NÃO É MERA COINCIDÊNCIA COM O QUE VIVEMOS NO BRASIL

Galinha depenada

Em uma de suas reuniões, Stalin pediu que lhe trouxessem uma galinha. Agarrou-a forte com uma das mãos enquanto a depenava com a outra. A galinha, desesperada pela dor, quis fugir, mas não pode.

Assim, Stalin tirou todas suas penas, dizendo aos seus colaboradores: “Agora, observem o que vai acontecer”.

Stalin soltou a galinha no chão e se afastou um pouco dela. Pegou um punhado de grãos de trigo e, enquanto seus colaboradores viam, assombrados, como a galinha, assustada, dolorida e sangrando, corria atrás de Stalin e tentava agarrar a barra de sua calça, enquanto este lhe jogava uns grãos de trigo, dando voltas pela sala. A galinha o seguia por todos os lados.

Então, Stalin olha para seus ajudantes, que estão totalmente surpreendidos e lhes diz: “Assim, facilmente, se governa os estúpidos. Viram como a galinha me seguiu, apesar da dor que lhe causei?”

Assim é a maioria das pessoas, seguem seus governantes e políticos, apesar da dor que estes lhes causam, pelo simples gesto de receber um benefício barato ou algo para se alimentar por um ou dois dias.

(*) Autor desconhecido

UM INDICAÇÃO A QUEM POSSA INTERESSAR

(*) Coronel PM Figueiredo

 

Capa livro

Estou neste momento me dedicando à leitura de um livro que, presumo, trará muitos acréscimos à minha vida, como aliás, em regra, os livros sempre trazem.
Trata-se da obra que tem como título “O que o câncer me ensinou”: sua autora é Sophie Sabbage, uma mulher que aos 48 anos de idade tem o diagnóstico de câncer no pulmão, com metástase para outros órgãos, inclusive o cérebro e que decide, ao invés do que faria o senso comum, ou seja, escutar os lamentos da família e amigos e os medidas paliativas dos médicos à espera da morte iminente, transformar a dureza da doença em motivo para viver melhor os dias que ainda teria.
Ela inicialmente apenas tinha a esperança de organizar a festinha de 5 anos de sua filha que ocorreria no ano seguinte em que descobriu a doença e quem sabe, com um pouco de “paciência por parte de Deus”, em também comemorar os seus 49 anos.
Teve mais do que isto e não vou revelar aqui por dois motivos: o primeiro para estimular vocês a também lerem o livro e o segundo , porque eu também ainda não o li.
Todo este meu encantamento se dá só por aquilo que li até agora na capa, na contracapa, no prefácio e na introdução.
Estou postando uma foto da capa para que você que se interessar pelo livro, também possa adquirí-lo.
Entre as coisas interessantes que li até agora, apresento algumas delas: o Doutor Francisco Contreras, médico oncologista que atendeu Sophie a define “…Ela se destaca porque ao ser diagnosticada com câncer, em vez de entrar em pânico, começou um processo de descobertas. Sophie incorporou o fato de que a morte é uma parte natural do ciclo da vida, não uma tragédia. Ao afastar a angústia da morte, ela liberou sua energia para focar a vida. Encontrou o renascimento nesta simples constatação: a verdadeira tragédia na vida é vivê-la envolta pelo medo e pela disfunção em vez de saborear cada momento de maneira alegre e repleta de amor”.
Ele ainda prossegue dizendo que Sophie passou a conceber cada dia como um verdadeiro presente de Deus, muito valioso e assim pode desvendar os segredos para o bem estar do seu corpo, de seu espírito e da sua mente, a despeito da coexistência da doença.
Sophie, na introdução ao livro (que é até onde li no momento em que escrevo este texto), dá um testemunho emocionante: “eu sabia que, se eu quisesse ter alguma chance de estar presente no aniversário de 5 anos da minha filha e comemorar com uma grande festa os meus 49, precisava mudar a imagem da situação na minha mente. Não queria negar o que estava acontecendo comigo, mas também não me sentia disposta a aceitar as lúgubres previsões sobre o meu inevitável fim. Ficava furiosa quando as pessoas começavam a se despedir de mim e reclamava com as enfermeiras se elas me tratassem como se eu estivesse num asilo à espera da morte. Eu queria saber cada detalhe da minha situação e rejeitava as interpretações das outras pessoas sobre ela. Estava disposta a deixar o desfecho nas mãos de Deus, não na de meus médicos ou das estatísticas. Pelo tempo que fosse possível eu queria escrever a minha própria história e de jeito nenhum viveria a versão deles”.
Muito embora o tema do livro seja a doença, o câncer,  a forma com que o ser humano (Sophie) lidou com ele, penso que também caiba em outros aspectos de nossa vida: o encerramento de uma carreira com a chegada da aposentadoria, o rompimento de uma relação ou de um casamento, a perda de um ente querido, enfim, tenho a expectativa de que Sophie deve me ensinar bastante, bem como fará a quem, como eu, tiver a iniciativa de se debruçar na leitura do livro.
E para encerrar este meu texto que desta vez foi um pouco mais longo, divido com você o poema escrito por Sophie Sabbage, que se encontra nas páginas iniciais do seu livro, que achei maravilhoso:

