APENAS UMA REFLEXÃO…

(*) Coronel PM Figueiredo

Muito estranha a ação das polícias e das Forças Armadas, numa operação realizada “aos atropelos”, sem qualquer indício de planejamento mais sério, no complexo de favelas da Rocinha e no seu entorno, bem no período em que acontecia o Festival “Rock In Rio”.

Acompanhei muito de perto os noticiários sobre as ações que, como em outras oportunidades, foi prioridade de uma emissora de televisão, cujo nome nem quero dizer, e que tinha um enorme interesse comercial no Festival.

Prestei atenção na quantidade de vezes que citavam sobre o posicionamento dos militares e a garantia do acesso ao Rock In Rio…tudo muito estranho….aliás, tudo muito dentro do que se esperava da emissora.

Vamos ver quanto tempo vai demorar esta operação e a cobertura jornalística?

Espero estar errado, mas nos próximos dias deveremos esquecer que a Rocinha existe e quem mora lá que se vire para se autodefender ou se submeter à liderança do crime organizado que contaminou o Rio de Janeiro.

Quem viver, verá!!!

(*) é comandante da Escola Superior de Soldados da PMESP

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JÔ E A OPORTUNIDADE PERDIDA

(*) Humberto Gouvêa Figueiredo (Coronel Figueiredo)
Gol de mão
O último domingo, dia 17/9, poderia ter sido um dia histórico para o futebol brasileiro, para o esporte no Brasil e, porque não dizer, para o próprio País.
O time que lidera o campeonato, mas que no segundo turno não repete o mesmo desempenho, o Esporte Clube Corinthians Paulista, mais uma vez não fazia uma boa partida e apenas empatava com o clube carioca do Vasco da Gama, jogando em casa, no Estádio sobre o qual recai fortes indícios de superfaturamento e de corrupção para a sua construção.
O jogo seguia morno, quando no segundo tempo, num lance de contra ataque corinthiano, um cruzamento é realizado ao principal atacante do time, o centroavante Jô, que se joga ao encontro da bola e, com o braço direito a empurra para dentro do gol.
O lance ilegal não foi apontado nem pelo Juiz principal da partida, nem pelo quarto árbitro que estava a cerca de 3 metros do lance e muito menos pelo “bandeirinha” que acompanhava a jogada na lateral do campo.
Também não o foi pelo autor do lance irregular: Jô preferiu o silêncio e saiu comemorando na direção da torcida como se nada de anormal tivesse ocorrido.
A partida terminou 1 a 0 para o Corinthians e interrompeu a sequência de maus resultados da equipe até então.
Este episódio não é exceção entre tantos erros que já houve e não foram apontados pela arbitragem no futebol brasileiro e mundial…
Também está muito longe de ser a primeira vez que um jogador comete uma infração e se omite em apontar o seu erro, que poderia resultar na anulação do lance.
O histórico gol de mão de Diego Maradona na Copa de 1986, no México, um dos maiores erros cometidos pela arbitragem é ainda comemorado por muitos (argentinos ou não!!!) como um “lance de gênio”, esquecendo-se que foi uma fraude que contribuiu para um Título Mundial.
Mas os tantos erros de árbitros já havidos no passado, não diminuem o tamanho do equívoco e da oportunidade que Jô perdeu para dar a sua contribuição para a nossa sociedade, tão contaminada por condutas erradas, ludibriosas e criminosas.
Há tempos atrás, o mesmo jogador, Jô, havia sido beneficiado num jogo contra a equipe do São Paulo, tendo sido injustamente advertido com um cartão amarelo pelo árbitro por ter supostamente pisado no goleiro da equipe adversária, quando de fato o “pisão” teria sido dado pelo jogador são paulino, Rodrigo Caio, que, naquela ocasião, honestamente assumiu isso: o cartão que suspenderia Jô da outra partida foi cancelado, ele pode jogar o segundo jogo da final e, inclusive, fez o gol decisivo do campeonato.
A conduta de Rodrigo Caio foi comentada positivamente por muitos mas, infelizmente, reprovada por um número expressivo de pessoas (a maioria delas torcedoras do São Paulo).
Mas voltando a falar de Jô, ele se define como um “homem de Deus”, alguém que se reencontrou depois de muitas “cabeçadas” que deu na vida: mas a analisar-se pela sua postura no último domingo, pode-se concluir que ele está muito longe disto ainda…
Talvez tenha lhe passado pela cabeça a pressão e a incompreensão que poderiam ter consigo os mais de quarenta mil torcedores corinthianos que estavam no Itaquerão…talvez tenha lhe passado pela mente que a ausência de vitórias nos últimos jogos devia ser superada…talvez até tenha ele imaginado que aquele gol lhe desse mais prestígio e o ajudasse a buscar a artilharia do campeonato e quem sabe melhores condições na renovação do seu contrato…
Ele só não pensou na contribuição que traria para a sociedade se tivesse assumido a ilegalidade e praticado um ato de honestidade!
Jô se esqueceu, ou talvez não tenha aprendido, que o EXEMPLO é a mais eficaz forma de transmissão de conhecimento.
Não refletiu que por em prática no campo de futebol aquilo que certamente ouve e assiste nos cultos religiosos que participa poderia ter ajudado a escrever uma página bonita na história do Brasil.
A vitória do Corinthians teve pouco relevo: comentou-se mais da irregularidade do lance, da injustiça contra o Vasco da Gama e da dúvida quanto ao caráter do atleta…
Fala-se que “gentileza gera gentileza”, mas o episódio em questão indicou que para Jô, esta não é uma verdade absoluta.
E assim, continuamos a ser o “País do Jeitinho”….até quando?
(*) é coronel da Polícia Militar e comandante da Escola Superior de Soldados

