Policiais militares aprendem as agruras da gestão privada

Fonte: Jornal Valor Econômico – Notícia de 14/03/2011

Os alunos do curso de pós-graduação em administração do Insper ficaram intrigados quando viram um colega fardado se acomodar na sala no início do ano letivo. Com uma jornada de trabalho puxada no Grupamento de Radiopatrulha Aérea da Polícia Militar de São Paulo (GRPAe), localizada no Aeroporto do Campo de Marte, o primeiro-tenente da PM Leonardo Carbonari, de 26 anos, não teve tempo de trocar de roupa antes de ir para a escola de negócios, localizada em São Paulo.

Carbonari faz parte de um grupo de PMs beneficiado com uma bolsa de estudos em razão de um acordo firmado entre o Insper e a corporação no ano passado. Em 2010, 42 policiais militares frequentaram algum curso de pós-graduação ou de educação executiva na instituição. Este ano, são esperados 26 novos alunos da PM. Dos que já começaram as aulas, a maior parte optou por especializações em áreas como gestão da inovação, da estratégia, de conflitos, de equipes e negociação.

Os alunos vêm de diversas áreas da PM, tanto administrativas como operacionais. Há desde os que lidam com planejamento estratégico até os responsáveis pelo policiamento ostensivo, ambiental, de trânsito e de choque. “O objetivo é aperfeiçoar a tropa, o que depende tanto do conhecimento técnico como de gestão”, explica o presidente do Insper, Claudio Haddad.

Embora a quantidade de vagas disponíveis a cada ano seja determinada pelo Insper, há uma boa disputa na PM por elas. “Antes de realizar as provas, os candidatos precisam passar por uma seleção interna”, diz o coronel Claúdio Antônio Rissotto, diretor de ensino e cultura da PM. Ele ressalta que apenas dez não foram escolhidos para realizar a prova entre 2010 e 2011.

Por mais que a evolução do policial militar dependa da obtenção de títulos e também do tempo de serviço, o coronel Rissotto admite que a realização de cursos de pós e especializações – além dos oferecidos pela própria corporação – ajudam na carreira. “Eles têm um peso nas promoções por mérito, mesmo não valendo pontos para a obtenção de um título”, diz.

O primeiro-tenente Carbonari quer chegar a coronel como o avô e o pai. Para tanto, sabe que tem um longo caminho pela frente. Ele vai precisar ser promovido a capitão, major e tenente-coronel até poder atingir o posto desejado. No momento, está aprendendo o ofício de piloto para dirigir o helicóptero Águia. Para ele, o conhecimento gerencial é uma ferramenta importante na vida militar. “Dá para aproveitar na prática muito do que estou aprendendo na escola”, diz.

Desde que começou o curso de pós-graduação em administração no Insper, o Certificate in Business Administration (CBA), no ano passado, ele já conseguiu usar alguns ensinamentos na PM. Realizou, por exemplo, um workshop para outros soldados sobre conceitos relativos a processos.

Poder traçar um paralelo entre a administração pública e a privada é um dos fatores que mais empolgam o primeiro-tenente, mas ele também vê diferenças. “A maior delas é que não visamos apenas o lucro”, diz. A liderança é outro que sito visto de maneira distinta na corporação e nas organizações empresariais. Ele conta que logo após a formatura na Academia do Barro Branco, aos 22 anos, precisou liderar uma equipe de 30 pessoas. “Eram PMs experientes com muitos anos de serviço, foi um grande desafio. Não vejo colegas de empresas comandando tanta gente no início da carreira”, diz.

A rotina no Campo de Marte e a dos colegas que atuam em empresas são bem diversas. Segundo ele, os alunos têm curiosidade sobre o modo de vida e o trabalho dos soldados. “Nossa imagem é muito associada àquela que aparece na televisão”. Para o presidente do Insper, essa pluralidade acrescenta ao debate nas classes. Haddad diz que ainda não foi possível medir o impacto dos cursos na corporação, mas a intenção é estreitar a parceria com programas customizados para a PM no futuro.

O Instituto Coppead de Administração da UFRJ há cinco anos oferece cursos “in company” para oficiais da Escola de Guerra Naval (EGN). “À medida que os oficiais sobem de patente, assumem funções gerenciais variadas. O objetivo é proporcionar formação executiva aos oficiais, de modo a prepará-los para os desafios que enfrentarão”, explica o diretor do Coppead, Kleber Figueiredo.

Fonte: http://www.insper.edu.br/noticias/2011/03/policiais-militares-aprendem-agruras-da-gestao-privada

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