OS CARABINEIROS DO CHILE: UMA REFERÊNCIA DE POLÍCIA

(*) Humberto Gouvêa Figueiredo

Carabineiros

Nas minhas férias deste meio de ano tive a oportunidade de viajar para fora do Brasil: tinha o sonho de ter contato físico com a neve e escolhi o lugar mais perto e acessível, o Chile.
Embora o escopo da viagem tenha sido o lazer, o entretenimento e, principalmente, o contato com um outro povo, de hábitos e culturas diferentes do nosso, a viagem de fato me propiciou a chance de conhecer um pouco mais de perto uma Instituição Policial da qual tinha ouvido muitos elogios, porém não conhecia presencialmente: OS CARABINEIROS DO CHILE.
No Chile, assim como acontece nos países mais evoluídos e desenvolvidos do mundo, a Polícia, ou as Polícias (onde existe mais de uma), cumprem o chamado “ciclo completo de polícia”, ou seja, realizam tanto as atividades de prevenção quanto de repressão ao fato antissocial (criminoso ou não), reduzindo a distância entre a ação de polícia e a aplicação da lei, minimizando o tempo de aplicação da medida restritiva ou punitiva ao infrator e, principalmente, excluindo a sensação de impunidade e de baixa eficiência e eficácia na identificação de quem transgride as normas legais.
Lá no Chile, os Carabineiros são a sua Polícia Nacional: atuam em todo território, servindo e protegendo os 17 milhões de habitantes daquele país que cada dia mais se consolida como uma força em nosso continente.
Os carabineiros tem estética militar, usam uniformes e se organizam com base na hierarquia e disciplina, tal como ocorre nas Polícias Militares Brasileiras. Apenas cerca de 15% do seu contingente realiza atividade de investigação (esta é, aliás, a mesma média de outras Polícias que cumprem o Ciclo Completo).
É de impressionar a admiração e o respeito dos chilenos pelos seus carabineiros.
Eles estão presentes em todos os principais pontos da cidade (minha experiência se deu em Santiago, Viña Del Mar e Valparaiso, mas tive informação que isto também ocorre em outras regiões), normalmente à pé e sempre prontos a ajudar e proteger as pessoas.
Nos seis dias que estive no Chile tive pelo menos uns 8 contatos com carabineiros, sempre para pedir alguma orientação. Em todas as vezes sempre tive a melhor das impressões: solicitos, prestativos, educados, preparados para o exercício da atividade policial e para o trato com os cidadãos.
Mas o ápice da minha admiração pelos policiais chilenos e a certeza do sentimento de seu povo por eles veio nas palavras de Felipe, o guia que me conduzia à Estação de Esqui “Farellones”, junto com um grupo de turistas.
Quando iniciávamos o caminho de 42 curvas que levava à Estação de Esqui passamos por uma Base dos Carabineiros, no começo da Montanha, ocasião em que, com muita gentileza, um deles, que estava de plantão, abordou a nossa van para conferir os documentos.
Encerrado o processo, cumprido com respeito e cortesia pelo policial, o guia Felipe dedicou os próximos 10 minutos do nosso deslocamento (cerca de 6 ou 7 curvas…inesquecíveis curvas!!!) para falar dos Carabineiros do Chile: disse que eles fazem parte da instituição de maior credibilidade no país, conhecida por sua eficiência, eficácia, pela sua proximidade com as pessoas e, enfaticamente no testemunho do guia, pela maior de suas qualidades: a incorruptibilidade.
Não sei se de fato Felipe disse a verdade, mas ele comentou que tentar corromper um carabineiro pode custar uma pena de até 5 anos de prisão.
Confesso que fiquei encantado com a defesa que fez o agente de turismo da sua força policial: não estava no contexto ele falar sobre o tema “polícia”, pois seguíamos para uma Estação de Esqui, que nada tem a ver com o assunto.
Vi e ouvi um jovem chileno defender a sua Polícia como a organização de maior aceitação pública no seu país, mais do que as forças armadas, que o Poder Judiciário, Legislativo, Executivo e até a própria Igreja.
Não sei a receita deste sucesso dos policiais chilenos, mas desvenda-la pode ser o começo para o alcance do nosso!

(*) é coronel de Polícia Militar e comandante do policiamento na região de Piracicaba

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2 comentários

  1. Oslei · julho 14, 2016

    Olá Cmt
    Acabei de ler, o texto do Sr, e tive as mesmas sensações que o Sr citou alem do mais, só fiz visita com guia pelo vale nevado, todos os outros passeios foram feitos por conta e com pesquisas na Net e sempre que pairava uma duvida de imediato procurava um Carabineiro, que esclarecia, e seguia o trajeto, Gostei de Santiago achei muito seguro caminhar pelas ruas tanto de dia como a noite
    Att
    Oslei Tobias

  2. Voltaire Fernando Cueto Dumont · janeiro 10

    Vivo en Rio Janeiro u deseo manifestar mi orgullo de ser chileno y tener una Polícia referencia en América Latina
    Por favor escuchar el vídeo de Alexandre Garcia periodista brasileiro

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