DECISÃO MONOCRÁTICA DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO EXTINGUE MANDADO DE SEGURANÇA QUE FERIA A LEGISLAÇÃO PENAL MILITAR

Com um sentimento de orgulho e com a “alma lavada” tive conhecimento da decisão monocrática do Desembargador Péricle Piza, que restabeleceu a justiça e a validade da Resolução nº 54/2017, do Tribunal de Justiça Militar.

 

Decisão Monocrática – Extinção – Indeferimento da Petição Inicial  Decisão Monocrática – Extinção – Indeferimento da Petição Inicial  Data e Hora 12/09/2017  Complemento Registro: Número de registro do acórdão digital Não informado DECISÃO MONOCRÁTICA Agravo Regimental Processo nº 2164541-26.2017.8.26.0000/50000 Relator(a): PÉRICLES PIZA Órgão Julgador: Órgão Especial Voto nº 35.732 Vistos. A Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (ADPESP) impetra o presente mandado de segurança coletivo, com pedido liminar, visando a concessão da segurança para afastar, em caráter definitivo, os efeitos da Resolução nº. 54/2017 do Tribunal de Justiça Militar, por ofensa ao texto constitucional estatuído no artigo 125, §4º da Carta Maior. Pois bem. A retromencionada Resolução possui a seguinte redação: Art. 1º Em obediência ao disposto no artigo 12, alínea b, do Código de Processo Penal Militar, a autoridade policial militar a que se refere o § 2º do artigo 10 do mesmo Código, deverá apreender os instrumentos e todos os objetos que tenham relação com a apuração dos crimes militares definidos em lei, quando dolosos contra a vida de civil. Art. 2º Em observância ao previsto nos artigos 8º, alínea g, e 321 do Código de Processo Penal Militar, a autoridade de polícia judiciária militar deverá requisitar das repartições técnicas civis as pesquisas e exames necessários ao complemento da apuração dos crimes militares definidos em lei, quando dolosos contra a vida de civil. Art. 3º Nos casos em que o órgão responsável pelo exame pericial proceder a liberação imediata, o objeto ou instrumento deverá ser apensado aos autos quando da remessa à Justiça Militar, nos termos do artigo 23 do Código de Processo Penal Militar. Art. 4º Nas hipóteses em que o objeto ou instrumento permaneça no órgão responsável pelo exame pericial e somente posteriormente venha a ser encaminhado à autoridade de polícia judiciária militar, esta deverá também prontamente, quando do recebimento, efetuar o envio desse material à Justiça Militar, referenciando o procedimento ao qual se relaciona. Parágrafo único – O mesmo procedimento deverá ser adotado pela autoridade de polícia judiciária militar quando do recebimento do laudo ou exame pericial. Art. 5º Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. O mandamus foi originariamente distribuído ao ilustre Desembargador Silveira Paulilo (cf. termo de distribuição e conclusão fl. 53), o qual houve por bem suspender temporariamente os efeitos da Resolução questionada até que o pleno deste Órgão Especial exare posicionamento definitivo, e o fez nos seguintes termos: Concedo a liminar para suspender a eficácia da Resolução n. 54/2017, do Excelentíssimo Senhor Juiz Presidente do Egrégio Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo, até o julgamento final deste mandado de segurança. É que vislumbro a existência de fundamento relevante e que do ato impugnado pode resultar a ineficácia da medida (cf. LMS, art. 7º, III). Com efeito, nos termos dos arts. 5º, XXXVIII, d; 125, § 4º; 144, § 4º, da CF, e 6º do CPP; 6º do CPP e da Lei n. 12.830/13, compete à Polícia Civil, dirigidas por delegados de polícia de carreira, a investigação dos crimes dolosos contra a vida, praticados por policiais militares contra civis, em época de paz, dado que são de competência do Tribunal do Júri. Por outro lado, o cumprimento da Resolução agora hostilizada poderá prejudicar