ASSIM EU APRENDI!

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Hoje eu perdi o sono mais cedo e me veio à mente tudo o que eu vivi e aprendi na inesquecível Academia de Polícia Militar do Barro Branco, do dia 04 de fevereiro de 1985 até o dia 15 de dezembro de 1988.
Lembrei-me dos valores e princípios que meus mestres, Comandantes e cadetes mais antigos me transmitiram, afirmando que eles seriam essenciais para que eu tivesse uma carreira integra e pudesse um dia, quem sabe, ser coronel da PM.
Recordei-me de ter que entrar em forma para avançar o Rancho e ver seguir na minha frente aqueles que tinham precedência sobre mim, num aprendizado de que a autoridade e a hierarquia deviam ser respeitadas sempre, até na hora sagrada da refeição.
Me veio à mente os Jogos de Inverno, quando também os meus superiores tinham a prioridade na composição das equipes, ainda que eu me achasse mais habilidoso: aprendi a esperar a minha vez, a respeitar os que vieram antes por méritos e, por isto, tinham direito à deferência.
Ao longo de mais de três décadas na Polícia Militar nada perdi por respeitar todo ensinamento que me foi passado.
Sou feliz por ter a certeza de que valeu a pena seguir o caminho do bem, da ética e do respeito ao meu semelhante.
O meu maior professor, o velho Sargento Reformado Figueiredo, meu Pai, sempre me falou: “vale a pena ser honesto, vale a pena fazer o bem, vale a pena respeitar os outros, ainda que isto às vezes lhe faça parecer um bobo”.
Deus esteja com cada um de vocês!

Coronel PM Humberto Gouvêa Figueiredo

O BATACLAN E O HAITI: RETRATOS DA DESIGUALDADE

 

 

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(*) Humberto Gouvêa Figueiredo

Há exatos 365 dias atrás extremistas religiosos ligados ao Estado Islâmico invadiram a Casa de Shows “Bataclan”, na capital francesa e covardemente assassinaram quase uma centena de pessoas.
Somados aos ataques que também ocorreram no Estádio de France e num Café de Paris, perto de 150 pessoas foram mortas.
O mundo inteiro se comoveu, mensagens e homenagens foram postados nas redes sociais e divulgadas pela imprensa de todo o Planeta, com intensidade e por longo tempo.
No dia 12 de janeiro deste ano ocorreu um terremoto no Haiti causando uma grande destruição no País, a morte de mais de 200 mil pessoas, ferimento em outras 300 mil, 4 mil pessoas tiveram amputação de membros e mais de um milhão de desabrigados.
A imprensa até noticiou a tragédia por alguns dias, todavia não chegou minimamente perto do destaque que receberam os ataques na França.
Nas redes sociais pouca gente se solidarizou com a dor dos haitianos e não vi qualquer homenagem que tenha chegado sequer perto das que foram feitas aos franceses.
Alguns vão dizer que a indignação foi maior em relação ao que ocorreu na França por conta de que se tratou de um ataque terrorista, enquanto que no Haiti as mortes foram decorrentes de um fenômeno natural.
O cerne da questão é que tanto na França como no Haiti houve a supressão de vidas humanas, em número muito superior no país mais pobre, mas a atenção foi dada em proporção muito maior à nação mais rica.
Nas relações humanas não tem sido diferente: quando, por exemplo, a vítima de um crime é uma pessoa com maior poder aquisitivo, um artista, um político ou alguém com alguma influência, o aparelho do Estado responsável pela segurança e justiça criminal é mais ágil, o que não ocorre quando se trata de um cidadão comum.
Embora na letra fria da lei esteja escrito que somos iguais perante a lei, esta não é uma verdade absoluta: temos foros privilegiados, prisões especiais, prisões domiciliares, imunidades parlamentares e outras tantas circunstâncias que fazem as pessoas diferentes umas das outras: algumas mais poderosas e distantes da aplicação da lei e outras vulneráveis e facilmente alcançadas por penas rigorosas.
Este é o mundo que vivemos: muito diferente do mundo que deveríamos ter.

