O BATACLAN E O HAITI: RETRATOS DA DESIGUALDADE

 

 

bataclan

(*) Humberto Gouvêa Figueiredo

Há exatos 365 dias atrás extremistas religiosos ligados ao Estado Islâmico invadiram a Casa de Shows “Bataclan”, na capital francesa e covardemente assassinaram quase uma centena de pessoas.
Somados aos ataques que também ocorreram no Estádio de France e num Café de Paris, perto de 150 pessoas foram mortas.
O mundo inteiro se comoveu, mensagens e homenagens foram postados nas redes sociais e divulgadas pela imprensa de todo o Planeta, com intensidade e por longo tempo.
No dia 12 de janeiro deste ano ocorreu um terremoto no Haiti causando uma grande destruição no País, a morte de mais de 200 mil pessoas, ferimento em outras 300 mil, 4 mil pessoas tiveram amputação de membros e mais de um milhão de desabrigados.
A imprensa até noticiou a tragédia por alguns dias, todavia não chegou minimamente perto do destaque que receberam os ataques na França.
Nas redes sociais pouca gente se solidarizou com a dor dos haitianos e não vi qualquer homenagem que tenha chegado sequer perto das que foram feitas aos franceses.
Alguns vão dizer que a indignação foi maior em relação ao que ocorreu na França por conta de que se tratou de um ataque terrorista, enquanto que no Haiti as mortes foram decorrentes de um fenômeno natural.
O cerne da questão é que tanto na França como no Haiti houve a supressão de vidas humanas, em número muito superior no país mais pobre, mas a atenção foi dada em proporção muito maior à nação mais rica.
Nas relações humanas não tem sido diferente: quando, por exemplo, a vítima de um crime é uma pessoa com maior poder aquisitivo, um artista, um político ou alguém com alguma influência, o aparelho do Estado responsável pela segurança e justiça criminal é mais ágil, o que não ocorre quando se trata de um cidadão comum.
Embora na letra fria da lei esteja escrito que somos iguais perante a lei, esta não é uma verdade absoluta: temos foros privilegiados, prisões especiais, prisões domiciliares, imunidades parlamentares e outras tantas circunstâncias que fazem as pessoas diferentes umas das outras: algumas mais poderosas e distantes da aplicação da lei e outras vulneráveis e facilmente alcançadas por penas rigorosas.
Este é o mundo que vivemos: muito diferente do mundo que deveríamos ter.

(*) é coronel da Polícia Militar e comandante do policiamento na região de Ribeirão Preto

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