Será que viverei o dia em que a educação será prioridade no Brasil???

Escolas estaduais caem em avaliação de qualidade de ensino

Unidades perderam, em média, 20% da nota; a maior parte das instituições não cumpriu meta

Por Richard Selestrino

 

O nível de aprendizado nas escolas estaduais de Araraquara regrediu, segundo avaliação de qualidade da própria Secretária de Estado de Educação. No Índice de Desenvolvimento do Ensino de São Paulo (Idesp) de 2010, os anos concluintes dos Ensinos Fundamental e Médio oscilaram negativamente 20%, em média.

Ao todo, 28 escolas foram avaliadas. Dessas, 13 tiveram grandes quedas de nota, enquanto as outras mantiveram o índice ou tiveram ligeiras oscilações. A média do 5º ano caiu de 4,84 para 4,47 e no 9º ano saiu de 3,18 para 2,52. Mal avaliado nas edições anteriores do Idesp, o Ensino Médio foi dos pífios 2,06 computados no ano passado para 1,74 nesta edição.

O desempenho no Idesp é resultado da mensuração das notas de Matemática e Português, obtidas com o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar de São Paulo (Saresp) relacionadas à taxa de aprovação da escola e à quantidade de estudantes.

O Governo do Estado quer que até 2030 as unidades atinjam nível de excelência, com a obtenção de médias de 7 no 5º ano, 6 no 9º e 5 no Ensino Médio, as mesmas registradas em países como a Finlândia.

O educador Breno Maziero, docente da Universidade Estadual Paulista (Unesp), vê com preocupação o resultado apontado na avaliação. Para ele, melhorar o nível do ensino estadual é uma questão complexa. “Existe uma questão séria de gestão; as escolas demoram muito para ter respostas a problemas relatados”, avalia.
A Secretaria de Estado de Educação ainda analisa os resultados do Idesp, mas afirma querer diminuir a rotatividade de professores que, segundo o órgão, contribui para a queda no desempenho dos estudantes. O órgão já contratou nove mil docentes e pretende concursar mais 25 mil.

Para Maziero, um dos principais nós está na valorização do professor. “Precisa valorizar o professor com um plano de carreira mais eficiente”, analisa. O cumprimento das metas em cada exame é a base para a concessão do bônus de educação, acrescido ao salário do professor e do diretor da escola.

Redução de incentivos

Com a queda de notas no Idesp, a Secretaria de Estado de Educação reduziu pela metade os incentivos dados às unidades e professores pelo cumprimento das metas. Neste ano, o órgão deve distribuir cerca de R$ 340 milhões em incentivos. No ano passado, foram mais de R$ 655 milhões.

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) repudiou a ação, classificada pela entidade como “A gota d’água” e atribuiu a essa política a precariedade do ensino no Estado. “A divulgação dos valores pagos aos professores e demais membros do magistério paulista a título de ‘bonificação de resultados’ está fazendo transbordar a insatisfação da nossa categoria, há mais de 16 anos vítima de políticas educacionais que a desvalorizam e a desrespeitam, com graves consequências para a qualidade de ensino.”

Distante: Regional de Araraquara é a 23a do ranking

As poucas escolas da cidade com índices considerados bons, apesar da boa nota apenas mantiveram os índices registrados nas duas edições anteriores do Índice de Desenvolvimento do Ensino de São Paulo (Idesp). Estão no primeiro ciclo do Fundamental as melhores notas obtidas por estudantes da cidade.

Mesmo instalada precariamente em um prédio no Jardim Santa Mônica, na Zona Oeste, enquanto não termina o restauro de sua sede na Região Central, a Escola Estadual Antônio Joaquim de Carvalho (Anjoca) manteve-se com o melhor 5º ano da cidade. A série obteve 6,47 pontos, seguida da EE Antônio Lourenço Correa, que registrou 5,64.

Piores avaliações

Entre as piores avaliadas nesta etapa do aprendizado estão escolas como a Professora Maria Isabel Rodrigues Orso, inaugurada há pouco mais de um ano no Selmi Dei, Região Sudeste da cidade, e Luisa Rolfsen Petrilli, no Jardim Iguatemi, na Zona Sul. Registraram, respectivamente, nota 2,32 e 2,23.

Na 9ª série do Ensino Fundamental, a média municipal ficou em 2,52, um terço do almejado e indicado como meta pelo Governo do Estado, que é 7.

