JORNALISTAS DEVEM APRENDER A FAZER A FAZER PESQUISAS DIGITAIS

Tradução e edição: Larriza Thurler

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Jornalistas sabem usar as ferramentas digitais, mas precisam, ainda, aprender a fazer melhor pesquisas digitais. Há poucas desculpas, nos dias de hoje, para estar desinformado e é grande a expectativa com relação a repórteres, opina John Wihbey [Nieman Journalism Lab, 26/9/12].

Por meio da web, é possível encontrar rapidamente dados e estatísticas, sobre os mais diversos temas. Agências governamentais estão criando aplicativos de pesquisa e atualizando-os frequentemente com informações. Ao contrário de uma década atrás, quando muitas informações ficavam nas prateleiras de bibliotecas, ferramentas de busca e bancos de dados como Google Scholar, Microsoft Academic Search, PubMed e Social Science Research Network agora facilitam o acesso a pesquisas. Cerca de 1/5 do material produzido por bolsas de estudos é de acesso livre, gratuito, e esse número deve crescer ainda mais, segundo Peter Suber, diretor do projeto Open Access, de Harvard.

Há, no entanto, riscos de não capitalizar em meio a essa enxurrada de conhecimento. Jornalistas devem ter credibilidade suficiente com sua audiência e serem competentes o suficiente para convencerem seu público, que tem agora uma abundância de escolhas e alternativas. Atualmente, ganha quem entrega o valor mais alto de informações sobre um determinado tema.

Mais especialização

Com a democratização do conhecimento acelerando-se online, a barreira é mais alta para jovens jornalistas. Veículos como The New York Times, The Atlantic e outros, com seus blogs especializados, já estão refletindo essa tendência. Ao mesmo tempo, a grande ansiedade para muitas escolas de jornalismo é como reunir habilidades tradicionais de reportagem com novas ferramentas tecnológicas e modos de entrega. O grande debate para aumentar o conhecimento é como levar conteúdo de pesquisas mais profundo às salas de aula; como tornar a revisão e análise de pesquisa um hábito para estudantes.

As habilidades analíticas presentes no hábito de análise de pesquisa contribuem para a formulação de perguntas mais bem elaboradas, uma avaliação mais rigorosa das declarações, jornalismo de nível maior. Se a grande maioria dos temas já vem sendo estudado há décadas, não há motivos para negligenciar tais conhecimentos.

Sugestões de melhorias

O Nieman Journalism Lab pediu a diversas pessoas – editores que estavam contratando equipe, recém-formados em jornalismo, professores, reitores – para avaliar as escolas de jornalismo nos EUA e oferecer ideias de melhorias. Dan Gillmor, ex-repórter e professor de empreendedorismo em mídia digital da Universidade do Estado do Arizona, levantou sugestões, em post do Nieman Journalism Lab [27/9/12], para tornar a educação em jornalismo mais útil e relevante.

Para ele, as mídias tradicionais adaptaram-se, de alguma maneira, à colisão com as novas tecnologias, mas as escolas de jornalismo como um todo foram mais devagar em reagir às mudanças na indústria jornalística. Somente recentemente adotaram tecnologias digitais em seu trabalho com alunos que planejam trabalhar com as mídias tradicionais. São poucas as que estão ajudando alunos a entenderem que eles devem reinventar seus próprios trabalhos, menos ainda as que os ajudam a fazê-lo.

Ainda assim, o curso universitário de jornalismo sobreviverá por muito tempo – desde que haja algumas adaptações às realidades do século 21. Os princípios de um jornalismo de alta qualidade e de um ativismo por meio da mídia (“mediactivism”, no termo usado por Gillmor), devem estar no centro do ensino. Além disso, ele sugere:

>> Enfatizar que cursos de jornalismo façam parte de programas de artes liberais e, ao mesmo tempo, focar os estudos em ajudar as pessoas a terem conhecimento específico em determinadas áreas para que os futuros jornalistas sejam os melhores nas suas especialidades.

>> Encorajar e tornar um requisito, em determinados casos, ensino multidisciplinar, criando parcerias na universidade, trabalhando com empresas e outros programas como informática, ciências políticas, design, entre outros.

>> Ensinar os alunos não apenas o básico da mídia digital, mas também o valor dos dados e da programação para suas carreiras.

>> Tornar requisito o aprendizado básico de estatística, pesquisa e metodologia científica fundamental.

>> Encorajar a agenda de pesquisa com conexões profundas para assuntos-chave da atualidade. É preciso, mais do que nunca, dados sólidos e análise rigorosa, além da tradução para uma linguagem compreensível a todos.

>> Tornar obrigatório que todos os alunos de jornalismo entendam conceitos de administração, especialmente aos relacionados à mídia. Os alunos de hoje estarão entre os que desenvolverão modelos de negócios de jornalismo de amanhã.

>> Fazer do empreendedorismo parte fundamental para a educação do jornalismo. A Universidade do Estado do Arizona é uma das escolas que o fazem.

>> Convencer o reitor que cada aluno deve aprender princípios e habilidades de jornalismo antes de se formarem, de preferência nos primeiros anos.

>> Levar a importância da mídia no ativismo para além da universidade, por meio de workshops, conferências e treinamento online, com apoio da mídia local.

 

Fonte: Site Observatório da Imprensa

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