“POKEMÓNS GO”: E A CULPA SERÁ DA POLÍCIA MILITAR…

(*) Humberto Gouvêa Figueiredo

 

Pokémon-Go

Se algum leitor(a) quiser eu posso apostar: a culpada será a Polícia Militar!

Desde a semana passada foi liberado no Brasil um aplicativo denominado Pokemón Go, do qual eu conheço muito pouco mas, pelo que sei, é um jogo que consiste em utilizar o aparelho celular (e o 3 ou 4G ou o sinal de wi fi) para virtualmente caçar bichinhos pelas ruas, praças e logradouros.

Para fazê-lo as pessoas devem permanecer com o seu aparelho celular ligado com acesso à internet (portando consumindo sinal) e sair andando pelas ruas apontando-o para direções onde existam os tais seres virtuais.

Já é possível notar em alguns lugares das cidades, crianças, adolescentes, “adultescentes” e até “idosescentes”, andando como zumbis, sem prestar atenção uns nos outros e até deixando de ter cautelas no trânsito. Tem gente até caçando Pokemón e dirigindo ao mesmo tempo.

Já se noticiou diversos casos de atropelamentos e acidentes envolvendo pessoas que, caçando Pokemóns  no meio da rua não deram atenção à circulação dos veículos ou aos obstáculos.

Quando as pessoas baixaram o aplicativo, tenho quase certeza de que não prestaram atenção nas regras de aceitação para usá-lo (aliás, quase ninguém faz isso quando baixa qualquer coisa da internet).

A título de esclarecimento informo dois pontos que estão previstos nas regras de aceitação do Pokemón Go e que quase ninguém se ateve:

  • O primeiro é que está previsto pelo proprietário aplicativo que: “Nós cooperamos com agências do governo e companhias privadas. Podemos revelar qualquer informação a seu respeito ou dos seus filhos…”; e,

2) Além disso também ele também prevê  nas regras que “nosso programa não permite a opção “Do not track” (“Não me espie”) do seu navegador”.

Ou seja, os usuários do aplicativo podem (e devem) estar sendo espionados e não tem o direito de se negar a isso…

Mas o ponto central do meu texto é o reflexo do uso do aplicativo no campo da segurança pública: além dos problemas dos acidentes de trânsito, também se percebe um acréscimo no roubo de aparelhos celulares – ao se deslocarem expondo ostensivamente os seus aparelhos, as pessoas se tornam potenciais vítimas de criminosos.

E de quem será a culpa dos crimes? Do desenvolvedor do aplicativo? Do seu proprietário? De quem o baixou? Dos Pokemóns?

Não, de nenhum deles!

Como já vem acontecendo, a culpa será mais uma vez atribuída à Polícia Militar, de quem se cobrará uma presença maior para garantir a segurança àqueles que executam a “relevante” tarefa de caçar bichinhos virtuais.

Sinceramente não sei onde iremos parar…quando se espera que a insanidade do ser humano tenha chegado ao seu limite, percebemos que ainda estamos muito distantes disto.

Triste mundo onde as pessoas perdem o seu tempo caçando Pokemóns…

 

(*) é coronel da Polícia Militar e comandante do policiamento na região de Ribeirão Preto

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