(*) é coronel da Polícia Militar e comandante do policiamento na região de Ribeirão Preto

QUEREMOS LHE OUVIR, SENHOR OUVIDOR!

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(*) Humberto Gouvêa Figueiredo

Há alguns dias atrás, cinco jovens residentes na zona leste da cidade de São Paulo desapareceram quando se deslocavam para uma festa e, pouco tempo depois seus corpos foram encontrados na região de Mogi das Cruzes, tendo um deles a cabeça decepada.
Os jovens tinham sido mortos com tiros de revólver 38, porém, próximo aos cadáveres foram encontrados cartuchos de calibre .40 e de 12.
A imprensa, sensacionalista e ávida pelo “furo”, noticiou apressadamente que a munição encontrada pertencia a um lote que teria sido adquirido pela Polícia Militar ou pela Polícia Civil e que, num sítio próximo ao local e que seria frequentado por policiais militares, teria sido localizado um pouco de cal, tudo levando as pessoas a entenderem que o bárbaro crime teria sido cometido por PM.
No embalo dos fatos noticiados vem o Senhor Júlio Cesar Neves, o Ouvidor, mas que de fato vem se portando mais como “Falador” e, apenas com base no que a imprensa tinha falado ou escrito, imputou à policiais militares a prática do crime.
Ele, da forma rancorosa e hostil que tem caracterizado seu discurso quando se refere à Polícia Militar, apontou toda sorte de acusações e inverdades sobre a Polícia Militar, tratando-nos como criminosos contumazes e incorrigíveis.
Mas ontem (10/11) a verdade veio à tona e se comprovou que não foram policiais militares, mas sim um Guarda Civil de Santo André o autor do crime.
Até agora não vi um único pedido de desculpas deste cidadão que tem se aproveitado da função que exerce para, baseado na ideologia que professa, atacar incansavelmente a Polícia Militar, desejando fragiliza-la.
Como comandante de Polícia Militar nas regiões de Piracicaba e de Ribeirão Preto tive a oportunidade de debater com esta pessoa sobre casos pontuais e a mim foi nítida a sua postura destrutiva em relação à PM.
O Ouvidor deve desculpas públicas a todos nós, policiais militares!
Deve pedir espaços nos mesmos veículos de comunicação que usou para nos chamar de “assassinos” para se penitenciar: eu, minha família, meus filhos, meus amigos, meus colaboradores na Polícia Militar merecemos isto.
Concito os nossos representantes políticos na Assembleia Legislativa, nossas Associações de Classe para que adotem medidas em todas as esferas para que o Senhor Júlio Cesar Neves seja mais prudente, responsável e ético no exercício das suas funções.
Este senhor foi contratado e é remunerado para ouvir e não para falar: muito menos falar as asneiras que tem sido comum ouvir da sua boca!
Respeito é bom e nós, policiais militares, gostamos!

(*) é coronel da Polícia Militar e comandante do Policiamento na região de Ribeirão Preto.

Frases para sempre lembrar

“Aprendei e Ensinai!…”
“A essência do conhecimento consiste em aplica-lo, uma vez possuído.” (Confúncio)
“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”
“Tudo o que somos é o resultado de nossos pensamentos” (Buddha).
“Nada há encoberto que não venha a ser revelado; e oculto que não venha a ser conhecido” (Lucas 12:2).
“A realização de seus sonhos começou a ser feita a partir de sua primeira respiração, e só perderá a vigência no momento em que você lançar o último suspiro. Realizar sonhos é uma tarefa que dura todo o ciclo das respirações. O aprendizado é para todas as existências…”.
“Lembrem-se! A Maçonaria não Transforma o Mundo. A Maçonaria muda Pessoas. Pessoas Transformam o Mundo” (Valdemar Sansão).
“Qualquer coisa que a mente do homem pode conceber, pode também Alcançar e Realizar” (W. Clement Stone).
“Tudo o que chega na sua vida (quer seja bom ou mal), você mesmo está atraindo pelo poder da atração. Você atrai todas as experiências sem se dar conta pelo maravilhoso poder de sua mente que funciona sem parar. Você atrai tudo àquilo que teme; Você atrai tudo àquilo que agradece;
“Você atrai tudo aquilo do que se queixa; Só você pode mudar sua vida, ninguém mais pode fazê-lo por você”.
“A água nunca discute com seus obstáculos, mas os contorna”.
“Dê a quem você ama asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar”.
“As pessoas felizes lembram o passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo.”