As piores notas ocorreram na Escola Estadual Maria Isabel Rodrigues Orso, no Jardim Adalberto Roxo, na Região Sudeste, com 0,97, e na EE Sergio Pedro Speranza, no Parque São Paulo, Zona Leste, que ficou com 1,81.

Ensino Médio

No Ensino Médio, que registrou a maior queda do nível de aprendizado com média de 1,74, apenas duas escolas atingiram a meta de evolução de notas, mas cresceram pouco. Foram EE Victor Lacorte, no Carmo, Zona Oeste, com 1,74 e EE Augusto Silva César, no Jardim Ártico, Região Sudoeste, que registrou 2,84.

Distante: Regional de Araraquara é a 23a do ranking

Com dez cidades que, somadas as populações, não atingem o total de moradores de Araraquara, a Regional de Educação de Taquaritinga obteve o melhor aproveitamento, com Índice de Cumprimento de Metas (IC) do Índice de Desenvolvimento do Ensino de São Paulo (Idesp).

No ranking das melhores regionais de educação do Estado, Araraquara está bem longe do ideal. Com IC de 0,348, a cidade ficou na 23ª colocação, a metade do IC obtido pela primeira colocada, Taquaritinga, com 0,823. Em Votuporanga, a média foi de 0,613 e São Carlos, 0,414.

 

Fonte: http://www.araraquara.com/noticias/cidade/2011/04/02/escolas-estaduais-caem-em-avaliacao-de-qualidade-de-ensino.html

 

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1 comentário

  1. ANDREIA FARGNOLI · abril 4, 2011

    Carlos Ignácio Pinto
    carlos@klepsidra.net
    Quarto Ano – História/USP

    A Educação é tema das mais acaloradas discussões na contemporaneidade, seja ligada a temas políticos, filosóficos, sociais e universitários. Tentar compreende-la requer um pouco de entendimento sobre seus “modelos” concebidos, bem como as idealizações que se tem a partir destes.

    Tema que permeia toda sociedade, na modernidade nunca esteve livre da alcunha de libertadora da opressão que aflige os povos menos afortunados. Difícil é perceber um discurso político em que a Educação não seja colocada como um dos principais redentores do atraso crônico de várias nações, inclusive o Brasil.

    Mas a que se deve esta compreensão redentora da educação?

    Neste trabalho, mais importante do que a compreensão deste cientificismo de nossa sociedade que lega ao progresso tecnológico a saída do atraso e conduz a educação por este viés, é a percepção de como este discurso é o manto no qual a educação esta envolvida. Muito mais do que o desenvolvimento do indivíduo é preciso coloca-lo dentro deste mundo e incumbi-lo de uma função que tem por premissa, sua colaboração ao desenvolvimento de seu país; é preciso educa-lo.

    A educação é redentora da situação social do indivíduo (quanto mais baixa esta for, pois como diz o ditado popular “o país que constrói escolas, destrói presídios”) e, ao mesmo tempo, fornece subsídio ao desenvolvimento das nações, embrenhadas no desenvolvimento tecnológico e na concorrência de mercado.

    Desta forma, este trabalho busca mostrar como este discurso esta lançado no meio social, sem a intenção de coloca-lo como certo ou errado, mas de como este pode ditar as diretrizes de todo o sistema educacional de uma nação, que no caso do Brasil, ignora suas diferenças culturais em nome de um desenvolvimento, equacionando as diferenças para tentativa da compreensão de um uno educacional, que enxerga as desigualdades dentro de uma disciplina escolar, mas que não se reflete nesta.

    A análise do discurso

    Este trabalho vai usar como fonte de análise, os ensaios escritos por um daqueles que mais escreveu e escreve sobre educação no Brasil, o “imortal” membro da Academia Brasileira de Letras, Arnaldo Niskier. Os textos estão compilados em uma obra chamada “A Educação na Virada do Século” publicado pela editora Expressão e Cultura em Maio de 2001, em que constam vários ensaios do ex-presidente da já citada Academia (1997-2000), e que fornecem dados imprescindíveis à análise. Ao todo são 65 ensaios, dos quais faremos uso de alguns, pois o trabalho não comportaria a análise de todos.

