Falando sobre trânsito…

A contribuição é do amigo e leitor assíduo do Blog, Mauro Udo.
Bom texto…bem no nível do que se espera deste espaço: reflexão!!!

Acho muito perigoso o trânsito aqui em São Carlos, que possui uma das maiores frotas de automóveis per capita do estado (1,9 habitante por veículo).

Mas o que me chama a atenção, além das políticas públicas (esse assunto fica pra outra hora), é o comportamento dos motoristas.
Aqui ainda sou quase um forasteiro, pois morei em São Paulo nos últimos anos. Estou me acostumando.
Não sei como é na sua cidade, mas aqui parece que a falta de educação impera, em contraste com o trânsito de São Paulo, que acho ser mais cordial e colaborativo.

Por exemplo, coisas que acho todo mundo já passou por aqui:

Você dá seta para mudar de faixa – o motorista que vem atrás acelera e não deixa você entrar.

Você está tentando entrar na via – ninguém dá uma brecha, e quando te veem aceleram.

Se alguém diminui a velocidade pra vc entrar toma logo uma buzinada do que vem atrás.

O sinal acaba de abrir – se você não for como o Senna, já sabe, ganha uma buzinada.

Você está manobrando para estacionar – logo forma uma fila (claro, tem outro jeito?) e sempre alguém buzina. (e se for mulher estacionando então…..rsrsrsr brincadeira…)

Outro dia dei sinal e mudei de faixa, o outro carro estava uns 15 metros atrás. Não deu outra, o cara buzinou, deu luz alta e ainda veio me fazer cara feia. Isso em plena manhã. Acho que a rua era dele!

Tem aqueles que para fazer a conversão usam toda a rua e invadem a sua faixa. Parece que estão dirigindo um caminhão trucado.

No estacionamento do shopping então, uma verdadeira guerra. Outro dia ainda ouvi de alguém que estacionou onde eu já estava esperando: o mundo é dos espertos (putz…o sangue subiu…)

Isso sem falar nos que estacionam em fila dupla na frente da escola, dos tartarugas ao celular, dos que param pra bater papo no meio da rua, e por ai vai…

E aqueles que acham que a janela do carro é a lixeira do mundo?

Claro, não sou nenhum santo, mas procuro fazer o correto.

Já parei de xingar, coisa que fazia em São Paulo. Mas lá acho que era meio inócuo, pois ninguém ouvia mas me descarregava.

E já vi que aqui é sempre arriscado, pois uma vez quase xinguei um cara que me deu uma fechada! Era meu professor! Já pensou o carão que ia ser?

Sem contar que no trânsito a gente se transforma. Vejam os crimes por briga de trânsito. O que sobra são famílias destruídas. (já imaginou com vai ser a vida do filho do atropelador de Porto Alegre?)

E quando a gente dá uma barbeirada. Como pedir desculpa? Precisamos criar um gesto que transmita isso!

Porque pra xingar, sabemos vários…..( aquele do dedo médio veio à sua cabeça?)

Então agora vou na boa.

Respiro fundo e não levo desaforo pra casa.

Deixo na próxima esquina.

Como é o trânsito na sua cidade? Complete a listinha.

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4 comentários

  1. ANDREIA FARGNOLI · março 2, 2011

    É preciso tomar cuidado para não se contaminar com a falta de educação no trânsito. O fenômeno do consumismo leva as pessoas à competitividade e algumas delas revelam isso no trânsito. Além disso tem também o lixo que voa janela afora, as coladas na traseira, o uso indevido da seta e o congestionamento que gera muita irritação. Neste caso as pessoas agem de modo muito fora do comum. Será que nos revelamos no trânsito?

    Realmente temos que ter cuidado para não ter as mesmas atitudes mal educadas que alguns têm ao volante. A correria do dia a dia e o tempo cada vez mais escasso nos fazem correr cada vez mais rápido, a ponto de esquecer os perigos do trânsito. Quem de nós nunca se irritou com alguém que não nos deu passagem?, e nós? Será que damos facilmente a preferência? Dar a passagem não nos fará perder o dia, se a pessoa já estiver atrasada isso será irrelevante, as pessoas precisam se programar e sair com antecedência para seus compromissos.

    Alguns ostentam seus velozes e furiosos (turbinados também) em alta velocidade como um indicativo de poder, é como se o carro revelasse seu potencial aquisitivo, pois quanto mais caro o veículo maiores são os encargos como seguro e IPVA, talvez por isso se sentem os donos da rua.