RESULTADO DE PESQUISA SOBRE ASSUNTOS DE INTERESSE DA SEGURANÇA PÚBLICA.

Nos dias 25 e 26 de outubro realizei uma pesquisa usando a ferramenta do ‘Survey Monkey”, na rede social Facebook.

A pesquisa teve por objetivo saber a opinião das pessoas sobre temas de interesse da Polícia Militar, tais como ‘policiamento comunitário’, ‘ciclo completo de polícia’ e ‘ confiança e conhecimento da atividade policial’.

Foram entrevistadas cerca de 150 pessoas, todavia a ferramenta no seu modo básico permite analisar as respostas penas de 100 entrevistados.

Não se trata de uma pesquisa científica, mas dá uma boa ‘pista’ do que pensam as pessoas sobre a Polícia Militar.

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A POLÍCIA MILITAR MERECE ARMAMENTO SEGURO E DE QUALIDADE

 

 

(*) Humberto Gouvêa Figueiredo

 

Nenhuma pessoa em sã consciência tem dúvida de que o policial, em especial aquele que tem contato mais direto com a comunidade, o policial militar, deve portar uma arma de boa qualidade, apta a garantir a sua segurança e a das pessoas às quais ele serve e protege.

Diferente do que muitos podem pensar, a arma do policial militar é um equipamento de defesa, de proteção e deve ser usado em situações em que o último recurso seja a aplicação da alternativa letal.

Tal como um bom médico cirurgião, que com destreza e habilidade se utiliza do bisturi num procedimento invasivo, assim também deve ser o policial militar em relação ao seu armamento: um paciente não deve ter dúvida em relação à capacidade do cirurgião, nem à qualidade do bisturi que ele usa; da mesma forma, o cidadão não deve temer o policial armado, nem ter desconfiança a respeito das condições técnicas do seu armamento.

Muitas pessoas desconhecem, mas existe a imposição de restrição quanto à compra de armamento das melhores indústrias de armas, com fábricas fora do território brasileiro: a pretexto de garantir a segurança do País, a indústria armamentista brasileira é privilegiada nos certames licitatórios, ainda que a qualidade dos seus produtos seja muito questionada e o preço praticado seja superior ao de produtos similares vendidos em outros países.

São as Policias Estaduais que mais sofrem com este cenário, pois são obrigadas a adquirir armas que falham e que disparam acidentalmente colocando em risco a integridade física e a vida de cidadãos e dos próprios policiais.

A luz no fim do túnel pode ter se apresentado no último dia 24/10, quando de forma corajosa e inédita a Polícia Militar do Estado de São Paulo, por meio do seu Centro de Suprimento e Manutenção de Armamento e Munição (CSM/AM), aplicou a sanção administrativa de proibição de licitar por 2 anos com a Administração Pública à Indústria Forjas Taurus, empresa vencedora das últimas licitações para a compra de armamento pela maioria das Polícias do Brasil.

Depois de analisados os recursos que certamente serão apresentados pela Taurus, se mantida a punição, poderá ser viabilizada a possibilidade de compra de armamento de melhor qualidade e mais barato na indústria internacional.

Assim esperamos, para o bem da Polícia e da Sociedade.

