PRECISAMOS VIRAR O JOGO NA SEGURANÇA PÚBLICA

(*) Humberto Gouvêa Figueiredo

No exato dia em que se comemora um ano do fatídico “7 a 1” para a Alemanha, naquela triste sexta-feira no Estádio do Mineirão, em 08/07/2014, oportunidade em que nós, brasileiros, tivemos a exata noção da nossa pequenez perante uma Nação evoluída em vários aspectos (social, político, econômico e no esporte, em especial no futebol, entre outros), gostaria de aproveitar a ocasião para também despertar a reflexão sobre algo mais que podemos aprender com os países evoluídos, além de reaprender a “jogar bola”.
E de forma objetiva, abordando um tema que faz parte da minha vida, de algo que faço há mais de 3 décadas, vou propor uma breve discussão sobre segurança pública.
É evidente que temos esforços e iniciativas em algumas regiões do País que apresentam resultados até certo ponto favoráveis à geração de sensação de segurança e certo controle da criminalidade, todavia, assistimos o Brasil, enquanto Nação, cada vez mais sendo referenciada pelos seus elevados índices criminais, pela sua enorme taxa de analfabetismo, pelas precárias condições de acesso à saúde e, de forma incisiva, pela corrupção e impunidade.
Vivendo “polícia” há tanto tempo, me vejo na obrigação de publicamente dizer que não são poucas os momentos em que me sinto “enxugando gelo” ou, como sempre citava um grande Comandante Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Coronel Carlos Alberto de Camargo, “enxugando a cozinha com a torneira aberta”.
A Polícia, em sentido lato, seja ela civil ou militar, federal, estadual ou municipal é apenas o 6º estágio de proteção social e, em face da falência de todos os anteriores, que antecedem o seu emprego (família, escola, sociedade, mercado de trabalho, religião, etc) acaba por ser sempre a mais lembrada e a mais cobrada.
Esquecem as pessoas (e a sociedade) que a Polícia atua nos efeitos do problema que é a criminalidade e a sensação de insegurança que dela decorre: o crime seria muito mais facilmente prevenido ou combatido se instituições como a família e a escola conseguissem cumprir o papel que a ela se destinam, o que infelizmente não ocorre.
Certamente teríamos menos criminosos se as pessoas convivessem melhor comunitariamente, se tivessem acesso mais fácil ao mercado de trabalho. Se a renda fosse melhor distribuída neste País de dimensão continental e com tanta riqueza natural.
Mas, se me permitem a comparação com o jogo da Seleção, o sétimo gol, aquele que marcou a humilhação do nosso futebol é, na questão da segurança pública, a impunidade.
Não nos faltam leis, mas sobram muitas brechas para que os criminosos se beneficiem e acabem, na prática, concluindo que vale a pena permanecer no crime.
Enquanto “o jogo” continuar a ser “jogado” desta forma, seremos goleados na segurança pública tanto quanto ou mais do que fomos humilhados no Mineirão.
Quem viver, verá!

(*) é coronel da PMESP e comandante do policiamento na região de Piracicaba

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