QUANDO SE PERDE A OPORTUNIDADE DO SILÊNCIO…

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(*) Humberto Gouvêa Figueiredo

 

Li ontem, 26/6, no jornal Folha de São Paulo um artigo muito infeliz escrito pelo jornalista Paulo Vinicius Coelho, a quem, confesso, até antes de ler o texto, tinha alguma admiração pela forma como comentava o tema “esporte” o que, agora, deixou de existir.

O profissional em apreço, aproveitando-se da linha editorial da Folha, notadamente com posição crítica em relação à Polícia Militar, deu ao seu texto o interessante título “A derrota da Paz” e se enveredou a escrever sobre assunto, segurança pública, que certamente não conhece com a mesma profundidade que futebol, vôlei, basquete, etc…

Em síntese escreveu que é a Polícia Militar de São Paulo a grande responsável por não ter ocorrido o “clássico da paz”, mais precisamente que deixasse de ser cumprida a resolução secretarial vigente no Estado de São Paulo proibindo a presença de torcidas rivais de grandes clubes, no caso específico, de torcedores do Santos e do São Paulo no estádio do Pacaembu em jogo realizado em 26/6.

Mais ainda, disse que os clubes pagam (e caro, segundo ele) pelo policiamento, sugerindo que, como existe o pagamento, as coisas deveriam ocorrer conforme desejam os clubes e não a Polícia Militar. A este respeito, também manifestou sua opinião dizendo ser favorável à retirada da Polícia Militar do policiamento no interior dos estádios, com transferência da atividade para a iniciativa privada (segurança privada).

Resumindo, disse que a PM mais atrapalha do que ajuda!

Vamos então ao contraditório: primeiro é preciso dizer que é aconselhável ao jornalista, especialista em uma área, que antes de se enveredar a escrever em outra, que estude com alguma profundidade o assunto para não transparecer que defende outros interesses, sobre os quais me recuso a tratar aqui.

Jogar a culpa para a Polícia Militar é, no mínimo, estranho…porque não dizer até, suspeito!

A medida de restringir torcidas rivais em grandes jogos foi tomada pelas autoridades competentes depois de inúmeros confrontos, alguns até com mortes, de pessoas que não se portavam nos estádios, nos espaços públicos, nos transportes coletivos, como simpatizantes do time A ou B, mas sim como inimigos em guerra!

Antes de se chegar a esta medida extrema, outras menos “pesadas” foram adotadas, sem alcançar o intento desejado.

Então, caro jornalista esportivo, a PM não promoveu nenhuma derrota da paz; bem ao contrário, trabalha (e trabalhará) incansavelmente para que a tranquilidade esteja presente nos estádios e fora deles e, acredite, se todo o processo que envolve este tema estivesse sob controle da Instituição, a situação seria muito melhor do que o que temos hoje.

São outros interesses, alguns dos quais subliminarmente defendidos no seu texto, que provocam a derrota da paz

Com relação à cobrança pela Secretaria de Segurança Pública (e não pela PM já que os recursos vão para o Fundo Integrado de Segurança Pública – FISP), ela é realizada e completamente cabível: lembremos que o ingresso para assistir uma partida de futebol é pago, logo não se trata de um evento público, mas sim privado.

Todos os que trabalham durante um jogo de futebol das federações brasileiras (federal ou estaduais), ganham: os jogadores, os juízes, os auxiliares e, até os jornalistas esportivos…

Uma pena que o valor pago não seja destinado diretamente aos policiais militares empregados na missão, como retribuição direta de seu trabalho: mas de qualquer forma, eles acabam retornando, via FISP, para compra de equipamentos, realização de treinamentos, investimentos em tecnologia, etc…

Divirjo-me também do autor da matéria em relação ao custo: não creio que seja caro não….acho até barato demais!! Deveria ser cobrado muito mais caro do que é hoje: 1 UFESP por PM, por hora trabalhada.

Basta uma comparação do quanto representa o custo com segurança no mundo afora para se constatar o quanto estamos defasados em relação ao resto do mundo, no que se refere ao emprego de estrutura pública em eventos privados.

Finalmente, quanto à Polícia Militar deixar de realizar policiamento no interior dos estádios, sou obrigado a dizer que concordo contigo… mas a respeito disto, não quero discorrer no presente texto, pois o tema tem uma elevada complexidade, que merece uma abordagem particularizada.

Penso que este processo deva ser construído paulatinamente e que, dele ainda estejamos muito distantes (veja no Youtube o vídeo do jogo entre Atlético Paranaense e Vasco, anos atrás, quando decidiram fazer o jogo sem a presença da PM e apenas com segurança privada), mas é um ideal com o qual também sonho.

Pés no chão PVC….pés no chão…

 

(*) é coronel da Polícia Militar e comandante da região de Ribeirão Preto.

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1 comentário

  1. Coronel Humberto: como é bom poder ter esta oportunidade para cumprimentá-lo por este texto muito próprio para o momento , bem como outros arrazoados ,todos notáveis inteligencia e sensibilidade ,fazendo-nos acreditar ainda mais nesta nobilitante Corporação da nossa garbosa POLICIA MILITAR .PRECISAMOS MUITO DE BRASILEIROS com sua cultura e capacidade de discernimento nos comandos desta nação .Muito obrigado pelos relevantes serviços prestados !Forte abraço ! José Natalino da Silva Gonçalo Limeira ,Thatuybi-SP

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