É nativa?

Aos olhos dos outros devemos sempre estar inteirados do contexto que nos cerca. São inúmeros os relatos de pessoas conhecidas dizendo que foram questionados sobre assuntos relacionados à economia, à política e a tantos outros aspectos da situação brasileira quando viajaram para o exterior.

Muitos se encontraram em verdadeira saia justa com essas perguntas, pois não sabiam a resposta. Não tinham a mínima ideia de quanto o País devia ao exterior, se é que devia, do número de analfabetos, do número de habitantes, do PIB e de tantas outras informações que o habitante de um País deveria conhecer.

Da mesma forma, nós também fazemos questionamentos semelhantes às pessoas que vêm do exterior. Para nós, elas deveriam conhecer todos os assuntos relevantes de seu País.

E nos decepcionamos quando um desses visitantes confessa não saber a resposta. Estou dando exemplo de viagens ao exterior, mas esse fato se aplica a tudo que fazemos. Lembro-me de um episódio curioso.

Perguntei a um funcionário do Hotel Orotur, em Campos do Jordão, a origem daquele nome. Sua resposta foi: ‘bem, tur é de turismo’. E como ele não continuou, insisti: e oro? ‘Ah, já não sei dizer não, senhor’.

Minha mulher é muito curiosa. E sempre parte da pressuposição de que as pessoas estejam familiarizadas com as coisas que as cercam.

Várias vezes, em viagem ao Norte ou Nordeste, ela perguntou ao motorista que nos levava do aeroporto ao hotel: essa mata é nativa? ‘Como resposta ouviu um ‘não sei’, ou obteve apenas o silêncio de quem fingia não ter ouvido a pergunta.

Para ela, seria natural que um motorista que passa naquele local várias vezes por dia tivesse a resposta.

Mesmo não morando mais em Araraquara, procuro saber o máximo possível sobre a cidade e, principalmente, a respeito da Ferroviária. Não falha. Sempre que descobrem que sou araraquarense me enchem de perguntas sobre a Morada do Sol.

Com um pouco de boa vontade e interesse, podemos conhecer muito do que está ao nosso lado. Detalhes da empresa onde trabalhamos, da escola onde estudamos, da cidade onde moramos, da família a que pertencemos.

Ter informações sobre essa realidade que nos envolve é demonstração de preparo e boa formação. Hoje já virou brincadeira na família.

Sempre que alguém faz uma pergunta e não recebe resposta, olhamos um para o outro e dizemos baixinho: ‘é nativa?’ Ou, alternamos com: ‘tur é turismo, agora, oro não sei não, senhor’.

*Reinaldo Polito é Mestre em Ciências da Comunicação, palestrante, professor de expressão verbal e autor de 19 livros
www.polito.com.br

 

Fonte: http://www.araraquara.com/opiniao/colunistas/reinaldo-polito/

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