BATE PAPO SOBRE MEIO AMBIENTE…

A princípio, as políticas climáticas são definidas prioritariamente pelo Estado e pelas organizações internacionais. A Cúpula de Copenhague, no entanto, apontou um terceiro ator fundamental nesse processo: as cidades. Em 2009, a capital dinamarquesa promoveu, pela primeira vez em uma cúpula climática, um encontro de prefeitos do diferentes continentes.
Os governantes precisaram demonstrar autoconfiança, uma vez que uma parte significativa dos problemas ligados ao clima depende deles: de toda a energia produzida no planeta, os centros urbanos utilizam cerca de 80%. Ao mesmo tempo, eles são responsáveis por 75% das emissões globais de gases do efeito estufa.
– Sendo assim, é preciso que as cidades assumam um papel de liderança na questão da proteção climática: elas não somente são os maiores responsáveis pelas mudanças climáticas, como também os que mais sofrem suas consequências –, indica Reinhold Achatz, diretor do departamento de pesquisa da Siemens, que analisa políticas climáticas urbanas.
Efetivamente, a soma de todos os perímetros urbanos do planeta constitui apenas 3% da superfície terrestre. Contudo, as cidades abrigam metade da população mundial e até 2030, segundo estimativas da ONU, essa marca deve aumentar para 60% – o que corresponde a aproximadamente cinco bilhões de pessoas.
O crescimento populacional acarreta uma série de problemas: desde o tráfego mais intenso nas cidades, passando pela demanda elevada de energia, até o consumo excessivo de água. Justamente por esse motivo, em 2006, 40 das principais metrópoles do mundo se aliaram e fundaram o chamado Grupo de Liderança Climática das Grandes Cidades (C40). Com a iniciativa, as cidades pretendem interagir, aprendendo umas com as outras, e elevar o seu peso nas negociações climáticas internacionais.
Copenhague, a capital das bicicletas
Os grandes centros urbanos já são ativos em muitos campos – principalmente no relativo à política de transporte. Nesse âmbito, Copenhague detém uma posição de liderança: a cidade dinamarquesa é considerada a Capital Mundial das Bicicletas, por promover fortemente o transporte ciclístico desde a década de 1960.
– Trinta e sete por cento dos nossos cidadãos que trabalham vão de bicicleta para o emprego. Queremos dotar toda a cidade de ciclovias. Apenas algumas ruas ainda não foram adaptadas –, conta Lasse Lindholm, porta-voz da administração do município.
Sinais de trânsito ecológicos, pontos de aluguel de bicicleta dispostos por quase toda a cidade e amplos estacionamentos para os adeptos do veículo de duas rodas – o conceito ciclístico de Copenhague possui muitos elementos.
E, também muitos imitadores: cidades como Barcelona e Paris, por exemplo, já estão construindo sistemas semelhantes de aluguel, em larga escala. O incentivo ao uso de bicicletas é previsto ainda pela política de transporte de Estocolmo, Amsterdã, Viena e Oslo, consideradas particularmente ecológicas dentre as cidades europeias.
Criatividade global
A Cidade do México está construindo seu primeiro sistema de aluguel de bicicletas – em conjunto ainda com zonas para pedestres, linhas modernas de ônibus expressos, novas faixas exclusivas para o transporte coletivo e uma linha de metrô. Um bilhão de dólares deverão ser investidos nisso.
O êxito de medidas como a ampliação de linhas de ônibus, por exemplo, pode ser observada na capital colombiana: em Bogotá, o tempo de viagem dos passageiros diminuiu mais de 30%, enquanto as emissões de CO2 diminuíram em cerca de 300 mil toneladas por ano.
Em Londres, desde a implementação de pedágios urbanos, as emissões carbônicas anuais caíram 16%. Os motoristas que quiserem dirigir no centro da cidade, agora, são obrigados a pagar uma taxa. O método resultou ainda num encolhimento de 20% no tráfego municipal. O dinheiro recolhido pelos pedágios rende à cidade quase 140 milhões de euros – que são investidos, entre outros, na ampliação do transporte de curta distância.
Já Estocolmo introduziu o pedágio em 2007. Ao mesmo tempo, a capital sueca equipou toda a sua frota de ônibus com motores híbridos, movidos a biogás ou etanol. Esse é um dos motivos que a levou a ser eleita, em 2010, a Capital Verde da União Europeia. Em 2011, esse título é ostentado por Hamburgo
Uma razão que garantiu o título à cidade alemã é que para a maioria dos habitantes de Hamburgo o ponto de ônibus ou trem mais próximo não fica além de 300 metros de distância de sua residência.
O conceito de transporte ecológico inclui ainda dois ônibus com tração híbrida a diesel, que já estão em circulação – outros oito devem complementar a frota. “Agora estamos expandindo o transporte ciclístico em grande escala”, revela Volker Duman, porta-voz do departamento municipal de meio ambiente.
Ele aponta ainda que o S-Bahn (modelo alemão de trem de curta distância) que circula na cidade é 100% abastecido com eletricidade ecológica (hidroenergia). Com as novas medidas, a cidade espera atingir a sua ambiciosa meta climática: reduzir 80% das emissões municipais de CO2 até 2050. Uma primeira etapa já foi cumprida: a emissão per capita diminuiu 15% em relação à de 1990.
– Uma conquista significativa para uma grande cidade –, assinalou a Comissão Europeia.