(*) é coronel da Polícia Militar e comandante do policiamento na região de Ribeirão Preto

MINHA MANIFESTAÇÃO SOBRE A MATÉRIA DO PROGRAMA “FANTÁSTICO” EM 23/10

Sobre a matéria exibida há pouco no Programa Fantástico, apresento as minhas ponderações:
1º A Policia Militar tem uma Corregedoria Forte, Atuante e que corta na carne quando é preciso;
2º Não há corporativismo: bandidos que se travestem de policiais não são aceitos na Instituição…são descobertos, presos e demitidos ou expulsos;
3º A Instituição goza de respeito por parte da comunidade e das autoridades sérias e sem ideologia enviesada, como é o caso do atual Ouvidor das Polícias, que claramente exterioriza sua posição sempre contrária à Polícia Militar; e,
4º Quem é policial militar correto, comprometido e que segue os princípios, deveres e valores, deve sentir-se feliz quando se consegue identificar, prender e expulsar quem nos desonra por usar a mesma farda que usamos.
Assim eu penso!

Humberto Gouvêa Figueiredo, Coronel PM, Comandante do CPI-3

DAR VALOR A QUEM MERECER VALOR

(*) Humberto Gouvêa Figueiredo

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Quando elegi a “priorização da atividade operacional – o policiamento ostensivo” e o “fortalecimento institucional e político da Polícia Militar na região de Ribeirão Preto” como dois, dos seis eixos estratégicos do Plano de Comando para o CPI-3, não o fiz sem uma justificada razão: valorizar quem exerce atividade primordial da Instituição e zelar pela sua defesa são duas missões de muita relevância para quem gerencia a polícia ostensiva numa região de tão elevada complexidade, quanto é a da “Califórnia Brasileira”.

O homem e a mulher que trabalham no policiamento ostensivo, estes mesmos que suportam uma carga horária de trabalho muito acima da média dos demais trabalhadores, que se submetem a condições insalubres para o cumprimento da sua missão, suportando o desgastante sol dos dias de verão e o frio intenso das noites de inverno, carregando em seu corpo um conjunto de equipamentos que chegam a pesar até 4 quilos, devem ter de quem os supervisiona, gerencia e dirige o amor fraternal, o respeito, a consideração e a valorização.

São eles e elas, os patrulheiros e patrulheiras, que estão na linha frente, que mediam e resolvem conflitos o tempo todo e que aplicam a lei na prática, no caso concreto, evitando que centenas de milhares de casos se judicializem. Lidam com situações complexas, e não poucas vezes expõe a risco aquilo que tem de mais preciso: a sua vida!

Valorizar os policiais militares, reconhecê-los na sua individualidade e acolhê-los como o que de mais importante temos na Polícia Militar deve ser o papel e a postura de todos aqueles que lideram tão nobres e importantes seres humanos.

De outro lado, ao se fortalecer a Instituição perante a comunidade, ter-se-á como resultado a valorização dos policiais militares também pelas pessoas a quem eles servem.

A ação deve se dar no sentido de fazer com que a sociedade conheça a verdadeira face da Polícia Militar, os seus valores, os seus princípios, de modo a compreender que os cidadãos que escolhem ser policiais militares, fazem a opção pelo bem, pelo certo, pelo justo e, por isto tudo, merecem ser tratados distintamente.

Não é uma tarefa fácil, uma vez que os erros que os policiais militares cometem (e que acontecem porque sendo seres humanos estão sujeitos ao erro), normalmente são apresentados com uma crítica desproporcional, acompanhados de adjetivos ofensivos do tipo “despreparados”, “violentos”, “truculentos”, entre outros.

Sigamos em frente, na esperança de que um dia esta realidade seja alcançada.

 

(*) é coronel da Polícia Militar e comandante do CPI-3

‘A cada dia, mais alternativas pro criminoso ficar impune’

Foto de: William Borges/Comércio da Franca

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Coronel responsável pelo Comando de Policiamento do Interior, com sede em Ribeirão, Figueiredo quer aproximar a sociedade da polícia, defende leis mais rígidas e o fim da burocracia

 

Novo comandante da Polícia Militar na macrorregião de Ribeirão Preto, que abrange Franca e outros 92 municípios, o coronel Humberto Gouvêa Figueiredo, 48, é um homem que defende a união entre polícia e a população.