a investigação criminal no que concerne à sua condução e à apreensão de instrumentos ou objetos dos crimes praticados por policiais militares contra civis em tempos de paz, investigação esta até agora confiada, sem resistência, pela Polícia Civil. Por fim, reza o art. 9, § único, do Código Penal Militar: Os crimes de que trata este artigo quando dolosos contra a vida e cometidos contra civil serão da competência da justiça comum, salvo quando praticados no contexto de ação militar realizada na forma do art. 303 da Lei 7.565, de 19 de dezembro de 1986 Código Brasileiro de Aeronáutica. De início, cumpre ressaltar que não obstante a peça vestibular tenha atribuído ao Excelentíssimo Presidente do Tribunal de Justiça Militar, Dr. Sílvio Hiroshi Oyama, o dito ato violador de direito líquido e certo, temos como certo que as Resoluções Institucionais são atos do Tribunal Pleno (cf. artigo 275, §1º do Regimento Interno do Tribunal de Justiça Militar). Nesse sentido, o Tribunal Castrense interpôs pedido de reconsideração do despacho de fls. 54/55 requerendo, em síntese, (i) concessão de efeito; (ii) incompetência deste Egrégio Tribunal para análise do Mandado de Segurança; (iii) ilegitimidade ativa do Impetrante; (iv) ausência de interesse de agir do Impetrante; (v) nulidade do despacho por ofensa ao artigo 22, §2º da Lei nº 12.016/2009; e (vi) legalidade da Resolução nº. 54/2017. Em que pesem as razões coligidas na inicial, sem exarar qualquer manifestação com a questão de fundo, não há como acolher o pleito deduzido, sendo o caso de pronta extinção, sem conhecimento de mérito, por incompetência deste Órgão Especial Bandeirante para análise do mandado de segurança coletivo. A Constituição do Estado de São Paulo é clara ao determinar que: Art. 74 Compete ao Tribunal de Justiça, além das atribuições previstas nesta Constituição, processar e julgar originariamente: (…) III os mandados de segurança e os “habeas data” contra ato do Governador, da Mesa e da Presidência da Assembléia, do próprio Tribunal ou de alguém de seus membros, dos Presidentes dos Tribunais de Conta do Estado e do Município de São Paulo, do Procurador-Geral de Justiça, do Prefeito e do Presidente da Câmara Municipal da Capital. Regramento em consonância com o Regimento Interno desta Casa de Justiça: Art. 13. Compete ao Órgão Especial: I – processar e julgar, originariamente: (…) b) os mandados de segurança e os habeas data contra ato do próprio Órgão Especial, do Conselho Superior da Magistratura e de seus integrantes, das Turmas Especiais, da Câmara Especial e relatores que as integrem; Por tudo que se viu, o Mandado de Segurança não deve prosperar haja vista incompetência deste C. Órgão Especial para apreciar Resoluções e atos do Tribunal de Justiça Militar (v.g. Mandado de Segurança nº. 0081086-76.2012, Relator Des. Arthur Marques, julgado em 29 de abril de 2013; Mandado de Segurança nº. 0108673-39.2013, Relator Des. Ênio Zuliani, julgado em 18 de junho de 2013). Ante ao exposto, cassado os efeitos do despacho de fls. 54/55, de rigor o indeferimento liminar da inicial, com consequente extinção do processo sem conhecimento do mérito, o que ora se pronuncia, na forma do art. 485, inc. VI, do Código de Processo Civil c/c. o art. 6º, § 5º, da Lei n° 12.016/2009. São Paulo, 12 de setembro de 2017. PÉRICLES PIZA Relator  Nova MovimentaçãoMovimentação Processo encaminhado para o Processamento de Grupos e Câmaras  Data e Hora 12/09/2017  Nova MovimentaçãoMovimentação Processo encaminhado para o MP para ciência da decisão (Expedido Termo)  Data e Hora 12/09/2017  Complemento PGJ – Ciência da Decisão Monocrática [Digital] Nova MovimentaçãoMovimentação Decisão Monocrática registrada  Data e Hora 12/09/2017  Complemento Decisão monocrática registrada sob nº 20170000685246.

