POLICIAL: QUAL O VALOR QUE VOCÊ DÁ PARA A SUA VIDA?

(*) Humberto Gouvêa Figueiredo

 capotamento viatura-g-20110607

É a você policial militar que eu me dirijo neste breve artigo.

Não me leve à mal, não tome minhas duras palavras como a de um inimigo e, se for possível, reflita sobre tudo o que vou escrever.

Você não tem a exata dimensão da sua importância! Você não sabe a falta que irá fazer para a sua família se partir antes do tempo!

Essa é uma afirmação que eu faço e que gostaria muito de não precisar fazer: queria muito estar enganado no meu diagnóstico, todavia, infelizmente, não estou.

Escrevo este texto no dia 07/07, no dia em que foi enterrado, com honras de herói, um Tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo, que servia no 30º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, no Grande ABC Paulista.

O oficial (e sua equipe) ocupava uma viatura policial e estava de serviço comandando um pelotão, quando foi atingido por um veículo que transitava em alta velocidade, fato que acabou gerando a sua morte prematuramente.

A principal razão do falecimento do oficial foi o fato dele não estar utilizando o equipamento de proteção existente na viatura e em todos os demais veículos produzidos no Brasil, e cujo uso é obrigatório: o cinto de segurança.

Comportamento igual ao do oficial em questão são muito comuns (são de fato a regra) aos policiais e constituem-se na causa de inúmeras baixas nas Instituições Policiais, muitas delas definitivas, como foi o presente caso.

Não há razão para policiais não usarem o cinto de segurança: sendo agentes encarregados de aplicar a lei, são obrigados a cumpri-la! Que autoridade ética e moral terá um policial militar para fiscalizar um infrator da lei de trânsito, se ele é o primeiro a desrespeitá-la?

Mas o principal aspecto que me inquieta e que me impulsionou a escrever estas breves linhas é a preocupação que tenho com o pouco valor que os policiais dão às suas vidas.

Em certa oportunidade ouvi um comandante me falar a respeito de sua tese de suicídio inconsciente por parte dos policiais: em seus estudos ele apurou que em muitos casos os policiais militares se expõem a riscos, ignorando os meios e técnicas de proteção individual e do grupo e que tal fato seria proveniente de uma espécie de baixa autoestima ou de uma valoração equivocada de seu grau de importância para a sociedade, para a sua família e para a própria Instituição.

Para mim esta tese tem muito sentido e merece a máxima atenção de que gerencia profissionais da área da segurança pública.

Vale a pena todo esforço para zelarmos por quem tem a nobre missão de zelar pelos seus semelhantes.

Por fim, conclamo a todos os policiais para que usem o cinto de segurança, utilizem todos os equipamentos de proteção, pois as suas vidas são o que de mais preciso temos na Polícia.

(*) é Coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo e comandante do policiamento na região de Piracicaba

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