Dalai Lama decide renunciar a seu papel político

DHARAMSALA, Índia (AFP) – O Dalai Lama, líder espiritual dos tibetanos, anunciou nesta quinta-feira que pretende renunciar a seu papel político para deixar o posto a um novo dirigente “livremente eleito”, mas o governo da China afirmou que a medida é um “ardil” para enganar a comunidade internacional.

“Meu desejo de transmitir a autoridade não tem nada a ver com uma vontade de renunciar às responsabilidades”, declarou o Dalai Lama durante um discurso em Dharamsala, norte da Índia, onde vive exilado.

“É pelo bem em longo prazo dos tibetanos. Não porque me sinta desanimado”, completou.

O líder dos tibetanos, de 75 anos, prêmio Nobel da Paz, anunciou também que vai propor uma emenda que permita a renúncia de suas funções durante a sessão do Parlamento tibetano, na próxima semana.

O Dalai Lama já havia mencionado várias vezes uma renúncia à função de chefe de Governo tibetano no exílio.

Pequim, no entanto, anunciou não acreditar nas intenções do líder espiritual dos tibetanos.

“O Dalai Lama falou várias vezes de renúncia nos últimos anos. Penso que são ardis para enganar a comunidade internacional”, declarou a porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Jiang Yu.

Segundo a porta-voz, “o governo no exílio é uma organização política ilegal que não é reconhecida por nenhum país do mundo”.

Em novembro passado, um porta-voz do Dalai Lama já havia informado sobre a intenção do líder espiritual de deixar a função de chefe de Governo tibetano no exílio para aliviar a carga de trabalho e reduzir seu papel oficial, sem abandonar o trabalho espiritual.

Apesar das tentativas de diálogo com Pequim para a obtenção de uma autonomia cultural e suas tomadas de posição moderadas, o Dalai Lama constitui um problema para o poder chinês, que o considera um “separatista” em busca da independência de seu país.

No entanto, o Dalai Lama – prêmio Nobel da Paz em 1989 – pede incansavelmente a seus concidadãos que utilizem meios pacíficos para opor-se a Pequim. Mas seu povo está dividido entre moderados e radicais em relação à questão da independência perdida em 1950.

O Dalai Lama tinha 15 anos quando foi nomeado “chefe de Estado” em 1950, após a chegada das tropas chinesas ao Tibet.

Em 1959 fugiu da China e se refugiou em Dharamsala, após o fracasso de uma revolta contra Pequim.

O homem da túnica cor de açafrão e do sorriso contagiante ganhou respeito de todo o mundo onde é recebido por chefes de Estado.

O Dalai Lama, herdeiro de uma dinastia espiritual fundada no século XIV, acredita que o “caminho do meio” é a melhor solução.

Nascido em 6 de julho de 1935 em uma família camponesa da aldeia de Taksar, no nordeste do Tibet, Lhamo Dhondrub foi eleito como 14a. encarnação do chefe supremo do budismo tibetano, o Dalai Lama, quando tinha apenas 4 anos, em 22 de fevereiro de 1940.

Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/110310/mundo/__ndia_china_tibete_pol__tica_1

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