MAIS UMA VEZ A EPTV RIBEIRÃO DESRESPEITA A DOR DA FAMÍLIA POLICIAL-MILITAR

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(*) Humberto Gouvêa Figueiredo
Na noite do dia 10/09/17, na cidade de Osasco, na Grande São Paulo, um jovem Tenente da Polícia Militar, de apenas 25 anos, foi covardemente atingido por um disparo de arma de fogo em sua cabeça, fato praticado por dois infratores da lei que ocupavam uma motocicleta e tentaram roubar a moto do policial.
Como se não bastasse a dor da família policial-militar e da família de sangue da vítima, que sofrem por mais um caso dentre os mais de 20 ocorridos em 2017 apenas no Estado de São Paulo, a emissora de TV afiliada da Rede Globo na Região de Ribeirão Preto (EPTV) demonstrou, mais uma vez, o seu menosprezo pela Polícia Militar.
Na tarde de 11/09/17, no seu Jornal da EPTV 1ª edição, conforme link abaixo, ao invés de trazer ao telespectador a informação de que mais um herói que defendeu a sociedade e falecera na madrugada deste dia 12/09/17, preferiu ressuscitar fato havido em 2015 na cidade de Barretos envolvendo o mesmo policial, dando maior ênfase e tempo àquele fato à notícia da vitimização de um agente da lei.
Uma coisa não tem nada a ver com a outra, senhora EPTV. Os fatos daquela época já foram seriamente apurados pela Corporação.
O que deveriam fazer, como se vê em muitos países decentes e com mídia séria e informativa para o bem social, era dizer que mais um herói da Polícia Militar foi covardemente baleado e morto por bandidos inescrupulosos que não pensam duas vezes em atirar num policial quando o identificam. Em outros países sérios, como vemos, a população chora, os governantes decretam luto e o país literalmente para em razão de um acontecimento triste e repugnante como este.
Dizer que a família desse policial está, nesta manhã, ao lado do caixão desse jovem, que se dispôs a defender a sociedade, mesmo com o sacrifício da própria vida, é dolorido para nós, homens e mulheres honrados e de bem. Mesmo estando em seu horário de folga, muito provavelmente nosso herói foi atingido e morto por ser identificado como sendo um militar.
Rogamos aqui que façam o verdadeiro papel social de bem informar ao cidadão, não remoendo fatos que já fazem parte do passado. Respeitem todo e qualquer policial militar. Respeitem a única polícia presente 24 horas por dia, 7 dias por semana e 365 do ano nos 645 municípios desse estado.
Respeitem a dignidade da pessoa humana de cada policial militar que ontem e hoje, mais uma vez, chora por ter um dos seus brutalmente atingido. Temos em cada um de nós, um promotor de direitos humanos. E vocês, o que fazem. Diminuem e ofendem, costumeiramente, a imagem de uma Instituição com quase dois séculos de existência e um passado de muitas glórias. Fazem do jornal citado, mais um canal de puro revanchismo.
Somos uma polícia da democracia e não da ditadura. Somos uma polícia do bem. Uma polícia que protege e serve o cidadão.
O mínimo que merecemos, não apenas nos momentos de dor como o aqui retratado, é RESPEITO. A EPTV, com essa postura, indica que o erro praticado pelo policial foi muito mais grave do que o atentado contra a sua vida.
Morremos por vocês, senhores cidadãos, como ninguém neste país o faz.

(*) É Coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP), Comandante da Escola Superior de Soldados e associado da DEFENDA PM.
www.defendapm.org.br

UMA COMPARAÇÃO NECESSÁRIA

(*) Coronel PM Figueiredo

 

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Ontem, 27/8, o estado do Rio de Janeiro atingiu o trágico número de 100 policiais militares mortos em 2017: em menos de 8 meses uma centena de PMs perdeu a vida num local onde existe guerra e não há autoridade com coragem para declarar.