    O que pensar de alguém que joga lixo pela janela do carro? Independente de estar em um simples 1.0 ou em um moderno importado, a educação se revela na atitude.

    Há quem diga que a seta deveria ser opcional de fábrica, pois seu uso indevido (ou falta dele) é a causa de grande irritação entre os motoristas.

    No congestionamento as pessoas têm seu direito de ir e vir prejudicado sente-se amarradas, lesadas, isso culmina com a irritação do dia a dia, e na primeira situação que sai do controle elas explodem suas emoções, e isso pode vir em forma de grosseria com o primeiro carro à sua frente.

    Dizem que o carro é uma extensão da casa, pois pelo tempo que se perde no trânsito as pessoas sentem-se à vontade para agir como se estivessem no conforto do lar. Mais a rua é um local de convívio comum, de forma que o indivíduo não pode querer usar este local como se fosse a própria residência, existem regras de convivência para o bem estar de todos.

    Se a falta de educação leva ao subdesenvolvimento e mata a longo prazo, a falta de educação no trânsito é a prova viva desse desenvolvimento que mata de imediato. A educação é a principal ferramenta para chegarmos à solução para os problemas da extrema violência do trânsito brasileiro. Apesar de toda a moderna tecnologia empregada no controle das infrações e da possibilidade da presença inesperada de um agente de fiscalização com o seu arsenal de advertências e punições (guardas, pardais, semáforos, radares barreiras eletrônicas e multas), só um motorista consciente e responsável irá, independente de qualquer ameaça, apresentar um comportamento civilizado no trânsito.

    Uma boa engenharia de trânsito é muito importante. Sinalização adequada e pistas seguras também. No entanto, não há nada que impeça acidentes quando o motorista transgride as leis e sai conduzindo seu veículo de forma alucinada, utilizando as vias públicas como pista de teste e desrespeitando as mais elementares normas de segurança e respeito ao próximo. Além desse comportamento condenável e até criminoso, falta ainda ao motorista brasileiro a prática cotidiana da cooperação e da gentileza que, no trânsito, resolveriam questões de relacionamento que a melhor engenharia teria dificuldade em resolver.

    A nossa educação está carente de princípios e valores morais e éticos bem definidos. É na primeira infância que a criança forma os conceitos do bem e do mal, do certo e do errado. Quando os pais não deixam essas questões claras para os filhos, a formação desses conceitos fica prejudicada. Na estrada com a família, por exemplo, quando ultrapassamos outro veículo numa curva sob faixa contínua ou dirigimos em velocidade sempre superior à permitida estaremos passando de uma maneira muito forte e clara para nossos filhos que estão ainda em processo de formação de caráter, que mentir e enganar são valores que praticamos sem constrangimento.

    Nós definimos nossos valores mais pelos nossos atos e exemplos do que pelas nossas palavras e sugestões. Esses comportamentos inadequados, aprendidos na infância, vão tomando dimensões maiores na adolescência, vão se enriquecendo com a força do grupo e terminam nesse “show de agressões” a que hoje assistimos estarrecidos em nossa sociedade.

    Não existe falta de educação no trânsito. O que existe é falta de educação mesmo. O trânsito assim reflete o desrespeito ao próximo, a competitividade exacerbada e inconseqüente e sobretudo a prática costumeira de sempre levar vantagem.

    Podemos comparar o trânsito a arena onde os romanos antigos se divertiam de forma sádica. Ao vestimos nossa armadura – o carro – nós nos tornamos poderosos, imbatíveis quase imortais. Um outro condutor e até mesmo o indefeso pedestre, são os nossos adversários que devemos abater violentamente e sem piedade. É este o comportamento geral que, inconscientemente, envolve o motorista imprudente e agressivo quando.

    E de quem é, afinal, a responsabilidade pela educação para o trânsito? Das autoridades, dos Centros de Formação de Condutores e dos Agentes de Trânsito?

    No nosso entender é de toda a sociedade que deve estar comprometida com a cidadania e a qualidade de vida em busca de um trânsito civilizado e sem violência.

    Aqui em Belo Horizonte, sofremos com os congestionamentos diários. E, dependendo da rua ou avenida, a retenção não se limita mais ao horário de pico. Tanto a prefeitura quanto o governo de Minas Gerais vêm desembolsando pesados investimentos para reverter a situação, com o alargamento de corredores e a construção de viadutos, mas a tarefa do poder público não é nada fácil. Uma combinação de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), da Agência Nacional de Transportes Públicos (ANTP) e do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) mostra o tamanho do problema: cada quilômetro quadrado da cidade é ocupado, em média, por cerca de 4,6 mil veículos.

