QUE POLÍCIA QUEREMOS?

(*) Humberto Gouvêa Figueiredo

Tenho visto e ouvido muita gente na comunidade, na imprensa e pessoas que ocupam cargo público ou de destaque comentando sobre a Polícia, seu modelo ideal e como devem ser e portar seus integrantes.

A questão que se levanta é “que Polícia que desejamos para a nossa sociedade?”.

Embora possa parecer o contrário, não será fácil achar resposta para esta questão, pois são inúmeros os interesses que serão afetados no dia em que for alcançado um modelo de Polícia que não se submeta ás pressões, quer sejam elas oriundas de autoridades, quer de cenários políticos ou sociais que sempre colocam em risco alterações em sua estrutura e na vida e carreira de seus integrantes.

A Polícia que acredito ser a ideal é aquela que tem o mesmo acesso e facilidades para agir contra o mais carente, o menos favorecido, o mais pobre, o que habita a região periférica das cidades e contra aquele que tem dinheiro, que usa gravata, fala língua estrangeira e come em restaurantes caros – tanto um quanto o outro, quando comete um crime ou está na iminência de fazê-lo deve estar susceptível á ação do Estado e, desta forma, ser responsabilizado por seus atos na mesma medida.

Infelizmente não é essa a realidade que temos no Brasil como um todo: a nossa legislação dá amplas possibilidades a quem tem mais recurso para que não seja penalizado por seus atos criminosos.

Tenho notado um avanço muito grande por parte das polícias em São Paulo no sentido de alcançar para este ideal que, no fundo, nada mais é do que a transformação das instituições policiais em mecanismo de defesa da própria sociedade, do conjunto das pessoas.

A vocação da Polícia, na sua essência, é a de defender as pessoas e não o Estado: e no nosso País, pela absurda distorção econômica e social, temos muito mais pobres do que ricos, daí a interpretação lógica de que os organismos policiais devem estar próximos dos mais humildes, dos mais carentes  e com ligação, tanto quanto possível, tênue em relação á estrutura formal do Estado.

A Polícia não pode ser o mecanismo disponibilizado pelo Estado para a sua própria proteção ou, pior ainda, para servir como instrumento de defesa dos “mais ricos” contra o “ataque” dos “mais pobres” – ser pobre não significa ser bandido, ser criminoso: se isso fosse verdade, no Brasil teríamos uma “massa de delinqüentes” enorme, dada a já citada discrepância econômica vigente, que potencializa geograficamente os mais humildes.

Sou otimista!

Este dia chegará e nunca mais um policial ouvirá de “um(a) poderoso(a)”:

– “Vai guinchar meu carro???? Mas você sabe com quem está falando????”.

Quem viver, verá!

 

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2 comentários

  1. ANDREIA FARGNOLI · março 27, 2011

    Perspectiva concreta de um cenário de paz e segurança, desejo de todos.

  2. Michele Seabra · março 27, 2011

    ^^

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