MEU DISCURSO DE PARANINFO DO CEFS I/2015

DISCURSO DE PARANINFO

Curso Especial de Formação de Sargentos I/2015 – 29º BPM, 18ª RPM
Solenidade Minas Gerais
Boa tarde, senhoras e senhores!
Boa tarde, queridos(as) afilhados(as)!
Tomado por intensa e imensa emoção recebi e confesso, com muita surpresa, no dia 23 de junho próximo passado, nas dependências do Palace Hotel, aqui em Poços de Caldas, quando para aqui vim acompanhar a passagem de comando da 18ª Região de Polícia Militar, a notícia por parte de meu grande amigo, Coronel PMMG EVAIR, de que meu nome havia sido indicado para paraninfar a Turma do Curso Especial de Formação de Sargentos I/2015.
Emoção em intensidade não menor também tomou meu coração, quando no último dia 14 de julho, recebi em meu Gabinete, na cidade de Piracicaba, uma comitiva capitaneada pelo Major PMMG Campos, confirmando oficialmente a minha indicação e entregando-me o ofício assinado pelo também grande amigo Coronel PMMG Machado, registrando formalmente o meu nome como o paraninfo desta Turma de Graduados da milícia mineira.
Esta é, meus irmãos e irmãs de farda, a primeira vez na minha vida que tenho a honra de ser padrinho de uma Turma de Formandos, civis ou militares.
A Polícia Militar de Minas Gerais, por meio de seus valorosos Sargentos desta Turma, me permite viver um momento ímpar em minha vida, de uma emoção indescritível em palavras e que, por tais motivos, justifica os meus desacertos, em face da inexperiência por nunca antes ter vivido este papel.
É um grande privilégio para mim, um Oficial da Policia Militar do Estado de São Paulo, já no outono de minha carreira, receber a honrosa homenagem, de ser convidado a ser Paraninfo dos formandos do Curso Especial de Formação de Sargentos I/2015 da Gloriosa Policia Militar do Estado de Minas Gerais.
Confesso que me faltam palavras para agradecer tamanha deferência a mim outorgada.
Ouvi, nos muitos aprendizados que me propiciou meu amado Pai, um velho Soldado da Policia Militar de São Paulo que “comer, beber e gozar do fruto do trabalho é um dom de Deus”: ele reproduzia Eclesiastes, 3.
Compreendi, desde muito cedo, o significado do labor e procurei, com humildade, seguir os sacros santos conselhos daquele que foi o meu primeiro professor e comandante.
Paraninfar os trinta e quatro novos Sargentos formados pelo 29º Batalhão de Polícia Militar, da 18ª Região de Polícia Militar, da Policia Militar de Minas Gerais é, para mim, como receber uma joia rara, de imensurável valor, uma relíquia que guardarei ad eternum no escaninho do meu coração.
Distintas Autoridades, Senhoras e Senhores, posso afirmar, ainda que distante fisicamente e tendo-os conhecido pessoalmente em curto espaço de tempo, que os meus(minhas) afilhados(as), garbosamente aqui perfilados, trilharam um longo caminho na conquista da importante graduação de Sargento da milícia mineira, cujo papel, de extrema relevância, é fazer o elo de ligação entre o comando e os colaboradores nas áreas operacionais e administrativas.
Foram 432 horas/aula de intenso aprendizado e enfrentamento de inúmeras dificuldades, todas vencidas com muita dedicação, trabalho e afinco.
Distinguiram-se junto a seus familiares, amigos e a comunidade onde vivem, porque foram perseverantes e determinados.
Abdicaram do lazer, do convívio de seus pais, maridos, esposas, filhos, netos; enfim, de praticamente tudo para alcançarem o ideal de se tornar Sargento de Polícia Militar.
Freud, em uma das suas várias contribuições à ciência disse que “os sonhos não são produto do acaso, mas estão associados a pensamentos conscientes”. Em concordância, Shakespeare recitava que: “nossas vidas são tecidas pelo mesmo fio dos nossos sonhos”. Acredito que esse momento em que se formam é a concretização de seus sonhos: do que se propuseram a sonhar e fizeram acontecer.
Sei o quanto este instante é mágico para cada um de vocês e como ficará para sempre gravado em suas memórias.
Recordo-me de um texto que li sobre o tema “liderança”, e nele pude observar o quanto é relevante o papel do comandante à frente daqueles que comanda. O livro tem como título “Longa Jornada com a FEB na Itália: A Liderança” e nele o veterano expedicionário Geraldo Antônio Sanfelice dizia: “… em Montese, a FEB só teve sucesso, porque “o comandante seguia na frente, junto com a tropa, dando o exemplo de coragem aos subordinados””.
Na opinião dos “pracinhas”, na Segunda Grande Guerra, o fundamental era que o comandante tivesse a confiança da sua tropa. O ideal é que sua imagem se vincule à do líder, daquele que convence pelo exemplo.
Não é diferente de hoje.
Não é diferente do que se espera de um líder hoje.
Isto não é incomum nos dias atuais, especialmente na nossa atividade policial militar. Portanto, honrados(as) Sargentos, convençam pelo seu exemplo. Sejam, verdadeiramente, líderes de sua tropa.
Nesse mister, compreendam o preciso e precioso significado da liderança e o que ela representa.
Ser líder requer, em primeira instância, capacidade de gerir a si mesmo antes de se gerir outras pessoas. Liderar inicia-se e, se finda, num fitar desmedido, crítico e dissimulado sobre nós mesmos.
Ainda hoje muitos profissionais enxergam posições de liderança, como um “palco iluminado”, ou uma oportunidade para “brilhar” e alimentar seus egos, ou ainda, de saciar suas necessidades de autoafirmação.
Não sejam assim!
A liderança exige de cada um de nós muito mais do que competências técnicas, formações acadêmicas, especializações ou apenas puro exercício de poder e autoridade: itens importantes, mas que não se sustentam no mundo em que vivemos.
Por isso, rememoro o sábio Aristóteles nessa ultima lição, que me atrevo a ministrar a todos vocês:
Sargentos, liderem seus homens e mulheres se distinguindo pelo que o ilustre mestre indicava ser a maior virtude de um ser humano: Virtus in medio est. O equilíbrio das coisas. Trabalhem longe dos extremos e sejam justo”.
Ser líder é lavrar na equidistância dos opostos. É ser discricionário.
Liderar, ordenar, não significa desprezar, olvidar a quem quer que seja.
Cultuo as mesmas venerandas crenças e valores advogadas pelo Excelentíssimo Ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Roberto Barbosa que robustece essa ultima lição, por serem para mim, as colunas mestras da virtude aristotélica que citei: Acreditem meus afilhados no BEM, na JUSTIÇA, no AMOR e na TOLERÂNCIA;
Também confiem na GENTILEZA e no BOM HUMOR, como formas de se concretizar esses valores.
BEM – Creio no bem muito além do ideário filosófico que levaram muitos a descrevê-lo, mas poucos a pratica-lo. Penso no bem como a energia pulsante e duradoura que determina a robustez da marcha do progresso da humanidade e da sociedade. Que nos tirou do despotismo, da hesitação, da perversidade, da incivilidade e nos guiou para uma nova era, balizada pelos direitos humanos, pela democracia, pela dignidade da pessoa humana. Da rudeza de uma pedra bruta para o luzidio de uma pedra polida.
O bem se esboça no desejo de ceder ao próximo o que gostaríamos de receber. É o amor ágape, incondicional, fundamento de toda lei e das ações humanas.
É nesse sentimento que se molda toda a conduta policial militar e, por isso, eu, como vocês, um dia sonhei e me tornei policial militar.
Somos pregadores do BEM. Somos vocacionados para o BEM.
JUSTIÇA – Para Aristóteles, Justiça é a disposição da alma que leva as pessoas dela dotadas a fazer o que é justo, agir justamente e desejar o que é justo. Façam bem feito a parte que lhes toca.