TERRA SANTA

Existe um lugar no mapa
onde o mapa acaba.
Sem sinalização ou guia turístico;
sem língua para traduzir
ou cidades com nomes comportados.

Existe um lugar no caminho
onde o caminho acaba.
Sem presunções ou condições;
sem filosofias para seguir
ou profetas para obedecer.

Existe um lugar no horizonte
onde o horizonte acaba.
Sem pores do Sol para encerrar o dia;
sem marés para medir o tempo
ou linhas para nos limitar.

Existe um lugar no planeta
onde o planeta acaba.
Sem países ou pactos;
sem leis para viver
ou crenças para adotar

Existe um lugar no mapa
onde o mapa acaba.
Suas estradas são feitas de luz.
Sua sinalização aponta para o verdadeiro norte.
A revelação é a regra.

 

(*) é coronel da Polícia Militar e comandante da Escola Superior de Soldados

TERMOS DE SUA MISSÃO  

missão

Seguem abaixo as dez regras que deverão nortear o cumprimento de sua Missão aqui na Terra. Cumpra-as integralmente e sem jamais de nenhuma delas desviar:

1º Você receberá um corpo: goste ou não dele, ele será seu durante toda a sua jornada;

2º Você aprenderá lições: você terá o direito de entrar numa Escola que não tem qualquer formalidade, chamada VIDA. Cada dia nesta Escola você terá a oportunidade de aprender lições e poderá gostar delas ou acha-las irrelevantes ou estúpidas, mas necessariamente terá que vivenciá-las;

3º Não existem erros, apenas aprendizados: o crescimento é um processo de tentativa e erro, de experimentação. Tenha em mente que os experimentos “falhos” desempenham um papel tão importante quanto os experimentos que dão certo;

4º A lição deve ser repetida até que seja aprendida: a lição será apresentada a você de diversas formas diferentes até que você aprenda. Só então poderá partir para a lição seguinte;

5º As lições não acabam: não há uma única etapa da Vida em que não há lições a aprender. Se você está vivo, existem lições a serem aprendidas;

6º “Lá” não é melhor do que “Aqui”: quando seu “Lá” se tornar “Aqui” você imediatamente verá outro “Lá” que, novamente parecerá melhor do que “Aqui”;

7º Os outros são apenas espelho de você: você não poderá amar ou odiar alguém a não ser que este algo reflita um elemento que ame ou odeie em você mesmo;

8º O que você faz da sua vida depende de você: você receberá todas as ferramentas e recursos que precisa para as suas lições. O que fará com o que receber dependerá das suas escolhas;

9º As respostas estão dentro de você: as respostas para as provas da Vida estão dentro de você. Tudo o que precisa fazer é procurar, prestar atenção e acreditar; e

10º Você poderá pensar que consegue ou que não consegue: qualquer que seja o seu pensamento, você estará correto.

 

Autor desconhecido.

NÃO SOMOS IGUAIS PERANTE A LEI

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(*) Coronel PM Figueiredo

 

Num país onde existe “foro privilegiado”, “cela especial”, “prisão para personalidades” já nem seria necessário tanto esforço para defender a idéia de que o artigo 5º da nossa Constituição, segundo o qual “todos seriam iguais perante a lei”, é uma verdadeira mentira constitucional!