Ele começou na PM como aspirante a oficial, em 1988. Desde então, não parou mais. Tornou-se segundo tenente no ano seguinte e primeiro tenente em 1990. Em 2001, capitão; major, em 2009; e em 2013, tornou-se tenente coronel. Há dois anos, passou para coronel. Todas as suas promoções foram por merecimento. Passou por sua terra natal, Araraquara, e também por São Paulo, Limeira, Matão, São Carlos, Piracicaba e, desde março deste ano, está em Ribeirão Preto.

Na última terça-feira, Figueiredo esteve em Franca. Desde as primeiras horas do dia, conversou com políticos na Câmara Municipal, policiais, profissionais da imprensa, figuras da segurança pública e advogados. Já no final da tarde, recebeu a reportagem do Comércio no 15º Batalhão da PM e falou sobre sua trajetória, violência que assola a cidade e a fragilidade da legislação brasileira.

Por que o senhor decidiu ingressar na Polícia Militar?
Meu principal incentivo foi meu pai. Ele começou como soldado da PM e aposentou-se sargento. Desde pequeno, frequentei o quartel e comecei a e vivenciar aquilo. Tendo colegas que decidiram seguir a carreira de oficial, fiquei ainda mais interessado e prestei o concurso. Tenho a absoluta convicção de que fiz a escolha certa na minha vida: a de servir a sociedade. De nutrir esse sentimento de fazer algo pelo outro, algo que a PM permite através de intensa atividade e dedicação. É evidente que é um trabalho que te exige muito e que precisa de 100% de vocação. Não adianta nada querer ser policial sem ter vocação para isso.

Quais são os principais desafios e o norte de seu trabalho, estando à frente de 4.000 policiais?
Tento implantar o modelo de liderança servidora. Gosto de estar junto do meu efetivo e de trabalhar lado a lado. Desempenhar a função em equipe. Busco implantar isso por onde passo, pois foi o que vivenciei durante o comando de pelotão de Força Tática. A relação é diferente. É mais próxima e unida. Externamente, o conceito de polícia comunitária tem sido cada vez mais utilizado. É necessário envolver a comunidade e, por isso, a cada três meses, realizamos audiências públicas, promovemos ações sociais e deixamos as portas do quartel abertas para que as pessoas conheçam nosso trabalho e saibam que podem contar com a polícia.

Como a sociedade pode ajudar a Polícia Militar?
É imprescindível a participação e ajuda das pessoas. Ir nas audiências públicas, acionar o 190 sempre que notar algo suspeito e observar a presença de viaturas e policiais nas ruas são exemplos do que é possível fazer e para mostrar que essa parceria funciona. Costumo comparar a polícia ao serviço do carteiro. Frequentemente, há a reclamação de que não se viu viatura passando pelo bairro. É o mesmo que acontece com o carteiro. Não o vemos entregando as cartas, colocando-as nas nossas caixas. Mas elas chegam. É igual ao trabalho da PM. Vocês não nos vêem o tempo todo, mas estamos sempre olhando por vocês.

Nas audiências públicas realizados com a população, quais os pontos principais que ela traz para debater e buscar soluções?
Não buscamos apenas que a população traga demandas. Queremos trazer e receber diagnósticos. Segurança não é algo tangível e por isso precisamos da participação da sociedade com as soluções. Diante de uma mesma circunstância, você pode se sentir segura e a outra pessoa não. Há relatos de cidadãos que moram no mesmo bairro, na mesma rua, e um sente segurança, enquanto o outro não. Muitas vezes, a desinformação gera insegurança. Nas audiências, quando alguém menciona um homicídio que pode ou não ter ocorrido em sua região, eu tento esclarecer. Quando ocorre um crime por conta de envolvimento com drogas, por exemplo, mostro para o cidadão que, se ele não estiver dentro desse grupo de risco e envolvido com drogas, não se tornará uma vítima e não precisa se preocupar.

