O VENTRE QUE NÃO PROTEGE MAIS

(*) Coronel Figueiredo

 

Desde sempre ouvimos dizer que o lugar onde o Ser Humano mais estaria protegido seria o ventre materno: lá, no interior do corpo da Mãe, o filho estaria completamente isento de todo contato com o mundo exterior e nada lhe afetaria ou faltaria.

Numa verdadeira engenharia divina, inexplicável em muitos aspectos pela ciência, o filho encontraria no ventre da Mãe uma espécie de bunker, estando defeso de todo tipo de ataque que lhe pudesse ser dirigido.

O episódio recentemente ocorrido na cidade do Rio de Janeiro em que uma “bala perdida” atingiu a barriga de uma Mãe grávida ferindo a ela e ao seu filho, é simbolicamente relevante para refletirmos sobre o nível de degradação em que se encontra a nossa Sociedade, particularmente no que se refere à segurança pública.

Aquele Ser Humano que sequer tinha vindo ao mundo, onde teria mais condições para se defender, estando num lugar de proteção sagrada, foi atingido sem nenhuma possibilidade de defesa: não tem sido diferente com muitas pessoas que, no interior de suas propriedades, casas ou comércios, também são atingidas pela ação de criminosos.

A segurança pública no Brasil está na UTI e muitos insistem em não enxergar este cenário!

Com penas cada vez mais tênues, com processos penais cada vez mais morosos, com recursos e armas para a concretização dos crimes cada vez mais abundantes, com fronteiras com mínima vigilância, os criminosos estão seguros de que vale a pena estar e continuar no mundo do crime.

Se a próxima vítima será um cidadão, um policial, um pedreiro, um comerciante, um empresário, uma Mãe ou um feto, pouco importa…

De outro lado, assistimos uma imprensa que, com raríssimas e elogiosas exceções, mais se preocupa em “satanizar” o aparelho policial do que em fomentar a discussão por alternativas para a reversão do estado caótico em que vivemos: preocupam-se mais com a manchete ou o “furo” do dia do que em contribuir com propostas eficientes para reverter o cenário em que vivemos.

O feto baleado só terá a importância pela quantidade de dias que a notícia chamar a atenção…depois será esquecido!!!

Num País onde nem mesmo o ventre protege, talvez a saída seja mesmo o Aeroporto Internacional….

 

(*) é Coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo

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