O NOVO HOMEM!

“Homem não chora.” Esse estereótipo do macho, segundo os evolucionistas de plantão, existe desde que a humanidade começou a andar ereta e nossos supostos ancestrais do sexo masculino tiveram de esquecer o medo para disputar comida com as feras. No entanto, segundo o relato bíblico das origens, as coisas foram bem diferentes. O ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, era perfeito tanto física, quanto mental e espiritualmente. Mas o “homem completo” foi, assim como tudo neste planeta, danificado pelo pecado.

É interessante notar que o homem e a mulher foram, a princípio, chamados “varão” e “varoa”, palavras que no hebraico têm pronúncia muito parecida, pois provêm da mesma raiz. Com isso, estava sendo indicado que, para Deus, não há diferença qualitativa entre os sexos. A própria origem da mulher, sugerem alguns estudiosos, indica isso: foi feita da costela de Adão – não de sua cabeça ou de seus pés – para indicar igualdade.


Fonte de problemas

A ideia de que o homem deve ser inabalável, forte e sempre seguro é, na verdade, a grande fonte de angústia masculina. Não é para menos que o sexo masculino lidere as estatísticas mundiais de suicídio, de mortes violentas e de envolvimento com álcool.

De cada quatro dependentes de drogas em todo o mundo, três são homens. Além disso, os homens vivem em média dez anos menos que as mulheres e são mais acometidos por doenças cardiovasculares, crises de hipertensão, diabetes e obesidade.

O psicólogo americano Alon Gratch, autor do livro Se os Homens Falassem… (Campus), afirma que os homens são difíceis. “Na superfície, muitas vezes parecem distantes e arredios. Ou vulgares e repulsivos. E, quando tentamos conhecê-los, muitas vezes é ainda pior – eles ficam na defensiva e tornam-se inacessíveis.”

E o que pensam as mulheres? “Isso me parece mais uma questão de educação familiar”, opina a editora de livros Neila Diniz de Oliveira, de 38 anos, casada há 15. “Existem pais que impõem uma postura machista ao filho, e para ele é muito importante o que o pai pensa a seu respeito. Portanto, ele pode se fechar e até expressar sua tristeza de outra forma, só para disfarçar o que realmente sente. Isso pode vir disfarçado até como agressividade.”

Para ela, a mudança desse conceito começa em casa, dando-se liberdade para que a criança se expresse, inclusive através das lágrimas, se isso vai lhe fazer bem.

A psicóloga Cláudia Bruscagin acha “interessante notar que, frente a fraquezas, o homem desconversa ou faz piadas. Rindo, ele se disfarça de forte”. Cláudia acredita que a mudança nos padrões de comportamento da mulher trouxe ao homem muita incerteza e insegurança. “Ele não entende ainda a nova mulher, que é mais independente e dona de seu destino, mas cobra dele que seja sensível, fale de emoções e continue a ser o forte, o provedor, o protetor. Por isso, o homem está em crise e confuso. Os modelos antigos não servem mais.”

Michela Borges Nunes, 32 anos, advogada de Criciúma, SC, acha que “conseguiremos mudar essa máxima de que homem não chora é com a educação que daremos a nossos filhos, ao demonstrar-lhes que chorar é normal e humano”. Para ela, o “homem ideal” é aquele que “teme a Deus, é sincero, fiel, carinhoso e compreensível. O que sabe escutar e entender, bem como o que colabora com a mulher, a fim de não deixá-la carregando sozinha o peso da família, da casa, das preocupações”.


Homens-modelo

Por ser também um relato histórico, a Bíblia descreve culturas extremamente machistas. No entanto, aqui e acolá deparamos com personagens que foram genuínos exemplos de “homens de verdade”, e mesmo uma raridade para seu tempo.

Um bom exemplo é José, filho do patriarca Jacó. Em certo momento de sua vida, as coisas pareciam melhorar. De escravo, fora promovido a assistente de um alto oficial egípcio chamado Potifar. No entanto, a esposa de Potifar se interessou pelo jovem hebreu e passou a assediá-lo com propostas indecentes.

José poderia ter levado em consideração as vantagens de um caso como esse. Além do mais, poderia vangloriar-se diante dos amigos pela “conquista” arriscada. Mas optou por ser fiel a Deus e aos seus princípios. Por ter agido como “homem de verdade”, acabou preso.

Outros personagens poderiam ser mencionados; no entanto, o maior exemplo de verdadeira masculinidade foi deixado por Jesus. Ele era firme quando tinha que ser, mas também manifestava sentimentos, tendo sido visto chorando em público algumas vezes.

Em Seu relacionamento com as mulheres, vemos o perfeito exemplo de valorização e respeito. Quando conversou com a samaritana, junto ao poço de Jacó, desafiou de uma só vez dois preconceitos: era proibido conversar com mulheres em público e o povo de Samaria era desprestigiado pelos judeus.

Embora pouco se fale nisso, havia muitas mulheres entre o grupo de discípulos de Jesus. Aliás, depois de ressuscitado, foi primeiramente a uma dessas seguidoras, Maria Madalena, a quem Jesus apareceu. Nessas atitudes ficam evidentes a sensibilidade e o respeito de Jesus pelos sentimentos alheios. Ele é o modelo ideal não apenas de homem, mas de ser humano.


