A TAXA DE HOMICÍDIOS EM SP E A PATRULHA PETRALHA, QUE NUNCA DORME. VAMOS AOS FATOS

 

(Reinaldo Azeved

 

Que coisa! Nem deu tempo de uma reportagem da Folha deste sábado ir ao ar, e já há alguns malas sem alça enchendo o meu saco nos comentários. Motivo? O jornal informa, com base em dados fornecidos pela Secretaria de Segurança Pública (nesse assunto, os estados que omitem informações acabam se dando melhor, o que é um absurdo), que os homicídios subiram 34% na capital e 15% no estado de São Paulo no ano passado. Aí vem a petralhada chata: “Está vendo?”. Um boboca não economiza: “E aí? Ainda vai dizer que o seu querido São Paulo exibe os melhores índices do país?”. Pois é… Vou, sim! Mesmo com esse aumento, São Paulo teve, em 2012, uma taxa de 11,5 casos por 100 mil habitantes e, na minha conta, 12,3 mortos. Vamos ver os números das demais unidades da federação — quando e se forem divulgados…. Se não houve queda substancial, e não creio que tenha havido, o estado ainda estará em último lugar no ranking, segundo informa o Mapa da Violência, à página 24. Muito longe, em dados de 2010, dos 66,8 de Alagoas, dos 57,3 do Espírito Santo, dos 38,8 de Pernambuco ou dos 37,7 da Bahia. Vejam.

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/files/2013/01/mortos-por-100-mil-2000-2010-estados.jpg

Houve, no ano passado, 1.497 vítimas na capital paulista — 13,01 mortos por 100 mil. Aí tenho de remetê-los para a página 48 do Mapa: sim, com essa taxa, a cidade de São Paulo segue sendo a última no ranking das capitais, considerados os dados de 2010. Quem mais se aproximava era Campo Grande, mas com, atenção!, 21,7!

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/files/2013/01/Mortos-por-100-mil-2000-2010-capitais.jpg

A elevação da taxa de homicídio indica que cidade e estado enfrentaram, sim, um problema, mas, como se nota e se prova, muito distante do caos que muitos tentaram vender no ano passado. Parece que o propósito era mesmo derrubar o então secretário de Segurança, Antonio Ferreira Pinto. Os números estão aí. Se São Paulo fosse a terra de ninguém, como queriam alguns, o que seria, então, o resto do Brasil?

 

As conversas moles

Há coisas que despertam na gente aquele fascínio às avessas: a estupefação! Leiam este trecho da reportagem da Folha (em vermelho):

Para a diretora da ONG Instituto Sou da Paz, Melina Risso, a alta da criminalidade mostra que o governo estava adotando uma “política de segurança equivocada”. “Houve um período com alta violência policial e baixo investimento na inteligência. Com a troca de secretário, isso parece estar mudando”, disse. “Violência não pode ser combatida com mais violência.”

Pois é…  A “alta criminalidade”, reitero, É APENAS A MAIS BAIXA DO PAÍS — e, obviamente, muita elevada quando cotejada com padrões civilizados de convivência. Como vocês podem constatar no Mapa, houve uma queda de 67% na taxa de homicídio em São Paulo num período de 10 anos. Eu não sou do “sou da paz”, mas, ainda assim, pretendo fazer justiça aos fatos: nos 12 anos anteriores (de 2000 a 2011), a taxa só caiu; em três desses anos (2009, 2010 e 2011), o secretário era Ferreira Pinto. Também não é verdade que houve “baixo investimento em inteligência”. Lido com fatos, com dados, com números. Melina prefere o proselitismo. Na Folha Marcos Fuchs  escreve um texto que vem sob a rubrica “análise”. Ele é diretor-adjunto de uma ONG chamada Conectas Direitos Humanos.  Qual a expertise dele na área, além de ser ongueiro? Não sei. Não se informa. Sei que ele perpetra maravilhas como esta: “Precisamos de mais do que números para explicar o estado em que vivemos. Assim como precisamos muito mais do que os mesmos discursos de sempre para mudar”. Ah, bom… Como os números não endossam as teses alarmistas, então ele prefere deixá-los de lado. No mesmo texto, afirma: “A recente troca de cargos na Secretaria da Segurança afastou os temores mais imediatos de uma política criminosa de extermínio”. É uma afirmação intelectualmente delinquente. Os dados estão aí. Existe a realidade brasileira, existe a realidade de cada estado, existe a realidade de São Paulo. Fuchs não gosta dos números porque os números não gostam do seu pensamento.

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