Ajam conforme a equidade e procedam de forma proba. Tudo o que é erigido deve ser feito de forma digna.

Não se chateiem quando a justiça parecer tardia ou mesmo falha. Todos agem da melhor maneira possível, creiam nisso como uma verdade. Os ideários tardam para se apossarem e se integrarem à vida das pessoas. Mas o escopo almejado é mais importante do que a sua velocidade.

AMOR – A vida se motiva em função das nossas afeições. O amor dos pais pelos filhos, dos filhos pelos pais (Quanto tempo, aliás, a gente leva nessa vida para descobrir que quem sabia das coisas eram nossos pais?). Confiem no amor próprio (não aquele que os conduz a dizerem que são melhores do que os outros, porque isto não é amor e, sim, orgulho ou vaidade). O amor próprio que valoriza o que cada um de nós é como pessoa humana, nos conduzindo a ter paz e segurança nos caminhos escolhidos. Sejam generosos(as). Pratiquem o amor incondicionalmente, ainda que esta atitude os coloque no risco de cumprirem o juramento do sacrifício da própria vida: rezemos para que isto nunca ocorra, mas se tiver que ser, que seja pelo amor ao próximo. Jamais se esqueçam que somos julgados ao final de cada etapa de nosso trabalho pelo que de graça cedemos a quem servimos e quase nunca conhecemos.