    A Educação Para Arnaldo Niskier

    “Educação
    O maior desafio do Brasil do presente
    e do futuro, o impulso objetivo para a
    redenção nacional…”

    Arnaldo Niskier

    Hannah Arendt (1), ao apontar aquilo que ela determina como a crise da educação mundial, destaca: “Uma crise só se torna um desastre, quando respondemos a ela com juízos pré-formados, isto é, com preconceitos” (2). Se tomarmos este viés, fica claro que como esta colocada à educação no Brasil, sem entrarmos nos trâmites das diferenças que se põem nos projetos que a concebem, perceberemos que a discussão não parte sobre aquilo que possa ser determinantemente novo, mas de como o que já esta concebido, deve ser melhor aplicado.

    Se “… a essência da educação é a natalidade, o fato de que seres nascem para o mundo. ” (3), é a consciência que imputa à criança o status do novo, através da educação, quando esta está voltada a política (reconhecida naquilo que concebemos como projeto do Estado), de novo nada oferece, somente a perpetuação daquilo que já existe, através de uma doutrinação no mínimo tirânica (4).

    Arnaldo Niskier ao tratar a educação no Brasil, não esta pensando sobre a concepção da mesma, pois esta já esta dada: “A educação científica é a educação do futuro” (5). Não é a discussão sobre a mesma, mais que formas ela deva ser aplicada a determinado fim. A educação esta voltada inteiramente ao progresso tecnológico de nossa civilização e o país que neste quadro não se inserir estará condenando a si e a seus cidadãos ao fracasso e a miséria.

    Daí percebermos que o novo, aí colocado, é a tecnologia e não a educação em si. É preciso inserir as crianças em um sistema de aprendizado que não tem ligação com o desenvolvimento intelectual, apenas técnico, na medida em que a educação deve voltar-se para preparação e qualificação da mão de obra do “futuro”.

    Se a tecnologia é o novo, a qualificação da mão de obra esta presa a uma concepção muito mais antiga, ainda inserida no projeto de Estado e que remonta a introdução das indústrias automobilísticas no Brasil dos anos 50 e 60. “Estamos de olhos postos no século XXI e imaginando as transformações que deverão ocorrer no campo da educação. Passaremos da Era Industrial para a Sociedade da Informação – e isso não se faz sem profundas mudanças” (6).

    Perceba que a condição de novo esta dada pela tecnologia e as mudanças da educação pensada a partir desta e não a partir do indivíduo, pois o destino deste já está sacralizado; engrenagem que movimenta a máquina, mais que antes foi preciso alimenta-lo das habilidades específicas necessárias. O que há de novo nisto?

    A tecnologia já esta colocada desde a invenção das máquinas de tecer a vapor. A incorporação do indivíduo ao processo de produção é muito mais antiga ainda. O que a sociedade da informação, determinada como globalizada clama para si é a proximidade relativa dos indivíduos que se comunicam com o mundo todo ao simples toque de um teclado, e a grande vedete do mundo moderno é a capacidade de se informar mais em menos tempo. Mas daí temos uma relação no mínimo, muito estranha. O indivíduo capacitado a sua performance no mundo globalizado, como parte da engrenagem, está sendo alimentado pelas milhares de informações despejadas pela globalização. No entanto, como este indivíduo a pensa? Exatamente como parte da engrenagem. Daí o indivíduo é preparado à nova sociedade somente sob um aspecto, e por mais absurdo que pareça, o da doutrinação, que se olharmos, esteve ligada a sua educação.

    A educação pensada por Niskier desenvolveu meios para pensar este mundo tido como novo? Não! Apenas assim o adjetivou; demonstrou como o indivíduo deve se encaixar nele de forma a retro-alimenta-lo. É a reprodução de si mesmo em diferentes meios, neste caso dado pela tecnologia, já percebida que se instrumentada aos indivíduos através da educação, é tida como redentora das nações. Segundo o autor:

    “Devemos estar preparados, como os norte americanos, para um ambiente de contínua aprendizagem. Treinamento e retreinamento são políticas hoje essenciais ao país, razão que torna a modalidade nascente entre nós de “educação a distância”, amplamente aconselhável. …e será talvez a maior inovação da educação brasileira no início do terceiro milênio, pois poderá se valer de recursos de extraordinário alcance, como é o caso do satélite doméstico de telecomunicações.” (7)

    “O mecanismo a ser estabelecido (a educação a distância) poderá ser útil na educação especial e certamente terá uma prioridade inescapável: pensar a formação e o treinamento de professores e especialistas, nossa prioridade nº 1.” (8)

    Se por um acaso, na citação acima, nós trocássemos a palavra educação por capacitação técnica, perceberíamos que o sentido da frase, do conteúdo e finalidade das idéias não se alteraria; gostaria de lembrar que, ensino a distância no Brasil não é algo novo, e que o Instituto Universal Brasileiro já o faz há muito tempo; a única diferença são os meios.