    Mais do que isso: a frota municipal cresceu num ritmo tão acelerado que, hoje, há um carro, moto, ônibus ou caminhão para cada 1,7 habitante. A média de 4,6 mil veículos por quilômetro quadrado é resultado da divisão da frota de outubro – 1.291.208 veículos, segundo o Denatran – pela chamada área urbana da cidade –, calculada em 280,54 quilômetros quadrados, de acordo com a ANTP. Já a relação de um veículo para cada 1,7 morador é a divisão da frota – novamente 1.291.208 unidades – pela população do município, 2.258.096 pessoas, conforme o Censo 2010, divulgado pelo IBGE quinta-feira.

    A explosão da frota na capital criou um problema sério em vários corredores importantes: a baixa velocidade média do fluxo nos horários de pico. A velocidade média na Avenida do Contorno é de 30 km/h no sentido bairro e de 33 km/h na direção Centro. Na Afonso Pena, de 32 km/h e 37km/h, respectivamente. Segundo um estudo da BHTrans, a empresa que gerencia o trânsito de Belo Horizonte, os horários considerados de pico oscilam de região para região, mas, em geral, vão das 6h40 às 9h20, das 11h às 12h50 e das 17h30 às 20h.

    Para se ter uma ideia de como os números atuais retratam bem o tamanho dos congestionamentos do trânsito de Belo Horizonte, em 2000, quando a frota somava pouco mais de 655 mil motores, cada quilômetro quadrado da cidade era ocupado por “apenas” 2,3 mil veículos. Naquele ano, a relação era de um veículo para cada 3,4 habitantes – o censo 2000 apurou que o município tinha 2.238.526 de pessoas. Ou seja, em uma década, enquanto o total de moradores cresceu “míseros” 19.570 pessoas, a frota explodiu em quase 636 mil carros, motos, ônibus e caminhões.

    A relação veículos por quilômetro quadrado na cidade é maior do que a de quatro das cinco capitais com população superior à de BH. No Rio de Janeiro, por exemplo, a média é de 3 mil carros, motos, ônibus e caminhões. Em Brasília (DF), 4.543. Em Fortaleza (CE), 3.026. Em Salvador (BA), 2.344. Apenas São Paulo (7.296 veículos por quilômetro quadrado), entre as cinco capitais com população acima da de BH, supera a média do município mineiro.

    Várias causas justificam o aumento alarmante da frota em BH, como a melhora significativa da economia doméstica, que possibilitou às classes C e D adquirirem o sonhado carro. Algumas concessionárias negociam automóveis em até 80 prestações fixas. O fortalecimento da economia no Brasil também estimulou muita gente a comprar veículos em razão de o automóvel, principalmente, ser sinônimo de status. O universitário Thiago Mafra Lara, de 22 anos, só conseguiu seu primeiro veículo, um Palio ano 2009/2010, em razão do pagamento facilitado.

    Fico meia hora só para sair do meu bairro, mas é melhor do que ir de ônibus, pois o tempo de viagem do transporte coletivo, na capital, é maior que o do carro. Sem falar no conforto”.

    O anel rodoviário hoje é uma avenida que atende porcamente seu papel de ligar bairros extremos e cidades próximas, só que com um tráfego de rodovia que ela é incapaz de suportar. Em vez de duplicar avenidas e as tornar vias expressas, deveria ser investido em um grande anel rodoviário, com um tráfego externo ao município de Belo Horizonte, que o contornasse de fato, ligando as rodovias de acesso. O anel de hoje faz apenas um arco dentro da cidade, sem funcionar para leste da capital. Um grande anel rodoviário, contornando Belo Horizonte, interligando os acessos e sem conflito com a área urbana é uma obra muito mais estratégica e que não é discutida

    • capitaofigueiredo · março 2, 2011

      Belo texto Andréia.
      Vou republicar como artigo no corpo principal do Blog, dando créditos a você.
      Obrigado.
      Humberto

  2. Mauro · março 2, 2011

    Me ocorreu de escrever sobre o trânsito por causa daquele atropelamento dos ciclistas de Porto Alegre. Quando vi as imagens fiquei perplexo…o cara estava realmente transtornado…
    E a gente ve que isso é um problema nacional!
    Perfeita a sua consideração sobre o asssunto.
    Um abraço
    mauro

    • capitaofigueiredo · março 2, 2011

      Muito triste o que houve lá!
      Apesar do motorista tentar justificar que tinha sido ameaçado, fazer o que fez foi brutal demais!
      Abraço

      Humberto

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