MANIFESTAÇÃO DO DEPUTADO FEDERAL DA MINHA REGIÃO! ESTOU COM ELE NESSA!!!

Dimas denuncia descaso da TAM com deputada cadeirante

Em plenário, durante sessão ordinária desta terça-feira (15/3), o deputado federal Dimas Ramalho denunciou o descaso da companhia aérea TAM com a deputada federal Mara Gabrilli (PSDB-SP), que é cadeirante, e permaneceu por mais de duas horas, no aeroporto de Cumbica, em São Paulo, aguardando que a empresa providenciasse equipamento especial para o seu desembarque.
O deputado pediu que o artigo de Mara Gabrilli sobre o episódio – publicado pelo jornal Folha de S.Paulo – fosse anexado ao seu discurso, e considerou a dificuldade enfrentada pela parlamentar uma “vergonha”. O incidente ocorreu no Aeroporto Internacional de Guarulhos quando ela retornava de Brasília, após uma semana de trabalho no Congresso.
Mara Gabrilli é tetraplégica e se elegeu deputada federal por São Paulo principalmente pela defesa dos direitos dos deficientes físicos. A deputada teve de aguardar durante mais de uma hora a chegada do ambulifit – um elevador especial usado em todo o mundo para embarcar e desembarcar passageiros com deficiência. O elevador da companhia aérea usada por Gabrilli encontrava-se em manutenção e o ambulift da Infraero estava quebrado.
A Infraero informou que não foi avisada antecipadamente pela companhia e que, em casos como este, costuma-se utilizar os fingers, corredores de acesso do aeroporto que conduzem até a porta da aeronave. Para a deputada, exigir o elevador não foi um capricho, mas uma questão de segurança.
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Folha de São Paulo, São Paulo, terça-feira, 15 de março de 2011 – TENDÊNCIAS/DEBATES
ARTIGO :Consumo vetado
MARA GABRILLI
“Finger”, “ambulift”, braile, acessibilidade: todos termos pouco conhecidos, mas que garantem a nós, pessoas com deficiência, dignidade
Eram nove horas de uma noite chuvosa quando o avião da TAM aterrissou no aeroporto de Cumbica. Eu acabara de chegar de Brasília -episódio comum em minha rotina semanal desde que tomei posse na Câmara-, quando fui informada de que seria carregada por escada estreita e escorregadia no colo de um desconhecido.
O avião em que estava não desembarcou no “finger”, equipamento que leva os passageiros diretamente ao terminal, e o “ambulift”, espécie de ônibus com elevador para o transporte de cadeirantes, por sua vez, estava quebrado.
Uma semana depois, mais um episódio de desrespeito: a Gol é a única companhia aérea em terras brasileiras a se recusar a cumprir a resolução da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) que concede desconto para acompanhantes de pessoas com deficiência.
Situação diferente, mas não menos constrangedora ocorreu com a jovem Julie Nakayama, 24. Passeando pela avenida Paulista, gostou de uma camiseta que vira na vitrine da Hering. Quis comprar a roupa, mas a entrada do estabelecimento possuía três degraus nada convidativos para uma cadeirante.
Moral da história: Julie foi embora porque nenhum funcionário do local se prontificou a ajudá-la. Pelo contrário, questionaram sua presença ali, como se a cadeira de rodas subtraísse de uma garota sua vaidade ou poder de consumo.
Se conhecessem Nathalia Fernandez, 21, entenderiam essa realidade. Ela, que tem paralisia cerebral e utiliza um carrinho motorizado para se locomover, sempre encontra dificuldades com a falta de provadores adaptados.
Cego desde os 13 anos por conta de glaucoma, Ricardo Sigolo, 61, se formou em biblioteconomia e trabalhou durante muito tempo com informação por meio do braile.
No entanto, fora do local do trabalho, dificilmente tem acesso a recursos para uma pessoa com deficiência visual. Muitas vezes, ele tem de ouvir por horas a declamação de um vendedor sobre determinado produto, porque as embalagens não oferecem informação em braile, bem como os cardápios da maioria dos restaurantes.
“Finger”, “ambulift”, braile, acessibilidade: todos termos pouco conhecidos pela maioria da população brasileira, mas que garantem a nós, pessoas com deficiência, dignidade. Dignidade a que eu não tive acesso naquela noite em que fiquei presa durante duas horas aguardando a autorização da Infraero para uso de um “ambulift” que estava fora do aeroporto.
Dignidade negada também ao arquiteto cadeirante Fernando Vasconcelos, 71, que não teve sua cadeira amarrada quando utilizava o mesmo equipamento e acabou sofrendo um acidente que lhe rendeu um traumatismo craniano.
Nessas ocasiões, em que seus direitos de consumidor e cidadão são subtraídos, eu me sinto, de fato, imóvel. É aí que a tetraplegia vem à tona. Não pela minha deficiência física, mas pela deficiência de serviços, de acessos, de atendimento adequado a mim ou a qualquer outro cidadão com deficiência.
Fato é que a tutela dos direitos do consumidor é garantida pela Constituição, bem como a dignidade da pessoa humana. Neste 15 de março, Dia Internacional do Consumidor, ainda não temos muito a comemorar. Contudo, essa é uma data simbólica para refletir sobre o que, de fato, é o consumo no nosso país.
Estamos expandindo o mercado de crédito, mas não investimos no básico: o ser humano. Um cenário que contradiz a política de igualdade pregada pelo governo ao facilitar o poder de compra das pessoas.
Afinal, de nada adianta consumir bens se não possuirmos informação e educação econômica para lidar com todos os públicos, garantindo que todos tenham acesso digno a qualquer serviço. Após 20 anos da instituição do Código de Defesa do Consumidor, crescemos economicamente, mas não aprendemos a lidar com as pessoas e suas diferentes necessidades.
MARA GABRILLI, 43, psicóloga e publicitária, é deputada federal pelo PSDB-SP.

 

Fonte: http://dimasramalho.com.br/Noticias/Noticia.aspx?IDNoticia=190

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