Ter razão ou ser feliz?

 

“Ter razão ou ser feliz” são incompatíveis.

Se você tem razão, pressupõe-se que você esteja certo diante da sua verdade, daquilo que você acredita.

Se você tem razão, ao menos imaginamos que você esteja bem consigo e com os outros, portanto, está feliz. Está em harmonia com o mundo, com as pessoas, com os deuses, com você. Sobretudo com você.

Se a razão significa ter a capacidade de julgar, de avaliar, de ponderar, de estabelecer relações lógicas, de ter bom senso e prudência, como é que depois de todo este trajeto feito e a uma boa conclusão chegado, há quem ainda hesite em dizer: “ter razão ou ser feliz” ????

Sinceramente, ou quem faz uso desta razão não a usa para si, não a exerce de forma verdadeira ou não sabe distinguir o que é ser feliz. Mas, nesse caso, sendo esse o resultado, ou a pessoa carece de princípios ou mesmo de capacidade de conduta moral.

Esse quociente,o produto dessa operação matemática não equivale em nada a real equação desenvolvida.

“Ter razão ou ser feliz” é modismo, conformismo, medo. É inquietação. Ou, mais adiante, se quisermos, é interesse, é proveito, é benefício de uma só parte. Aqui, especificamente aquela parte que hipoteticamente precisa acreditar que assim ela é feliz.

Esta frase resume-se em um só termo: eu finjo estar feliz para você acreditar que tem razão; logo, eu deixo você feliz, mas não demonstro que tenho razão. E, como teremos que viver juntos, esta fórmula me faz sobreviver melhor.

Dois enganos, dois enganados, várias infelicidades neste meio.

Este é o reflexo da sociedade do parecer. Ninguém mais é, ninguém mais tem, mas quase todos parecem. E padecem.

Você investe em um personagem, parece ele, é quase igual a ele mas, não é ele. Aqui surge o caos. Quando descobrimos que somos o que somos e não aquele que gostaríamos de ser, nosso gênero humano cria tapumes para que não nos vejamos e para que não sejamos vistos.

Viver a olhos nus é para bem poucos.

“Ter razão ou ser feliz” é viver de ambas as formas sem manchas, sem máculas.

Não é preciso criar competição, é preciso ter competência para nos administrar.

Ninguém tem razão ou é feliz o tempo todo. Ainda bem. Só assim é que temos unidade para evoluir.

“Ter Razão ou Ser Feliz” é tão inoportuno que, se nos perguntássemos “Ter Direitos ou Ter Deveres”, seria a mesma coisa, surtiria o mesmo efeito.
Ou seja: nenhum.

olgadb@bol.com.br

Fonte: http://www.araraquara.com/opiniao/colunistas/olga-bernardi/

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