A comparação que estabeleço não deve ser mal interpretada e a faço apenas para evidenciar o quanto a sociedade e a imprensa, em especial, não são justas ao tratar de alguns temas.

Lá no Rio de Janeiro, a morte do civil Amarildo, também indesejada sob todos os aspectos, permaneceu nos veículos de comunicação e no debate público por vários meses. Atribuída a policiais militares, o que nem sei se foi realmente comprovado, pois não acompanho de perto o caso, foi um dos temas mais comentados à época e, de vez em quando retorna à pauta.

De outro lado, as cem vidas de agentes encarregados da aplicação da lei não tem o mesmo espaço na mídia, tampouco é sentida pela população.

Que país é esse onde se matam policiais como extinguem baratas e ninguém se indigna?

Onde é que iremos parar….

(*) é coronel da Polícia Militar e comandante da Escola Superior de Soldados.

QUANDO O OBJETIVO É TUMULTUAR AO INVÉS DE INFORMAR

Resolução do TJM

 
(*) Coronel Figueiredo
 
Já de muito tempo a imprensa de uma forma geral, com escassas exceções que merecem cumprimentos, deixou de lado o seu papel principal que é o de informar os seus leitores com isenção e imparcialidade e passou a divulgar notícias atendendo a interesses de pessoas, corporações, empresas ou ainda, seguindo a linha ideológica do dono, de quem manda ou de quem paga o anúncio mais caro.
Não foi diferente do que aconteceu recentemente, quando de forma articulada e enviesada, vários veículos de comunicações, principalmente da grande imprensa, com interesse escuso e tumultuário, divulgaram noticias sobre a recente Resolução nº 54/2017 do Tribunal de Justiça Militar que de fato não trouxe qualquer novidade, mas tão somente reafirmou competências e responsabilidades da Autoridades de Policia Judiciaria Militar, previstas na Constituição Federal, Código de Processo Penal Militar e na própria Legislação Especial, Lei Federal 9299/96, esta última a que transferiu para o Tribunal do Júri a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida praticados por militares contra civis.
Neste breve artigo argumentarei de forma técnica e sem pretensão de criar embate com qualquer outra Instituição, alguns dos pontos citados nas notícias veiculadas, fazendo o justo contraponto a elas.
Vamos aos fatos: a primeira equivocada informação trazida seria a de que “a Justiça Militar estaria autorizando a Polícia Militar a usurpar função de outra instituição”: isto não é verdade, o crime praticado pelo policial militar durante o serviço é crime militar e portanto da competência de apuração pela Autoridade de Policia Judiciária Militar (oficiais PM). A Lei Especial, 9299/96, que transferiu a competência do julgamento para o Tribunal do Júri, modificou o parágrafo 2º do artigo 82 do Código de Processo Penal, passando a prever que ” crimes dolosos contra a vida, praticados contra civil, a Justiça Militar encaminhará
os autos do inquérito policial militar à justiça comum”
Impossível restar dúvida em relação à pretensão do legislador de exclusivamente movimentar a competência do julgamento, nenhuma observação colocada em relação à fase de apuração. Se assim fosse seu desejo, ele explicitamente incluiria na Lei. Ademais, conforme expressamente está escrito na Lei, é o Tribunal de Justiça Militar é o órgão jurisdicional responsável por analisar o IPM, inclusive avaliando a existência de crimes militares correlatos para depois encaminha-lo ao Tribunal do Júri, se for o caso.
Um outro equívoco que também se divulgou foi o de que “seria prejudicada a Investigação “paralela” por outro Órgão, pois a Polícia Militar alteraria o local de crime ao recolher e apreender objetos”: esta inverdade tem dois objetivos, tumultuar os fatos e depreciar ética e moralmente os policiais militares. Tumultuar na medida em que omite, ou ao menos não evidência, que todos os objetos, armas, corpos, enfim, tudo o que estiver compondo a “cena do crime” deve ser submetido ao Exame Pericial, cuja responsabilidade é, em São Paulo, da Polícia Técnica Científica. Mas esta informação também é ofensiva (e ao meu ver até abre campo para eventual ação para reparação de danos morais) na medida em que sugere que os oficiais responsáveis pela condução dos atos de polícia judiciaria militar, criminosamente modificariam a cena do crime para beneficiar aqueles que eventualmente tenham cometido o crime.
Alterar a cena do crime é conduta prevista na legislação penal (castrense e comum) e quem o fizer (fardado ou de terno) responde pelo ato cometido com pena privativa de liberdade.
Colocar o tema neste nível é praticamente dizer que qualquer policial militar é desonesto, qualquer policial militar é criminoso e que, diante de um crime de homicídio contra civil o local de crime vai ser alterado para protegê-lo.
Só duas palavras podem resumir este entendimento: ABSURDO e INDIGNAÇÃO.
Disseram também alguns veículos de comunicação e pseudos “especialistas” (alguns até remunerados para defender posição) que a investigação do crime praticado por policiais militares por outra Instituição seria interessante porque criaria uma espécie de “contrapeso”, evitando que não se apurasse com profundidade a verdade dos fatos: a este respeito, digo que o contrapeso mais eficiente ao trabalho de investigação, seja envolvendo policiais militares ou não, é o trabalho da Polícia Científica, a quem cabe recolher e analisar as provas relacionadas com o crime. É o exame pericial bem feito que delimita a investigação, que lhe dá suporte para chegar ao que se espera no final do inquérito: a Verdade Real.
Dizer que uma Instituição investigando outra gera “contrapeso” não tem fundamento!
Aliás, se está máxima é verdadeira, qual a razão de aplica-la apenas em relação aos policiais militares?
Quando um militar das Forças Armadas se envolve num crime de homicídio contra civil é um oficial quem preside o Inquérito Policial Militar…quando um Agente ou um Delegado da Polícia Federal comete um crime do mesmo tipo é um Delegado de Policia Federal quem apura por meio de um Inquérito Policial…quando um Investigador, um Escrivão, um Agente ou um Delegado da Polícia Civil também pratica a mesma conduta, é um Delegado de Policia que preside o Inquérito…
Estou enganado ou o que se quer dizer é que os policiais militares são os únicos em quem não se confia?
Seria oportuno analisar a qualidade das apurações realizadas por nossos oficiais, o nível de detalhamento das investigações, a celeridade com que os IPM são concluídos e remetidos à Justiça Militar.
Por fim, e na certeza de que não convencerei aqueles que são contra a Justiça Militar e a prática de procedimentos de polícia judiciaria militar por oficiais PM lembro que, diferente do que ocorre com o IP, cujo controle mais efetivo é feito apenas pelo Ministério Público quando do oferecimento da denúncia, no caso do IPM instaurado em casos de homicídios contra civis, a supervisão começa do Comandante da Organização Policial Militar a que se subordina o encarregado da apuração que deve soluciona-lo, passa pelo crivo do representante do Parquet que atua no TJM, depois dos Magistrados que atuam na Corte. A seguir, sendo remetidos ao Tribunal do Júri, os Autos estarão suscetíveis ao controle do Ministério Público, do Poder Judiciário, do Conselho de Sentença e dos Advogados.
A pergunta que fica e não se cala é a seguinte: “o que realmente se quer com esta celeuma toda?”
Eu até imagino, mas falar sobre isto será num outro breve momento.
 