Temos tantas desigualdades sociais e econômicas, nossa renda é tão mal distribuída, temos tanta gente sem acesso a serviços públicos que garantiriam um mínimo de proteção social que afirmar na nossa maior legislação que vivemos em situação de igualdade beira o absurdo.

Mas eu gostaria de neste meu breve artigo me ater uma comparação entre cargos e situações muito distintas para evidenciar o quanto é falsa a afirmação de que todos somos iguais com base na lei.

Estamos sendo, nos últimos tempos, bombardeados com notícias sobre o processo de votação que deve ocorrer hoje (2/8) ou nos próximos dias na Câmara dos Deputados e que decidirá se o Poder Legislativo autorizará ou não o encaminhamento da Denúncia do Ministério Público Federal contra o Presidente da República ao Supremo Tribunal Federal, que após decidirá se a recebe ou não, dando sequência à Ação Penal ou a suspendendo até o encerramento do mandato do Presidente.

Em síntese, o que se decidirá é se um agente público, no caso o Presidente da República, será ou não processado em face de um crime a ele imputado, com provas tão evidentes e robustas, conforme também foi divulgado pela grande imprensa.

Mas eu queria estabelecer uma comparação (que muitos entenderão absurda!) entre este episódio envolvendo o Presidente e outro grupo de agentes públicos, também sujeitos a serem acusados pela prática de crimes, por dolo ou culpa, os policiais militares.

Enquanto o Presidente só pode ser investigado com autorização dos Deputados Federais (e não da maioria simples, mas da maioria absoluta dos Parlamentares), quando um policial militar no exercício de sua função comete um ato caracterizado como crime, por exemplo, quando ele se envolve em uma ocorrência policial de homicídio em decorrência de intervenção policial, ele é duplamente investigado: pela própria Instituição, através do Inquérito Policial Militar e também pela Polícia Judiciária, por meio do Inquérito Policial.

Não estou aqui pregando que crimes praticados por policiais militares não devam ser investigados: bem ao contrário, defendo que devam sim ser apurados e, eventuais abusos ou condutas não protegidas pelas excludentes de ilicitudes, devam ser punidos pela Justiça, nos termos da lei própria.

Mas não é justo que sejam os policiais militares a única categoria profissional sujeita a um duplo grau de investigação, algo que não ocorre com nenhuma outra.

A única justificativa para tal fato é o descrédito na apuração feita pelo meio originariamente previsto na lei processual penal militar (lei especial que, portanto, na hierarquia das leis estaria em prioridade em relação à norma geral), ou seja o Inquérito Policial Militar.

Importante e talvez desnecessário lembrar que toda investigação poderá ser adiante transformada num Processo Penal e a palavra final será a do Poder Judiciário, mesmo nas hipóteses de arquivamento.

Não se deseja o absurdo da proteção da lei em relação ao Presidente da República, mas não se pode aceitar como normal o exagero e o rigor da apuração em relação ao policial militar, até porque, quem teve oportunidade, aprendeu nos bancos acadêmicos que o Inquérito Policial é peça meramente informativa e tem o único propósito de dar a notitia criminis ao Ministério Público, a quem cabe inaugurar a Ação Penal por meio da Denúncia.

É o que penso!

(*) é coronel da Polícia Militar e comandante da Escola Superior de Soldados.

 

 

SOMOS TODOS A POLÍCIA MILITAR

Policia Militar

(*) Coronel PM Figueiredo

 

Dedico este meu breve artigo a todos os policiais militares, meus irmãos de farda, a quem especialmente o dirijo para reflexão.

Despertou-me interesse em escrever sobre este assunto um pequeno texto que recebi pelas redes sociais, e que me chamou a atenção pelas verdades nele contidas. Não sei o seu autor, por isto não tenho como apontar-lhe como fonte. O texto também não tinha título. Farei uma espécie de interpretação do  que li e incluirei algumas observações pessoais.

Sun Tzu na sua célebre obra “A arte da guerra” apresenta como uma das mais competentes formas de se vencer o inimigo promover a sua divisão.

Nós, policiais militares, fazemos parte de uma Instituição muito forte, com indiscutível lastro histórico, com uma capilaridade no Estado de São Paulo que nenhuma outra organização possui, com princípios e valores solidificados, que claramente nos faz diferente de qualquer grupo social.

