CIDADES INFORMACIONAIS

Uma análise da recente evolução das cidades, enquanto forma de organização social, permite observar uma pluralidade de diferentes tipos de redes cuja função é a otimização do transporte de fluxos materiais e imateriais. Trata-se das redes de transporte de pessoas, de comunicação, redes de fluxos financeiros e informacionais que apontam o desenvolvimento da cidade contemporânea como uma tentativa constante de se alcançar a mobilidade.

Desta maneira, a cidade deixa de ser caracterizada como um lugar demarcado e de fixação e abre margem para processos que visam o deslocamento, a desterritorialização, a mobilidade e o fluxo. A cidade passa a consolidar-se como um espaço de trocas em que são protagonizados intercâmbios de natureza diversa.

Da mesma forma, podem ser observadas as alterações nas relações tempo-espaço e na estrutura das cidades que respondem à incorporação intensa das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC’s) nas mais diversas atividades urbanas. Isso implica uma reconfiguração nas dinâmicas cotidianas e de convívio social que passam a ser impactadas pelo processo de virtualização ou de(para usar um termo mais contemporâneo) ‘googlerização’ que vem caracterizando a chamada sociedade da informação.

As cidades, assim como toda a sociedade, atualmente são influenciadas por um novo paradigma técnico-econômico que difere bastante daquele erigido da era industrial. O novo paradigma traz como idéia central o conceito de flexibilidade e, portanto, rompe de vez com o modelo de contrato social entre capital e trabalho característico do capitalismo industrial. Identifica-se, assim, o surgimento de um novo capitalismo e de um novo Estado em que a informação é tomada como insumo estratégico para a criação de riquezas e do bem-estar social, as estruturas sociais são maleáveis e mutáveis e há a proliferação das tecnologias da informação que, por sua vez, são assinaladas como causa principal de tal revolução.
É um raciocínio pouco provável aquele que se alimenta da perspectiva de que as cidades permaneceriam alheias a tantas transformações. As cidades não só desenvolvem novas dinâmicas como criam também uma nova forma urbana: a cidade informacional, que é a cidade do espaço de fluxos, na qual uma série de transformações sociais, econômicas e políticas, potencializadas pelas tecnologias de informação e comunicação, têm prenunciado novas formas de interação do cidadão com o espaço urbano (Castells, 1992).
É neste contexto em que se inclui os conceitos de cidades digitais, cibercidades, telecities e cidades virtuais que também são empregados para definir a interação do meio urbano com as TIC’s e os efeitos advindos dessa interação.
Com isso, legitima-se a idéia da cidade como um território informacional, ou seja, uma zona de intersecção entre o ciberespaço e o espaço urbano físico (Lemos, 2007), ao mesmo tempo em que afasta-se a imagem da cidade informacional como algo totalmente novo. A cidade informacional é heterogênea, é um verdadeiro catalisador de “redes e fluxos que convergem graças às condições tecnológicas possibilitadas pelas redes digitais de telecomunicações que passam a integrar, e mesmo a comandar (cibernética), as diversas redes que constituem o espaço urbano e as diversas formas de vínculo social que daí emergem” (Lemos, 2007).
Por conseguinte, ao usar o telefone celular, os serviços de internet banking, fazer uma solicitação de serviço ou uma compra na Internet, acessar o web site da prefeitura ou da empresa em que trabalha e comunicar-se pelas redes sociais o cidadão está, na verdade, aproveitando os benefícios da infra-estrutura de comunicação e informação (infoestrutura) que compõem as cibercidades juntamente com os espaços urbanos tradicionais, como as ruas e as praças.

No entanto, o grande desafio que se apresenta à cidade informacional é a garantia do acesso e da apropriação das novas tecnologias de maneira igual a todos os cidadãos. Esse desafio se mostra complexo quando se considera que as cidades, enquanto espaço físico, é o lugar em que germinam e evoluem as desigualdades sociais, econômicas e culturais. Deste modo, chega a ser utópico imaginar um acesso universal à internet ou à telefonia celular ao passo que isso ainda não acontece com os sistemas de transporte público ou de saúde, por exemplo.

Todavia, a evolução da cidade informacional está condicionado ao desenvolvimento e a propagação do uso das TIC’s, e nesse sentido é irreversível. O crescimento dos territórios informacionais se dá mediante o aumento quantitativo do uso de dispositivos e sistemas tais como os smartphones, os notebooks, os celulares, a rede Wi-Fi e o Bluetooth. Sendo assim, cabe aos governos locais criar alternativas para que essas modernidades sejam acessíveis ao maior número de cidadãos possível, reaquecer o espaço público, favorecer a apropriação social das novas tecnologias (Lemos, 2007) e, principalmente, educar os cidadãos para esse processo de virtualização das dinâmicas urbanas, pois, assim será possível afastar um dos grandes problemas sociais preanunciado para o futuro próximo e que já se apresenta como a principal consequência negativa da era informacional: a exclusão digital.

A cidade informacional, logo, pode ser pensada como uma cidade ideal para abrigar os fluxos informacionais, culturais, sociais e econômicos. De modo mais objetivo, é um dos elementos que compõem a cidade contemporânea que precisa se adequar aos ditames da era informacional e que tem o uso irrestrito das TIC’s como aspecto basilar. No entanto, as redes digitais e a infra-estrutura da cidade informacional estão longe de serem consideradas patrimônios de todos os cidadãos, seja pela falta de popularização desses meios ou pelo insuficiente conhecimento do seu funcionamento. Cabe assim, aos governos locais em parceria com a sociedade civil alavancar ações que possibilitem a inclusão digital e que transformem a cidade novamente num lugar de fortalecimento da democracia, mas não mais em seu sentido clássico e sim na perspectiva de uma democracia contemporânea.

Fonte: http://www.midiassociais.net

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