professor notável; pode ter grandes amigos; pode viver uma bela história de amor. Nessas condições, a criança adotada pode se sair bem na vida.

    ÉPOCA – Por que o senhor diz que as crianças precisam mentir?
    Rufo – Quando uma criança de 2 ou 3 anos mente, isso quer dizer que ela pensa. Sou fã da mentira. Adoro crianças que mentem. Quando um menino me diz: “Já fui a três psiquiatras, e não adiantou nada”, e descubro que não é verdade, fico maravilhado. E digo isso aos pais. É um desafio que a criança impõe, uma bela forma de resistência. Às vezes, a mentira é uma forma de enfrentar uma realidade que é difícil.

    ÉPOCA – Por que os pais, em sua opinião, interferem excessivamente na vida sexual dos filhos?
    Rufo – Porque são idiotas (risos). Assim como nós só adquirimos nossa própria sexualidade porque ignoramos a de nossos pais, é preciso que os pais “ignorem” a dos filhos.

    ÉPOCA – Quais os casos mais difíceis que o senhor enfrentou como psiquiatra?
    Rufo – Os de filhos desprezados pelos pais. Aqueles que os pais não acham inteligentes e dizem “você é muito burro para entender o que eu digo”. A sevícia psicológica é quase tão ruim quanto a sexual. O abuso psicológico é terrível porque você não é reconhecido aos olhos daquele com quem deseja se parecer. Costumo dizer que os pais têm de ser “torcedores” do filho, assim como se torce pelo Boca Juniors
    Revista Época

  2. Mauro · fevereiro 27, 2011

    Há três métodos para ganhar sabedoria:
    Primeiro, por reflexão, que é o mais nobre
    Segundo, por imitação, que é o mais fácil e
    Terceiro, por experiência, que é o mais amargo.
    (Confucio)

    Engraçado como a gente (me incluo) esquece rápido..
    Ainda ontem tinhamos 15, 20 anos.
    De repente….puf…já era…
    Olhamos para nossos filhos e não reconhecemos nosso passado.
    E esquecemos como a gente sempre escolhia o jeito amargo de aprender….

    (Por isso que eu gosto do Belchior)

    • capitaofigueiredo · fevereiro 27, 2011

      Acrescentaria que, como dizem os antigos, podemos aprender na vida por dois tipos de remédios..o doce e o amargo: o doce é pelo exemplo alheio – vendo o que acontece com o semelhante a gente pode tirar lições e mudar, adaptar, fazer diferente,…Mas também aprendemos com o remédio amargo, que nada mais são do que os próprios tombos: sofrendo na pele e sentindo a dor dos fracassos…os filhos parecem optar pelo segundo tipo…
      Um abraço
      Humberto

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