A perigosa sabedoria convencional

“Para cada problema humano há uma solução – simples, plausível e errada”
H. L. Mencken

O escritor e economista canadense John Keneth Galbraith costuma ser creditado pela invenção da expressão “sabedoria convencional”, para descrever uma ou mais ideias que são geralmente aceitas pela maioria das pessoas como sendo verdadeiras e ipso facto inquestionáveis.
Minha habitual visita ao Google – antes de fazer qualquer afirmação, nos meus artigos, que possa ser considerada como sabedoria convencional – trouxe-me a novidade de que não foi Galbraith o inventor da expressão. Ele apenas apropriou-se dela para descrever ficções e preconceitos da sociedade americana na segunda metade do século passado (quando parecia que não podia haver nada melhor do que o american way of life; hoje, sabemos que não é bem assim).
Conventional wisdom foram as palavras usadas por pensadores de língua inglesa, em diversas circunstâncias, durante o século 19, sempre para alertar os menos atentos sobre a condução errada que se costuma tomar, por falta de espírito crítico.
O assunto para este artigo foi-me inspirado pela edição de 28/11 de The Economist, que incluiu, entre os seus editoriais, um sobre mudança climática, no qual sugere que a ortodoxia política pode recorrer a formas inusitadas de censura para tentar silenciar argumentos científicos que ameacem contrariar as ideias aceitas. No caso, são os estudos realizados para verificar a natureza e extensão das mudanças climáticas recentes e até que ponto estão sendo afetadas negativamente por atividades humanas, tais como a emissão de gases como o dióxido carbônico. Há cientistas céticos quanto à existência de uma relação de causa e efeito entre elas. Em outras palavras, é possível que simplesmente não exista o tão divulgado efeito estufa.
O fato de as pessoas reagirem negativamente à mera possibilidade de que algo geralmente aceito não seja o que parece – e isso inclui você, amigo leitor (admita…) – constitui-se num enorme paradoxo para uma comunidade que deve defender as liberdades de expressão e de escolha, como a acadêmica, por exemplo.
É importante não ter medo de pensar as coisas até o fim. O efeito estufa pode não existir, mas isso não significa que a poluição, o desmatamento e outras ações predatórias não sejam nefastas. O fato de as leis antifumo atentarem contra as liberdades individuais não quer dizer que o tabaco não faça mal à saúde.
Os fins, contudo, nunca justificarão os meios. Para isso, fomos dotados de inteligência e capacidade de distinguir entre o certo e o errado. Uma sociedade que aceita o cerceamento de ideias e a censura, porque ameaçam uma ideia convencional aparentemente correta e simpática à maioria, está abrindo as portas à situação potencialmente catastrófica da perda total da liberdade de pensamento e de escolha.

* Por J.Roberto Whitaker Penteado, presidente da Escola Superior de Propaganda e Marketing

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