Um reconhecimento que me deixou muito feliz!

Ontem à noite, lendo os meus e-mails me deparei com a mensagem que abaixo reproduzo e que me foi encaminhada por uma das pessoas pelas quais nutro a maior admiração na Polícia Militar.

Trata-se do Coronel PM Arruda, personalidade das mais respeitadas na Instituição pela sua capacidade, pró-atividade e, principalmente pela sua cultura.

Não por outro motivo ele ocupa o importantíssimo cargo de Diretor de Ensino e Cultura da PMESP.

Receber a mensagem dele me encheu de orgulho e renovou a minha motivação.

Muito obrigado Coronel Arruda!

Segue a mensagem:

“Caro Figueiredo,

Fui positivamente surpreendido por um amigo que viu meu texto “A Velha Radiopatrulha” em seu blog.

Muito obrigado pelo privilégio de haver sido citado em sua pg. É uma honra ter meu nome associado ao seu, a partir daquele texto modesto, que escrevi despretensiosamente, em um momento em que, liderados pelo Cel Luiz Carlos dos Santos, Cmt da APMBB, empenhávamo-nos para valorizar, no seio da APMBB, a nobreza da atividade-fim.

Fruto dessa mesma época foi a inauguração do monumento ao patrulheiro de RP, na entrada da APMBB ( o que custou, à época, oposições apaixonadas de parte de alguns companheiros, que entendiam que colocar uma RP na entrada do “Ninho” deslustrava a nobreza da Academia) e a “Canção do Patrulheiro”.

Mas tenho o orgulho de partilhar com VSa que quem inaugurou o monumento foi o velho Cel Theodoro Nicolau Salgado em pessoa (morreu logo depois), que viveu o suficiente para ver consagrada sua idéia de uma PM focada no policiamento e no cidadão.

Abs e muito grato pela generosidade

Cel PM Arruda”

 

Aproveito para também reproduzir aqui o texto que publiquei no meu Blog ao qual o Coronel Arruda se referiu e que é de sua autoria:

 

                                               A VELHA RÁDIO PATRULHA

 

 

A velha radiopatrulha

Não era tão veloz;

Mas nenhum meliante, ainda que ágil, escapava à sua guarnição.

Não era tão espaçosa;

Mas dezenas de crianças vieram ao mundo em seu estreito banco traseiro.

Não era tão possante;

Mas retirou bois de piscinas,

Vítimas ilhadas de enchentes,

Motociclistas de precipícios,

Carros possantes e majestosos

De fétidos atoleiros.

 

Não era sofisticada;

Mas rodava no asfalto e na lama, na pedra ou na água, na areia,

E chegou mesmo a cruzar pontes trepidantes,

Sobre as quais nenhum outro veículo se arriscaria a passar.

E como era frágil de aparência…

Não parecia um cavalo fogoso, um tigre ou uma águia:

Era mais parecida com um besouro,

De que, aliás, imitou a técnica de parecer inviável,

Mas de dar certo;

Pois resistia às balas, ao serviço ininterrupto.

às mudanças abruptas de temperatura e a manutenção insuficiente,

e, modesta, só exigia em troca combustível para rodar.

Seu rádio era tosco

Mas acionava todo um povo nas calamidades.

Não poderia ser classificada como bonita ou nobre,

Mas escoltou com dignidade rainhas e presidentes.

 

Não era tão confortável,

Mas serviu de hábitat, dia e noite,

Sob chuva ou sob sol,

A gerações de patrulheiros

Que com ela se pareciam.

Pois atletas, isso não eram

Mas não se tem notícia de que perdessem uma corrida,

Na maratona de perseguir um assaltante.

Não eram pilotos festejados,

Mas eram inigualáveis, rápidos e seguros

na babel do trânsito da cidade,

socorrendo uma vítima ao hospital distante.

Não eram heróis de quadrinho,

E seu cinto, singelo como o de um franciscano,

Não possuía artifícios ou mil e uma utilidades,

Mas salvaram pessoas de carne e osso,

Deram conselhos, reconciliaram casais,

Sorriram e se emocionaram,

Impediram crimes e orientaram crianças,

Fizeram amigos e batizaram legiões de recém nascidos,

 

E algumas vezes, morreram

 

longe de casa, olhando para o teto da Radiopatrulha

E para as estrelas cintilantes muito além,

Seus rostos banhados pela luz intermitente, vermelha, que piscava,

nos braços de seu companheiro de guarnição.

 

Humildes e discretos, poucos os apontavam, reverentes, pelas ruas,

Mas os criminosos os odiavam e temiam,

E os cidadãos de bem, que um dia deles precisaram, os veneravam.

 

Ninguém fez POLÍCIA como eles;

Ninguém era tão versátil como eles;

E ninguém viveu mais intensamente do que eles.

 

A eles, a POLÍCIA MILITAR de nossos dias deve sua personalidade,

Sua autoridade, o respeito que a sociedade lhe devota,

E o que sabe – e sabe muito – sobre como fazer POLÍCIA.

 

E ninguém pode dizer que, um dia, foi PATRULHEIRO,

Sem haver sentido a vibração interior de haver sentado em seu banco,

Operado seu rádio, integrado uma guarnição;

Ou comandado um pelotão de RADIOPATRULHA !

 

                                                                        Cap PM LUIZ EDUARDO PESCE DE ARRUDA

                                                                         dezembro de 1992.

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1 comentário

  1. REINALDO CESAR CAMARGO GÓES · dezembro 18, 2012

    FOI VENDO A RÁDIO PATRULHA “RODAR” E ATUAR QUE EU TIVE A INTENÇÃO DE SERVIR NA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO.

    EMBORA AS CRÍTICAS, NA ÉPOCA FORAM ENORMES, NÃO DEI OUVIDOS E SEGUI EM FRENTE, VESTI A FARDA BANDEIRANTE!

    CHOREI E TAMBÉM SORRI MUITO…

    CONHECI VALOROSOS HOMENS SOLDADOS OU SOLDADOS HOMENS QUE NÃO ESTAMPAVAM NO PEITO NENHUMA MEDALHA, APENAS UM ENORME CORAÇÃO QUE DESEJAVA SERVIR E SERVIR SEMPRE!!

    ERAM O ESPELHO DE PROFISSIONAL E DE PESSOA IDEAIS…

    MUITOS CONSELHOS ME DERAM…FORAM PAI E MÃE MUITAS VEZES NA MINHA VIDA…DEVO MUITO A ELES!

    OS SAUDOSOS SDs RABANEIRA E ORLANDO (PATRULHAM, HOJE O CÉU) QUE CUIDAVAM DO MEU BAIRRO, DA MINHA RUA E ERAM QUERIDOS POR TODAS AS PESSOAS DE BEM E RESPEITADOS PELOS DELINQUENTES.

    QUANDO EU PASSEI NO CONCURSO DA PMESP OS DOIS CHORARAM E ME BEIJARAM COMO SE EU FOSSE UM FILHO PARA ELES…

    HOJE EU ENTENDO O SIGNIFICADO DAQUELAS PALAVRAS E DAQUELES CONSELHOS…RAROS AMIGOS, FIÉIS PROTETORES E ETERNOS PARCEIROS…

    AINDA NOS ENCONTRAREMOS…NAS ESQUINAS DE UMA OUTRA VIDA, NAS FILEIRAS DE UMA OUTRA CORPORAÇÃO, ONDE O CORRELIGIONÁRIO NUNCA É ESQUECIDO…

    OBRIGADO,

    COMPONENTES DA SAUDOSA E EFICIENTE RÁDIO PATRULHA!

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