(*) é Coronel de Policia Militar e comandante da Escola Superior de Soldados

NÃO É MERA COINCIDÊNCIA COM O QUE VIVEMOS NO BRASIL

Galinha depenada

Em uma de suas reuniões, Stalin pediu que lhe trouxessem uma galinha. Agarrou-a forte com uma das mãos enquanto a depenava com a outra. A galinha, desesperada pela dor, quis fugir, mas não pode.

Assim, Stalin tirou todas suas penas, dizendo aos seus colaboradores: “Agora, observem o que vai acontecer”.

Stalin soltou a galinha no chão e se afastou um pouco dela. Pegou um punhado de grãos de trigo e, enquanto seus colaboradores viam, assombrados, como a galinha, assustada, dolorida e sangrando, corria atrás de Stalin e tentava agarrar a barra de sua calça, enquanto este lhe jogava uns grãos de trigo, dando voltas pela sala. A galinha o seguia por todos os lados.

Então, Stalin olha para seus ajudantes, que estão totalmente surpreendidos e lhes diz: “Assim, facilmente, se governa os estúpidos. Viram como a galinha me seguiu, apesar da dor que lhe causei?”

Assim é a maioria das pessoas, seguem seus governantes e políticos, apesar da dor que estes lhes causam, pelo simples gesto de receber um benefício barato ou algo para se alimentar por um ou dois dias.

(*) Autor desconhecido