Sensibilidade

“A distância emocional deixa os homens em situação difícil não apenas porque as pessoas em volta deles se sentem frustradas com a ausência de sentimentos mas também porque, ao adormecer as próprias emoções, eles se tornam incapazes de sentir empatia pelo que os outros sentem”, conclui o psicólogo Alon Gratch. “O pai que não se permite sentir dor ou fraqueza é o mesmo que grita com o filho para ele parar de chorar em vez de dar atenção à sua dor.”

“O ideal para o homem seria conseguir desenvolver sua sensibilidade”, diz Cláudia Bruscagin, “e isso não significa ser mais feminino, mas sim encontrar a sensibilidade que não é atributo das mulheres, mas da espécie humana. O homem precisa encontrar dentro de si as emoções que estão contidas, anestesiadas, que o impedem de ser mais solto nas relações com as mulheres, os amigos ou os filhos.”

Michelson Borges


Sinais de perigo

Aqui estão alguns comportamentos que indicam falta de maturidade masculina:


Vergonha dos sentimentos: a síndrome de “meninos não choram” torna muito doloroso sentir vergonha de si mesmo. Por isso, muitos homens desenvolvem a tendência de jogar a culpa de seus erros nos outros.


Medo do mau desempenho sexual: como a impotência sexual está relacionada à ansiedade, quanto mais pressão a pessoa faz sobre si mesma para se curar, pior ela fica.


Racionalização excessiva: virar as costas às emoções prejudica os relacionamentos afetivos e a vida profissional, podendo até trazer risco à integridade física. Homens incapazes de sentir medo podem fazer negócios desastrosos ou colocar a vida em perigo ao se envolverem em brigas e acidentes.


Autossuficiência: a negação da necessidade de pedir ajuda faz com que muitos homens vivam, sem perceber, em permanente estado de depressão.


Insegurança: o medo de ser frágil e falível faz com que muitos homens evitem ir ao médico até para um simples check-up.


Egocentrismo: Eles precisam ser admirados por sua força, seu poder e suas conquistas. Esse comportamento é resultado da enorme insegurança masculina diante da obrigação de ter sempre bom desempenho.


Agressividade: também é consequência da insegurança. Quando meninos, não são autorizados a chorar, apenas a sentir raiva. Depois de adultos, só conseguem expressar esse tipo de sentimento.


Sexo e amor: desde cedo os meninos dissociam amor de sexo. Isso ocorre, muitas vezes, por influência de pais (ou mesmo dos meios de comunicação) que os estimulam a sair com garotas de programa e, assim, provar a masculinidade. Na vida adulta, são frequentes os conflitos com as parceiras.

Fonte: Veja, 22/8/2001


Alguns avanços

Mudanças no estereótipo do homem-macho já podem ser percebidas. “Essa é uma mudança difícil”, constata a psicóloga Cláudia Bruscagin, “pois enfrenta muitos preconceitos e o ser humano tem medo de se mostrar diferente dos demais.” Eis aqui alguns avanços nessa direção:

  • Maior participação dos homens no cuidado dos filhos, tarefa que até pouco tempo atrás era exclusiva das mulheres.
  • Os pais têm participado cada vez mais de reuniões de escola e ajudam os filhos com as lições de casa.
  • Em caso de divórcio, muitos pais têm pedido e ganhado a custódia dos filhos, e cuidam muito bem deles.
  • Nos cursos pré-natais, a presença dos maridos é cada vez mais constante. Ele quer estar junto, sentindo as emoções da gestação e do parto.
  • Nos cursos de culinária, os maiores frequentadores são os homens.
  • Com o problema do desemprego, vários homens já assumem o cuidado da casa (supermercado, levar filhos para a escola, ou mesmo lavar e passar), enquanto suas companheiras saem para o trabalho fora de casa.
  • Nos consultórios, percebe-se número crescente de homens que buscam ajuda na psicoterapia (que antes era vista como “coisa de mulher”). Eles querem se entender melhor, a fim de crescer em seus relacionamentos e saber expressar melhor seus sentimentos.


O homem ideal

Na opinião do psicólogo Belisário Marques, “o homem ideal é aquele que está convicto de que é homem, gosta de ser homem, não se arrepende de ser homem, nem tem inveja das mulheres”.

Para ele, o “homem ideal” combina os dois lados paradoxais de sua natureza humana:

  • É agressivo, mas é terno.
  • É duro, mas é sensível.
  • É forte, mas é fraco.
  • É objetivo, mas é compreensivo.
  • É ousado, mas é sensível.
  • É admirado, mas admira.
  • É racional, mas é emocional.
  • É individualista, mas é altruísta.
  • É poderoso, mas é honesto.
  • É autêntico, mas é fiel.
  • É errado, mas é certo.
  • É pecador, mas é santo.
  • É firme, mas é empático.
  • Resiste ao choro, mas chora quando é preciso.
SOBRE O AUTOR
MICHELSON BORGES
Jornalista (formado pela UFSC) e editor da Casa Publicadora Brasileira. É autor dos livros Nos Bastidores da Mídia, Por Que Creio, A História da Vida, entre outros. Mestre em Teologia pelo Unasp, mantém o blog http://www.criacionismo.com.br

 

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