“Bem Aventurados sois vós pacificadores porque serão chamados filhos de Deus”, assim nos ensinou o Divino Mestre Jesus.

TOLERÂNCIA – Exercitem a capacidade de compreender e respeitar os outros, aqueles que são diferentes de vocês. O mundo contemporâneo é feito de pluralismo e diversidade. Há múltiplas raças, religiões, ideologias. É necessário vivermos e trabalharmos pela humanização, por uma harmonia ante as escolhas feitas por nossos concidadãos. Acreditem na razão, na capacidade de compreender e justificar fenômenos e ações e, também na fé, na capacidade de acreditar no que não pode ser visto ou tocado.

Acreditem na igualdade das pessoas. A vida prova cotidianamente que, submetidas às mesmas condições, aos mesmos estímulos, ou às mesmas pressões, as pessoas tendem a reagir da mesma forma. São iguais na sua humanidade, nos seus medos, nas suas falhas e nas suas virtudes.

Lembrem-se trabalhamos na equidistância das coisas.

Por derradeiro, os dois últimos recursos de apreço para vossas vidas para concretização dos valores que mencionei.

GENTILEZA – Ser gentil é como fazer a vida acontecer ao som de uma boa música. A gentileza é um toque de classe em um mundo pragmático, apressado e indiferente. Sejam rígidos no cumprimento dos deveres de vossas atividades, mas as conduza de forma, agradável pela delicadeza de sentimentos ou fineza de maneiras.

BOM HUMOR – Não se levem a sério demais. Sorrir é essencial na existência das pessoas. Trafeguem pela vida com leveza, Sir Charles Chaplin dizia: “Através do humor vemos no que parece racional, o irracional; no que parece importante, o insignificante. Ele, o humor, também desperta o nosso sentido de sobrevivência e preserva a nossa saúde mental. Cada dia que passa sem um riso é um dia perdido”.

Ingressando já no final da minha mensagem, digo a todos(as) que vivemos numa sociedade com elevado grau de hipocrisia, onde boa parte das pessoas só pensa em resolver o seu problema, aquilo que está perto de si e o incomoda.

Por isso sei que nossa missão não é fácil.

Mas por tudo isto a mesma sociedade precisa de seres humanos dotados de muita tenacidade, que nunca desistam dos seus ideais, que sonhem com a possibilidade real de um mundo melhor, mas que mais importante de tudo, que tenham a coragem de lutar por ele. Pessoas menos egoístas, que estejam preocupadas com a qualidade de vida da próxima geração.
Homens e mulheres preparados(as) para liderar!
Meus (minhas) afilhados(as), vocês são esse grupo, que tanto precisamos!
Dignos(as) formandos(as), os senhores e senhoras pertencem a uma destacada categoria do povo mineiro, que modelaram a força policial que hoje é a Polícia Militar de Minas Gerais, nascida com o Regimento Regular de Cavalaria de Minas, de 09 de julho de 1775, em cujas fileiras foram alistados bravos e abnegados homens e mulheres, entre os quais destaco Joaquim José da Silva Xavier – o Tiradentes: Protomártir da Independência e Patrono Cívico da Nação e das Polícias Brasileiras.
Os senhores e senhoras envergam a farda heroica e gloriosa de uma das melhores polícias militares do Brasil! Tenham a exata dimensão da importância da posição que ocupam na Polícia Militar.
ALEXANDRE, ANAIDSON, GARCIA, CARLOS ALBERTO, COSTA, CLECIO, CLENILTON, EDGAR, EDSON, ELISANGELA, EVANDRO, EVERALDO, FABIO, FABIANA, VITOR, FRANCISNEY, GIOVANE, GILMAR, INACIO, IVAN, RODRIGUES, JOÃO RIBEIRO, JOSÉ MARIA, LUCIANO, SOUZA, MARCIO, MARLUCIA, MAURICIO, MONTEIRO, NAIRZO, SALMO, SILVIO AMOEDO, VALDEIR e WAGNER.
Por esta e por outras inúmeras razões não citadas neste meu breve discurso, julgo que cada um de vocês é merecedor da conquista alcançada e, por isto, saúdo a cada um de vós meus afilhados.
E, jamais se esqueçam:
“Lutem com determinação, abracem a vida com paixão, percam com classe e vençam com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito bela para ser insignificante”. Sir Charlie Chaplin.
PARABÉNS!!!

Humberto Gouvêa Figueiredo
Coronel PMESP
Paraninfo da Turma

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1 comentário

  1. Claudinei · julho 31, 2015

    Boa noite a todos que acompanham os postagens deste blog,e quero deixar registrado neste espaço o quanto me orgulho e me apraz estar sob o comando do Sr Cel Figueiredo.

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