Os nossos oponentes (e não são poucos!) preocupam-se com a nossa força e, a todo o momento, buscam forma de nos enfraquecer.

Usam de forma reiterada os ensinamentos de Sun Tzu e tentam nos fracionar, como se fôssemos grupos distintos e não único que somos: põe em lados opostos Oficiais e Praças, quem trabalha na Capital e quem trabalha no Interior, quem trabalha na atividade operacional e quem está no administrativo, quem trabalha na rádio patrulha e quem está na Força Tática, quem é do policiamento ostensivo e quem trabalha em unidade especializada, que é bombeiro e quem está na polícia.

Fomentam a desunião e a desarmonia porque eles têm a certeza de que juntos como estamos, unidos nos mesmos ideais e princípios, somos fundamentais, essenciais à proteção da sociedade e à defesa do estado democrático e de direito.

De forma engendrada, muitos dos que almejam nosso enfraquecimento buscam apoio em alguns daqueles que já estão inseridos na Instituição e que, de dentro para fora, infelizmente, também pregam discursos de desunião.

Como nós, policiais militares, estamos acostumados a dizer, “Juntos Somos Fortes”!

O segredo da nossa força está na nossa união!

Não nos diferenciamos em função das estrelas ou insígnias que usamos, nem pela cor diferente da nossa farda, muito menos pelo tipo de viatura que operamos ou ainda se servimos aqui ou acolá…

Nós somos apenas um: nós somos a Polícia Militar do Estado de São Paulo.

 

(*) é coronel da Polícia Militar e comandante da Escola Superior de Soldados.

 

 

QUANDO SE CONFUNDE POR INTERESSE ESCUSO

Comissão da Verdade

 

(*) Coronel PM Figueiredo

 

Durante a realização de mais um Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) na cidade de São Paulo, num dos momentos em que se discutia o melhor modelo de Polícia para o Estado Brasileiro e a conveniência e oportunidade de aplicarmos aqui no País o que já ocorre em quase a totalidade dos países do mundo, ou seja, a possibilidade da realização do ciclo completo de polícia pelas Instituições Policiais, em dado momento uma representante de um sindicato classista, ao meu ver de forma ofensiva e preconceituosa, se manifestou dizendo que isto seria impossível porque as Polícias Militares são Instituições que, em face de sua disciplina e hierarquia rigorosa e inflexível, não permitiria independência funcional àqueles que praticariam os atos de polícia judiciária, citando como exemplo os inúmeros casos de atuação de policiais militares durante o que chamam de período de exceção ou ditadura militar, provavelmente querendo dizer que teriam agido por determinação de seus comandantes, líderes ou chefes.

Esta manifestação me inquietou e me motivou a pesquisar sobre o assunto para, ainda que de forma reduzida e pouco abrangente, pudesse esclarecer a opinião púbica, particularmente aqueles que tem a paciência de me ler, a respeito do tema pois, ao que percebo, muitos colocam as Polícias Militares neste “balaio de gato” pelo simples fato dela ter no seu nome o adjetivo “Militar”.

O principal ataque que sofremos em quaisquer uma de nossas pretensões é o fato de sermos constituídos com base em preceitos, valores e princípios da chamada estética militar: o que considero uma grande virtude, para os que não desejam uma Polícia Militar mais forte é o maior de nossos defeitos.

Mas vamos ao ponto que gostaria de destacar: não é verdade que a participação das Polícias Militares tenha sido expressiva durante o período dos Governos Militares (eu prefiro esta designação!).

Senão vejamos: em levantamento que fiz tomando como base o Relatório da Comissão da Verdade, instituído durante do governo da Presidente Dilma Rousseft, que teve vários anos de investigação e pesquisa a documentos e ao testemunho de pessoas, além de amplo acesso a todas as informações a respeito de tudo o que se passou entre 1964 e 1985, apurei que foram acusados da prática de tortura 377 pessoas.

Foi elaborada uma relação que teve ampla divulgação nos veículos de comunicação, com a exposição dos nomes dos acusados, da sua condição, cargo ou função exercida, instituição a qual pertencia e a síntese da acusação que pesava contra cada um deles.