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2 comentários

  1. ANDREIA FARGNOLI · março 3, 2011

    Nosso planeta é muito grande e tem mais de seis bilhões de pessoas, umas diferentes das outras. Todos nós temos uma série de direitos para nos proteger e ao mesmo tempo deveres a cumprir.

    Fazer valer nossos direitos e agir de acordo com nossos deveres é o que nos torna cidadãos. Mas o ser humano só chegou a essa situação à medida em que foi percebendo que precisava viver junto com outras pessoas, em sociedade

    A vida em sociedade exige o cumprimento de certas regras. Respeitar as outras pessoas, suas escolhas e opiniões é uma delas. Jogar lixo nos lugares apropriados, preservar a natureza também são deveres de todos nós: é a consciência universal sobre a importância do cuidado com as pessoas e com o meio ambiente.

    Nunca se proclamaram tão altos esses cuidados e ao mesmo tempo nunca foram tão sistematicamente violados como nos nossos tempos. A luta para conservá-los firmemente na consciência dos indivíduos e dos povos passa obrigatoriamente pelo processo educativo.

    Ddestaco o processo educativo que desperta nas pessoas a inconformidade com as situações degenerativas da vida, seja por meio da destruição do meio ambiente, da miséria, da exploração do trabalhador, da desintegração de valores como a solidariedade e a justiça e de tantas outras situações aviltantes à vida.

    A responsabilidade pelas outras pessoas, pela sociedade, pela natureza, implica na organização de um mundo com vida saudável. Não haverá sobrevivência da sociedade humana sem uma ética, sem uma experiência de coletividade, voltada para o bem-estar de todas as pessoas e do planeta.

    “o Brasil é uma das províncias mais bem-aventuradas do Planeta vivo, a Terra. Como mãe generosa, ela nos legou uma riqueza ecológica que representa para todos nós grave responsabilidade. Queremos estar à altura dela. Dispomo-nos a preservar essa riqueza pelo valor que possui em si mesma, pela alegria que sua beleza nos propicia e, sobretudo, orque ela garante a sustentabilidade de nosso povo e de nosso desenvolvimento.”

    Temos que ter um cuidado todo especial com nosso planeta, pois nós somente o temos para viver e morar. Cada ser humano precisa descobrir-se como parte do ecossistema e desenvolver uma consciência coletiva que pense sobre o nosso belo planeta.

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