Em Franca, os roubos de veículos foram recorde em agosto. Foram 12 crimes dessa natureza. Furtos também têm crescido. São esses os crimes que mais preocupam a PM? Como combatê-los?
Há uma preocupação e dificuldade em relação aos roubos e furtos de veículos. Isso foi narrado quando conversei com os capitães das companhias de Franca. Mas não é uma realidade apenas da cidade e não é incomum um caso que o furtador do veículo, preso pela PM, tenha outras 12, 13 passagens pelo mesmo delito. Ele continua no crime porque, para ele, compensa. O legislador decidiu que as penas mais severas são para os crimes contra a vida. Então, alguém que pratica crimes contra o patrimônio, tem ficado pouco tempo na cadeia. Nos lugares onde há audiência de custódia, quem pratica furto de veículo, sai no dia seguinte. Isso faz com o que o ladrão de carro, aquele que revende um veículo por R$ 1000, lucre R$ 3 mil se furtar três automóveis por dia. Poucas pessoas no País ganham isso em 24 horas. Como não há punição severa e ela não é maior que o risco para o bandido, logo que ele sai do sistema prisional, volta a roubar para recuperar o ‘dia perdido’ e a lucrar com o crime. Quanto aos roubos, realmente tivemos um aumento. Especialmente quando aparelho celulares são levados. É um equipamento caro, que pode custar mais de R$ 4 mil, e que as pessoas não têm cautela ao usar no meio da rua. Ao ser roubado, é um objeto de fácil comercialização e de ser passado para frente. Tudo isso dificulta a atuação da Polícia Militar e, sem a ajuda da sociedade, em denúncias e tendo cautela, não temos como agir efetivamente.

Como lidar com a criminalidade contando com um efetivo aquém do ideal?
Nosso problema não é o efetivo ser abaixo do necessário ou não. Trata-se de eficiência. Hoje, um PM vai atender uma ocorrência e, se prender alguém em flagrante, fica seis horas em um distrito policial para registrar o caso. Se chega na Polícia Civil para fazer um simples boletim de ocorrência, fica duas horas, tempo que poderia estar nas ruas, fazendo patrulhamento. Esse modelo em que a PM faz uma parte do processo e a Civil outra, está ultrapassado. Os estados que avançam nesta área, como Santa Catarina e Rondônia, têm como base a eficiência. O melhor modelo seria, então, ciclo completo para as duas polícias. PM, além da prevenção, faria a apuração e repressão imediata de crimes com menor potencial ofensivo, que são 80% dos problemas. Os furtos, brigas de casais, perturbação de sossego alheio, são um exemplo. Seria muito mais simples se, ainda no local, o policial registrasse o fato e já marcasse a audiência, como em Santa Catarina.

A que fatores o senhor atribui o aumento da criminalidade no País?
O que temos hoje é que, antes de toda essa parte, há um conjunto de cinturões sociais que deveriam atuar e, que, por não cumprirem seu papel, fazem o problema estourar na Polícia Militar. Começa lá na família, primeiro eixo de tudo. Depois, vai para a escola, que também deveria ser um cinturão social. Quantas vezes não somos acionados para resolver problemas escolares e indisciplinas? Não deveríamos. Se o problema acontece dentro da instituição, ela que deve resolver. Entramos em casas e escolas para solucionar problemas que, na realidade, são desses cinturões sociais. Só depois deles que a Polícia Militar deveria intervir. Ela, sozinha, não consegue combater tudo.