A informação é bastante interessante e para ter acesso a ela basta uma rápida pesquisa no Google. Para facilitar, indico um link onde estas informações estão disponíveis: http://g1.globo.com/politica/noticia/2014/12/veja-lista-dos-377-apontados-como-responsaveis-por-crimes-na-ditadura.html

 

O levantamento da Comissão da Verdade indicou que as 377 pessoas apontadas como “Torturadoras”, assim se distribuíam quanto às Instituições a que se vinculavam: 214 pertenciam às Forças Armadas, 107 às Polícias Civis dos Estados, 38 às Polícias Militares dos Estados, 6 à Polícia Federal, 5 Diplomatas, 2 Empresários, 2 Estudantes, 1 Bombeiro Militar, 1 Político e 1 Promotor de Justiça.

Do total de pouco mais de 10% dos acusados pela Comissão da Verdade que pertenciam às Polícias Militares, apenas 4 deles eram policiais militares do Estado de São Paulo, todos praças e originários da extinta Guarda Civil.

A conclusão a que se pode chegar é a de que o argumento infeliz usado pela representante sindical não é verdadeiro: quando interessa causar prejuízo à Polícia Militar os “maldosos” confundem os fatos e imputam aos integrantes à Instituição condutas e comportamentos que eles nunca praticaram e que a investigação aprofundada já comprovou.

Ser militar estadual é, e deve sempre ser, motivo de muito orgulho para os integrantes das Polícias Militares e este atributo, ao contrário do que dizem, é algo que permite e facilita às instituições o exercício de todo o ciclo de polícia, como aliás já acontece em boa parte do mundo e, por meio do Termo Circunstanciado de Ocorrência, nos casos de crimes de menor potencial ofensivo, em quase vários Estados do Brasil, o que conta com aval do Poder Judiciário e do Ministério Público.

Esta é a verdade dos fatos!

Tudo além disso tem outro nome…

 

(*) é coronel de Polícia Militar e comandante da Escola Superior de Soldados

 

 

 

O VENTRE QUE NÃO PROTEGE MAIS

(*) Coronel Figueiredo

 

Desde sempre ouvimos dizer que o lugar onde o Ser Humano mais estaria protegido seria o ventre materno: lá, no interior do corpo da Mãe, o filho estaria completamente isento de todo contato com o mundo exterior e nada lhe afetaria ou faltaria.

Numa verdadeira engenharia divina, inexplicável em muitos aspectos pela ciência, o filho encontraria no ventre da Mãe uma espécie de bunker, estando defeso de todo tipo de ataque que lhe pudesse ser dirigido.

O episódio recentemente ocorrido na cidade do Rio de Janeiro em que uma “bala perdida” atingiu a barriga de uma Mãe grávida ferindo a ela e ao seu filho, é simbolicamente relevante para refletirmos sobre o nível de degradação em que se encontra a nossa Sociedade, particularmente no que se refere à segurança pública.

Aquele Ser Humano que sequer tinha vindo ao mundo, onde teria mais condições para se defender, estando num lugar de proteção sagrada, foi atingido sem nenhuma possibilidade de defesa: não tem sido diferente com muitas pessoas que, no interior de suas propriedades, casas ou comércios, também são atingidas pela ação de criminosos.

A segurança pública no Brasil está na UTI e muitos insistem em não enxergar este cenário!

Com penas cada vez mais tênues, com processos penais cada vez mais morosos, com recursos e armas para a concretização dos crimes cada vez mais abundantes, com fronteiras com mínima vigilância, os criminosos estão seguros de que vale a pena estar e continuar no mundo do crime.

Se a próxima vítima será um cidadão, um policial, um pedreiro, um comerciante, um empresário, uma Mãe ou um feto, pouco importa…

De outro lado, assistimos uma imprensa que, com raríssimas e elogiosas exceções, mais se preocupa em “satanizar” o aparelho policial do que em fomentar a discussão por alternativas para a reversão do estado caótico em que vivemos: preocupam-se mais com a manchete ou o “furo” do dia do que em contribuir com propostas eficientes para reverter o cenário em que vivemos.

O feto baleado só terá a importância pela quantidade de dias que a notícia chamar a atenção…depois será esquecido!!!

Num País onde nem mesmo o ventre protege, talvez a saída seja mesmo o Aeroporto Internacional….

 

(*) é Coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo