AS PALAVRAS TAMBÉM MACHUCAM!


 

(*) Humberto Gouvêa Figueiredo

 

 

 

Muitos de nós, ao ouvir falar sobre violência, logo pensa em uma agressão física: um empurrão, um tapa, um chute ou qualquer outro ato que se concretize por contato entre um ser humano e outro, seja ele do sexo que for.

Também imaginamos que a violência tem como resultado sempre uma lesão, uma marca, um sinal, que materialmente pode ser demonstrada e comprovada.

Mas não é bem assim!

É violência ainda qualquer manifestação verbal que tenha por objetivo depreciar uma pessoa em relação a outra.

A violência verbal ou psíquica não deixa marcas aparentes, não apresenta sinais externos, mas provoca um ferimento profundo na alma de quem a sofre e quase sempre permanece com a vítima o resto de sua vida.

Um ferimento físico pode ser tratado com facilidade e quase sempre se cura, se cicatriza, tornando-se imperceptível.

A ferida psíquica até pode ser curada, mas a sua terapia é muito mais complexa e os resíduos que pode deixar, normalmente faz com que quem a sofreu tenha muitas dificuldades para voltar a ser o que era antes.

Muitas mulheres são vítimas deste tipo de agressão: são humilhadas no ambiente do lar com palavras ofensivas que quase sempre se fazem acompanhar de tapas, pontapés ou empurrões.

As pesquisas apontam que, em média, 97% das mulheres que são agredidas física e psiquicamente por seus maridos, companheiros ou conviventes se calam, omitem e preferem não levar ao conhecimento da polícia o crime do qual foram vítimas – calam-se por não ter para onde ir, por não se sentir em condições de criar seus filhos sozinhas e, principalmente por medo de voltar a ser agredidas por seus maridos, porque o Estado não lhe dá garantias concretas do contrário.

Este cenário me assusta! Sendo eu um servidor público da área de segurança a situação se torna ainda mais preocupante, pois minha opinião se embasa por dados objetivos e por uma percepção técnica de quem convive com este problema no dia a dia.

Nova legislação a respeito deste assunto estará vigorando a partir do mês que vem, mas de nada adiantará uma nova lei se o seu resultado final não for atingido: corremos novamente o risco de vermos uma “lei que não pegou”, tal como tantas outras do arcabouço jurídico brasileiro.

Penso que a indignação social deve já partir da violência praticada pelo uso da palavra: esta machuca, ofende e deve ser reprovada pelo conjunto da sociedade.

Se admitida e compreendida como um “erro anão”, consistir-se-á na inauguração de um processo que avançará para estágios seguintes de violência e que poderá culminar até com a morte da vítima.

Cabe a cada um de nós refletir sobre este tema e assumir uma posição pró-ativa na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, onde homens e mulheres sejam semelhantes em direitos e obrigações e não se subjuguem uns aos outros.

É o que penso!

 

(*) HUMBERTO GOUVÊA FIGUEIREDO

Major da Polícia Militar

hgfigueiredo@vivax.com.br

blog: http://capitaofigueiredo.wordpress.com.br

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