A batalha pelo pagamento de notícias online faz novas vítimas

Por Carlos Castilho
Steven Brill, o norte-americano que há dois anos prometeu encontrar a fórmula mágica para garantir a sobrevivência financeira da imprensa online, jogou a toalha. Ele vendeu esta semana o projeto Press + para a RR Donnelley, uma das mais importantes empresas gráficas do mundo, com negócios também aqui no Brasil.
Brill não conseguiu encontrar uma receita para os jornais, mas descobriu uma forma de engordar a sua própria fortuna pessoal, numa transação cujos detalhes ainda não foram totalmente divulgados. A Press + foi criada para oferecer aos jornais e revistas apoio na busca da sustentabilidade financeira. É o primeiro grande fracasso de um empresário que depois de conseguir fama com negócios considerados impossíveis resolveu apostar na salvação da imprensa online.

Nesta mesma semana, o The New York Times continuou nas manchetes da imprensa norte-americana, desta vez não como protagonista de grandes feitos jornalísticos, mas na inglória posição de caçador de crackers — programadores especializados em quebrar barreiras eletrônicas de acesso à conteúdos online.

Jeff Bercovici, da revista Forbesironizou as agruras do NYT afirmando que o jornal logo terá que contratar mais advogados e monitores da web do que repórteres. Tudo isso a propósito da provável batalha legal entre o Times e os autores do twitter @freeNYTimes, onde quase todos os textos da edição online do jornal estão disponíveis gratuitamente.

A cobrança do acesso às noticias online do NYT já está em vigor para leitores canadenses e deve valer para os norte-americanos a partir de segunda-feira (28/3). A leitura de até 20 notícias é grátis, mas passado este limite o usuário deve fazer uma assinatura, pagando preços que variam de 15 a 35 dólares mensais.

A polêmica em torno do precedente aberto pelo @freeNYTimes desviou o foco da discussão. O complexo problema de cobrar ou não pelo acesso às notícias online acabou sendo ofuscado pela questão ainda mais delicada da liberdade de fluxo de informações na web. A proibição do canal de postagens, pedida pelo The New York Times, encontrou resistências no Twitter e despertou a ira dos gurus da internet livre.

O que era para ser um problema financeiro entre uma empresa e seus clientes, está se transformando numa batalha ideológica em ambiente virtual. Para o NYTisso é um péssimo negócio porque provocará danos à imagem pública do jornal, o mais acessado site de notícias em toda a internet.

O fracasso do projeto Press+ torna ainda mais dramática a busca de saídaspara o dilema da sustentabilidade financeira de empreendimentos jornalísticos na internet. A experiência do The New York Times é uma aposta numa possibilidade. O jornal enterrou cerca de 40 milhões de dólares no desenvolvimento do projeto de cobrança de acesso, sem saber se teria retorno garantido.

Outra grande empresa jornalística mundial, o conglomerado News Corp, do milionário Rupert Murdoch, decidiu apostar no iPad como plataforma para cobrar por notícias. O grupo criou uma publicação online chamada The Daily, que só pode ser acessada por assinantes usuários do iPad. O sistema ainda está na fase de provas, mas alguns leitores têm se queixado da qualidade jornalística da publicação online, afirmando que ela ainda não substitui a leitura dos jornais noticiosos

Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/blogs.asp?id_blog=2&id={4E7D01D6-47B7-4EE0-8DB6-5A690CE78863}

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