O EPISÓDIO “CRISTIANO ARAÚJO” E SUAS LIÇÕES

(*) Humberto Gouvêa Figueiredo

A semana que se encerrou foi marcada pelo fatídico acidente que vitimou fatalmente o cantor sertanejo Cristiano Araújo e sua namorada, Alana Coelho Pinto de Moraes, no último dia 24, quando se deslocavam pela rodovia BR 153, na altura do Km 614, entre Morrinhos e o trevo de Pontalina, no estado de Goiás.
Eu não era fã de Cristiano Araújo e nunca assisti a um único show do cantor.
Até por respeito à memória do artista não tinha me manifestado até então, todavia, penso que até episódios tristes como este nos servem para trazer algumas lições e reflexões e, é sobre isto que tentarei tratar neste meu breve artigo.
A primeira reflexão que este caso me traz é a desmedida sede do ser humano na busca pelo sucesso, pelo espaço midiático e pelo dinheiro: o cantor, que acabara de fazer um show na cidade de Itumbiara/GO, se deslocava para Caruaru/PE, onde se apresentaria no dia seguinte. A agenda de shows incluía ainda várias outras cidades do Brasil nos dias que seguiram ao acidente.
Não quero aqui entrar no mérito de sua carreira e de que ele tinha todo o direito de aproveitar o sucesso do momento para “ganhar mais” e ficar mais em evidência: a sua gana pelo sucesso, pelo dinheiro e pela exposição perante a opinião pública é algo cada vez mais comum entre as pessoas, que simplesmente ignoram valores básicos, simples e muito mais importantes que os “metais” que remuneram o seu tempo ou a sua imagem.
De tudo o que ele ganhou? O que levou de tudo o que arrecadou na carreira?
Nada!
A segunda reflexão é sobre ao desrespeito à vida, ao ignorar regras que tem por objetivo a sua proteção: Cristiano e Alana, que vinham no banco de trás do veículo, segundo indicou a perícia, não utilizavam o cinto de segurança e, por este motivo, Alana foi arremessada para fora do carro, quando ele capotou. Se estivessem com o cinto de segurança, grandes eram as chances de terem sobrevivido: os outros dois ocupantes do veículo, que estavam no banco da frente e que usavam o cinto, se salvaram.
Os dois não são os únicos a não usarem cintos de segurança, especialmente no banco traseiro dos veículos. Não por outra razão, assistimos no Brasil um número assustador de vítimas fatais em acidentes de trânsito.
Ambos, com a perda de suas vidas, apenas deixaram mais evidente o baixíssimo valor que, em regra, damos a este bem jurídico tão importante e fundamental que é a vida!
A terceira e última reflexão que quero trazer é sobre o desrespeito em relação à imagem e memória das pessoas: cada vez mais os seres humanos (se é que é possível tratar todos assim…) na busca de reconhecimento e prestígio pessoal, especialmente nas redes sociais, simplesmente ignoram o seu semelhante.
Poucas horas depois da morte do cantor e de sua namorada já circulava pelas redes sociais vídeos e fotos do acidente e, pasmem, do exame necroscópico realizado no corpo de ambos.
Que mundo é este que vivemos, em que as pessoas buscam se evidenciar, se destacar publicamente, ainda que isso gere traumas e prejuízos incalculáveis a outrem?
Sinceramente não sei onde iremos parar….
E tenho medo de descobrir….

(*) é coronel da Polícia Militar e comandante do policiamento na região de Piracicaba

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