Os ataques aos bancos da região têm se tornado cada vez mais recorrentes. O que a PM faz para prender as quadrilhas? Há uma atuação especial nesses casos?
Sei que podem dizer que a explosão de um banco gera insegurança e afeta a tranquilidade da população. Claro que, por isso, há uma preocupação em prevenir crimes tanto contra bancos quanto estabelecimentos comerciais. Quando ocorrem esses ataques, há um plano de ação em que avisamos as áreas e aviso às unidades de modo que haja um posicionamento de policiais para a captura dos criminosos. Mas não é algo tratado como prioridade na PM. Os direitos dos banqueiros são iguais aos dos donos de farmácias, padarias e postos de combustíveis atacados por bandidos. Não tem distinção e não vejo razão para um policiamento específico apenas nas agências.

Agências dos Correios também têm sido alvo dos ladrões. Foram 12 ataques neste ano na região de Franca, sendo cinco apenas no mês de setembro. Elas são um alvo fácil?
O Correio se enveredou para uma área em que se aproxima muito de um estabelecimento bancário e não oferece as mesmas condições de segurança que a legislação cobra dos bancos. Antes, era só encaminhar correspondência. Hoje, faz-se tudo na agência dos Correios. Evidente que precisamos ter atenção aos ataques frequentes, mas é o mesmo caso dos bancos. Não haverá privilégio a determinado segmento com o pretexto de que tem uma atividade específica.

Boa parte dos flagrantes de roubos e mesmo homicídios envolve adolescentes. Como o senhor enxerga a inserção do menor no crime?
É algo preocupante. Temos vistocada vez mais crianças e adolescentes no mundo do crime. Não tem surtido efeito a punição dada ao adolescente infrator. Ele só pode ser apreendido quando o crime é feito mediante grave ameaça ou violência. Por não ter essa punição, ele continua praticando. Outro aspecto que interfere é que existe uma ação pública contra a Fundação Casa, proibindo que tenha uma população prisional superior a 10% da sua capacidade. Hoje já está com o máximo que pode. Então, quando um adolescente é apreendido em Franca, outro, seja em qualquer cidade, certamente é liberado.

A redução da maioridade penal seria uma solução?
Confesso que, pessoalmente, eu, Humberto Gouvêa Figueiredo, até há pouco tempo, acreditava que não. Como policial militar e diante do que tenho visto, hoje, acho que seria uma solução. Alguma coisa precisa ser feita. E logo. A cada dia, há mais alternativas para o criminoso ficar livre e impune do que faz.

Um menor de 16 anos está envolvido na tentativa de furto à casa de um PM em Franca. O policial reagiu e efetuou dez disparos. Seis acertaram as vítimas o adolescente se feriu seu comparsa morreu. Como o senhor analisa a situação? Pelos disparos, acredita que faltou preparo ao policial?
De forma alguma. Ele agiu como alguém que vive em um estado onde mais de 100 policiais militares foram mortos de janeiro a outubro deste ano. Vários deles morreram na frente de suas mulheres e filhos. No caso desse PM, que estava em sua casa com a família, viu a residência ser invadida e até se identificou como policial. Quem estava lá, não se intimidou. Podem não ter acreditado no que ouviram. O PM, por sua vez, não tinha condições de saber se os dois ladrões estavam ou não armados. E tinha todo o direito de proteger sua família e propriedade. Agiu em legítima defesa. Esse foi o mesmo entendimento que teve o juiz que lhe concedeu a liberdade, horas depois do ocorrido.

Frequentemente, vemos a sociedade e a mídia discorrendo sobre a postura da PM quando há confronto com bandidos e estes morrem. O que o senhor pode dizer sobre os treinamentos polícia em situações de risco e diante de críticas?
O grande problema é que a atividade da polícia se relaciona diretamente com conflitos. Atuamos para mediá-los e resolvermos os problemas. É comum que a gente desagrade uma parte. Com isso, vem aquela frase de “a polícia é despreparada e opressora”. Claro que temos quem erre aqui dentro. Mas quem erra, é responsabilizado. Não faz nenhum sentido esse discurso de opressão que muitos fazem.

 

Fonte: http://gcn.net.br/noticias/335598/franca/2016/10/a-cada-dia-mais-alternativas-pro-criminoso-ficar-impune