    Na segunda citação, note que a concepção de educação quando alcança os patamares do ensino universitário, também deve estar voltada as finalidades anteriormente estabelecidas. A formação universitária deve capacitar os profissionais a ensinar ou reproduzir a educação voltada ao mercado de trabalho. Umas das mais inquietadoras citações do livro são as referentes ao ensino superior, que como dito anteriormente, possui sua função. Vejamos como o autor observa o que seria a salvação contra a desvalorização crescente da pós-graduação no Brasil.

    “As pesquisas devem existir e se ligar ao setor produtivo. Assim haverá melhores resultados e não se justificará qualquer corte de verbas que sacrifique esse esforço fundamental.” (9)

    Gostaria de perguntar ao autor sobre a pós-graduação das Ciências Humanas. Deveriam deixar de existir já que dificilmente se encaixam no setor produtivo?

    Esta concepção sobre a educação não é exclusiva de Niskier e um dos maiores defensores sobre este modelo voltado para a tecnicidade necessária ao mercado e que deve buscar favorecer e inserir os menos favorecidos na sociedade de formas mais satisfatórias é Darcy Ribeiro, um dos autores da lei que estabeleceu os cursos seqüenciais universitários que busca poder abranger um maior número de pessoas e capacita-las ao setor produtivo.

    É lógico que a discussão é muito mais abrangente e o buraco um pouco mais abaixo no que diz relação aos cursos seqüenciais, pois o que percebemos é que estes tipos de curso estão se alastrando pelo país, mas por via das universidades particulares que prezam muito mais a conta corrente do aluno do que sua formação, o que afirmo sem a mínima demagogia, e não estou passando pela questão da qualidade, pois como já observado por J. M. Azanha em “Democratização do Ensino: Vicissitudes da Idéia no Ensino Paulista”, esta discussão sobre qualidade é muito perigosa, pois poderíamos incorrer no perigo de querer nivelar todo o ensino com base em uma educação oferecida a muitos poucos ou aqueles únicos que podem pagar por ela.

    A finalidade dos cursos seqüenciais não é atingida subvertendo sua aplicação, servindo até o momento apenas para captação de dinheiro para as escolas de ensino superior privadas, usando-se da propaganda de um curso rápido e de nível universitário. Perfeito para a demanda da sociedade moderna e globalizada de Niskier. Produto embalado e pronto para a venda que possui apenas um inconveniente: o termo Educação na embalagem.

    Conclusão

    Minha idéia neste trabalho não foi determinar o certo ou errado nestes conceitos, mesmo que não conseguindo escapar a algumas observações que provocadamente se fizeram necessárias, mas tentar perceber o conceito de educação ali envolvido e de como a partir deste, os modelos se desenvolvem e se contradizem. Contradizem-se porque no âmago, a formação do indivíduo esta pensada para a finalidade do mercado produtivo e não de auxilia-lo a desenvolver meios para pensar este. Não cria algo de novo, excetuando-se os meios, mas que apenas reproduz a si mesmo, por meio de uma concepção que confere a educação à função de redentora das mazelas do país.

    Acredito que a capacitação técnica seja necessária, pois não há como desta se eximir, visto que estamos inseridos “até o cabelo” neste modelo; entretanto, precisamos discutir o conceito de educação utilizado em nosso país. Qual sua finalidade?

    Se realmente for apenas a capacitação e a inserção menos incomoda do cidadão na sociedade, engrenagem do sistema produtivo, então me calo. Mas se educação como à concebo, está direcionada ao pensamento, a sua transmissão através de uma das coisas mais simples do homem, mais que tanto vem se colocando de lado, o da relação, já tão gritante em Vigotsky, não há como se calar. É preciso que estejamos repensando, como educadores que somos, o que queremos da educação e a partir daí colaborar para que aquilo que acreditamos como o necessário, sem sistema, sem produção, sem inserção ao mercado, apenas a relação do homem consigo mesmo e a partir daí, seu mundo, sempre repensando-o.

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